Esses critérios valorizam a questão da dor generalizada por um período maior que três meses e a presença de pontos dolorosos padronizados que são extremamente sensíveis ao toque, chamados “tender points” (18 pontos dos quais a pessoa deve apresentar 11 deles para ter o diagnóstico).

Quais as pessoas predispostas à Fibromialgia?
Normalmente são pessoas que estabelecem padrões elevados, sendo que
exigem muito delas próprias e de outras pessoas, tornando-se rígidas
e perfeccionistas. São extremamente cautelosas, honestas, asseadas,
éticas, persistentes, trabalhadoras e virtuosas.
O desgaste físico e mental para manter esta imagem social é enorme,
o que acarreta stress e tensão, dois fatores inimigos e cruciais nos
pacientes com fibromialgia. Geralmente estes pacientes possuem uma
história de vida anterior à doença, que tem um desempenho exemplar
no trabalho, tendo por vezes mais que um emprego, sentindo-se
desconfortáveis nos períodos de férias, com pouco tempo dedicado ao
descanso e/ou lazer e exageradamente auto confiantes.
Como tratar a Fibromialgia?
O tratamento desta síndrome, que afeta os mais variados aspectos do
indivíduo, necessita de uma visão holística e um atendimento
multidisciplinar. O paciente tem que ser pensado como um ser que
possui uma debilitada condição física desencadeada pela perda de
energia e pela dor, afetado psicologicamente, o que o torna num ser
emocionalmente vulnerável e socialmente descriminado, tendo
constantemente a sua credibilidade à prova, impotente diante dos
limites que a doença impõe, além de outros aspectos complexos que se
apresentam na dinâmica da sua relação com a doença.
O tratamento terá que ser multidisciplinar, para garantir a
possibilidade do seu autoconhecimento, de informações acerca da
doença, dos métodos clínicos de tratamento, e da aprendizagem de
técnicas que orientem a mudança de hábitos e comportamentos que
intensificam os seus sintomas.
Tipos de tratamento:
Uso de antidepressivos tricíclicos para aumentar a vida útil da
serotonina. A dosagem é menor do que para pacientes com depressão e
tem efeito analgésico e de relaxante muscular.
Uso de analgésico leve para interromper o ciclo da dor. Indicado
em casos de crises agudas, tem efeito temporário.
Exercícios físicos de baixo impacto (sobretudo caminhadas ou
natação) para aumentar a produção da endorfina e melhorar a
oxigenação muscular.
Alongamento para aliviar a sensação de dor provocada pela
contração muscular excessiva, comum em pacientes com fibromialgia.
Acupuntura para reduzir a dor, melhorar a qualidade do sono,
estimular a produção de serotonina e endorfina.
Redução das situações de estresse procurando fazer pequenas pausas
de descanso ao longo do dia para evitar a fadiga.
Técnicas de relaxamento: ioga, meditação, massagem e hidroterapia
(a água também ameniza a dor).
Psicoterapia é importante para ensinar o paciente a lidar com a
doença, combater a depressão e a ansiedade. Fundamental nos casos em
que aparece um forte componente emocional como gatilho.
Como a Psicoterapia Psicodramática trata a Fibromialgia?
Os principais objetivos da Psicoterapia Psicodramática no tratamento
da fibromialgia são:
Aceitar os novos limites e valorizar a exploração das
possibilidades; na psicoterapia há um processo de autoconhecimento
no qual o paciente descobre recursos que até então desconhecia;
Estimular a busca de realizações pessoais na arte, no trabalho, no
esporte, no lazer etc.;
Elevar o nível de tolerância à frustração, que geralmente é muito
baixo nestes pacientes;
Flexibilizar as exigências, para alívio de culpas e cobranças em
relação a si e ao outro;
Facilitar o desenvolvimento das relações interpessoais para que
aceite a presença do outro em sua vida, permitindo partilhar, dar e
receber, cooperar, visto que sempre foram tão auto-suficientes.
Vários casos são relatos onde a síndrome inicia-se após infecção, um
acidente, problemas emocionais que envolvam perdas ou conflitos,
levando-se a pensar em uma falha de adaptação ou incapacidade de
elaborar respostas novas e adequadas aos estímulos internos e/ou
externos.
A fibromialgia representa uma sensação alterada de dor, resultante
das alterações sofridas por um indivíduo suscetível, proveniente do
estresse causado por diversos agentes, resultando na “dor” como uma
manifestação do conflito vivido internamente.
A manutenção da dor parece estar ligada diretamente ao suprimento
das necessidades do indivíduo. Ou seja, pela dificuldade psíquica de
lidar com o conflito vivenciado, o indivíduo deixa de querer entrar
em contato com a verdadeira causa do problema, ele apresenta
dificuldades para enxergar seu sofrimento, convertendo assim, a dor
emocional em uma dor física.
Para o Psicodrama, o processo de transformação se dá através do
desenvolvimento da espontaneidade que o indivíduo consegue quando
está consigo mesmo, percebendo-se na relação EU-OUTROS.
A espontaneidade é a capacidade do ser humano responder de forma
adequada e inovadora frente as “novas” e as “velhas” situações,
rompendo com os modelos aprendidos e se libertando das Conservas
Culturais, ou seja, aquilo que ficou cristalizado porque foi tido
como certo e deve ser assim reproduzido.
A ruptura de padrões gera a evolução e o ponto desencadeador da
mudança é a espontaneidade.
Fonte:
ARTHRITIS Foundation – Fibromialgia
Revista SAÚDE! É vital – junho 2003 – pág. 46 à 49.
MORENO, J.L. , Psicodrama. São Paulo: Ed. Cultrix, 1975.
WEIL, Pierre & TOMPAKOW, Roland. O Corpo Fala. 44ª ed., Petrópolis:
Vozes, 1998.
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