FIBROMIALGIA




O que é Fibromialgia?


Fibromialgia (M 79.0 – CID 10) significa dores nos músculos e tecidos conectivos fibrosos (ligamentos e tendões). É considerada uma síndrome porque abrange um conjunto de sinais e sintomas que podem ocorrer simultaneamente em diferentes doenças. É freqüentemente confundida e pouco entendida já que vários de seus sintomas podem ser encontrados em outras doenças.

A dor é o principal fator que leva o paciente a procurar cuidados médicos. A dor em fibromialgia tem sido descrita de várias maneiras: pontada, ardência, queimação, rigidez, fisgadas, incômodo, sensação de peso, entre outras.

O paciente apresenta dificuldade na localização precisa do processo doloroso. Alguns têm a impressão de que ela ocorre nos músculos, outros nas articulações, enquanto uma parte relata que a dor se localiza nos ossos ou "nervos".

Uma grande parte destes pacientes se queixa de dor difusa, que pode variar com a hora do dia, tipo de atividade, clima, padrão de sono e estresse.

Acomete principalmente a pacientes do sexo feminino, na proporção de oito mulheres, para cada homem, com um pico de incidência entre os 30 e os 50 anos de idade, podendo manifestar-se em crianças, adolescentes e indivíduos mais idosos, independentemente da classe social ou raça a que pertence.


Quais são os sintomas da Fibromialgia?


A fibromialgia é uma síndrome complexa que se caracteriza pela existência de dores generalizadas, pelo cansaço externo e perturbação do sono, estes fatores estão por vezes associados a outros sintomas, traduzindo-se numa condição física debilitante e crônica, que tem como conseqüência a diminuição da produtividade e da qualidade de vida.


Sintomas associados:


• Fadiga: os pacientes queixam-se de uma grande perda de energia física e mental, resultante de pouca ou nenhuma atividade física. Algumas vezes a fadiga é um problema maior do que a dor.
• Sono: alteração do sono, tanto na qualidade do sono, sono leve, sono agitado e partido, como outros distúrbios do sono, incluindo apnéia, mioclonia e síndrome da perna cansada são também comuns, não possibilitando o descanso necessário. Os pacientes queixam-se que acordam mais cansados do que quando se deitaram.
• Rigidez matinal: a rigidez matinal é de curta duração, causando por vezes desânimo para realizar as tarefas matinais.
• Sensação de edema e/ou formigamento nos membros superiores e inferiores.
• Dor de cabeça crônica.
• Dificuldades de memória, causando um prejuízo na lógica do pensamento.
• Mentais e cerebrais: aparece quase sempre depressão e ansiedade, associada a estas os sentimentos de culpa, inadequação e impotência. Alterações de humor são freqüentes. Falta de concentração, visão nublada ou vista cansada, irritabilidade.
• Músculo-esqueléticos: dor aguda generalizada, entorpecimento dos músculos, tendões e ligamentos. As dores podem variar de intensidade e de forma, podendo existir vários tipos de dor (dor aguda, dor contínua que muda de intensidade, dores que mudam de lugar no corpo, sensação que os músculos se movem sozinhos, dificuldade em engolir e dor na articulação temporo-mandibular, dor no peito). Fraqueza muscular e por vezes a sensação de que impulsos elétricos estão a atravessar o corpo.
• Dérmicos e cutâneos: sensação de que existe algo a andar na pele, coceira, erupções cutâneas e por vezes inchaços nas palmas das mãos e solas dos pés.
• Gastrintestinais: problemas intestinais, Síndrome do Cólon Irritável que inclui gases, dores, constipação e/ou diarréia.
• Sintomas relativos aos órgãos genitais e urinários: sensação de irritação nos lábios vaginais, dores na vulva, dores vaginais, aumento das dores menstruais e uterinas, dor durante o ato sexual, infecções urinárias freqüentes e sensação de precisar urinar frequentemente.
• Outros sintomas associados: congestão nasal excessiva, unhas e cabelo quebradiço, sabor amargo e/ou metálico na boca, sensação de boca seca, zumbido nos ouvidos e grande sensibilidade ao frio.



Quais são as causas da Fibromialgia?


As causas da fibromialgia ainda são desconhecidas, embora várias teorias tentem encontrar uma origem para a dor, muitas pesquisas procuram dados para caracterizá-la como doença.


Diferentes fatores, isolados ou combinados, podem favorecer as manifestações da fibromialgia, dentre eles doenças graves, traumas emocionais ou físicos e mudanças hormonais. Assim sendo, uma infecção, um episódio de gripe ou um acidente de carro, podem estimular o aparecimento dessa síndrome. Por outro lado, os sintomas de fibromialgia podem provocar alterações no humor e diminuição da atividade física, o que agrava a condição de dor.


Fatores de risco:


 Falta de condicionamento físico: o sedentarismo é apontado como o principal fator de risco, já que pouquíssimos atletas desenvolvem fibromialgia.
 Mudanças hormonais como incidência de fibromialgia são maiores em mulheres que estão entrando na menopausa: os pesquisadores suspeitam que as mudanças hormonais estejam entre os fatores que desencadeiam a doença.
 Estresse e traumas emocionais.
 Doenças infecciosas: há vários relatos de pacientes que desenvolveram fibromialgia depois de serem acometidos por doenças infecciosas.
 Hereditariedade: filhos de fibromialgicos têm mais chances de desenvolver a doença, mas os pesquisadores não sabem se o fator de risco é o estilo de vida da família ou a genética.

Como diagnosticar a Fibromialgia?


Como não existem exames complementares que por si só confirmem o diagnóstico, a experiência clínica do profissional que avalia o paciente com fibromialgia é fundamental para o sucesso do tratamento.


A fibromialgia tem sido referida como um estado invisível, tendo em conta a inexistência de exame laboratorial ou de imagem que consiga detectar a presença desta síndrome. Normalmente, perante a presença de sintomas de dor generalizada, o médico solicita alguns exames para descartar algum tipo de doença que acarretem estes sintomas (tais como, hipotireoidísmo, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome dolorosa mio facial), contudo poderá existir a possibilidade de ocorrerem em simultâneo.


A partir da década de 80 pesquisadores do mundo inteiro têm se interessado pela fibromialgia. Vários estudos foram publicados, inclusive critérios que auxiliam no diagnóstico dessa síndrome, diferenciando-a de outras condições que acarretem dor muscular ou óssea.

Esses critérios valorizam a questão da dor generalizada por um período maior que três meses e a presença de pontos dolorosos padronizados que são extremamente sensíveis ao toque, chamados “tender points” (18 pontos dos quais a pessoa deve apresentar 11 deles para ter o diagnóstico).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 






Quais as pessoas predispostas à Fibromialgia?


Normalmente são pessoas que estabelecem padrões elevados, sendo que exigem muito delas próprias e de outras pessoas, tornando-se rígidas e perfeccionistas. São extremamente cautelosas, honestas, asseadas, éticas, persistentes, trabalhadoras e virtuosas.

O desgaste físico e mental para manter esta imagem social é enorme, o que acarreta stress e tensão, dois fatores inimigos e cruciais nos pacientes com fibromialgia. Geralmente estes pacientes possuem uma história de vida anterior à doença, que tem um desempenho exemplar no trabalho, tendo por vezes mais que um emprego, sentindo-se desconfortáveis nos períodos de férias, com pouco tempo dedicado ao descanso e/ou lazer e exageradamente auto confiantes.

Como tratar a Fibromialgia?


O tratamento desta síndrome, que afeta os mais variados aspectos do indivíduo, necessita de uma visão holística e um atendimento multidisciplinar. O paciente tem que ser pensado como um ser que possui uma debilitada condição física desencadeada pela perda de energia e pela dor, afetado psicologicamente, o que o torna num ser emocionalmente vulnerável e socialmente descriminado, tendo constantemente a sua credibilidade à prova, impotente diante dos limites que a doença impõe, além de outros aspectos complexos que se apresentam na dinâmica da sua relação com a doença.


O tratamento terá que ser multidisciplinar, para garantir a possibilidade do seu autoconhecimento, de informações acerca da doença, dos métodos clínicos de tratamento, e da aprendizagem de técnicas que orientem a mudança de hábitos e comportamentos que intensificam os seus sintomas.


Tipos de tratamento:


 Uso de antidepressivos tricíclicos para aumentar a vida útil da serotonina. A dosagem é menor do que para pacientes com depressão e tem efeito analgésico e de relaxante muscular.
 Uso de analgésico leve para interromper o ciclo da dor. Indicado em casos de crises agudas, tem efeito temporário.
 Exercícios físicos de baixo impacto (sobretudo caminhadas ou natação) para aumentar a produção da endorfina e melhorar a oxigenação muscular.
 Alongamento para aliviar a sensação de dor provocada pela contração muscular excessiva, comum em pacientes com fibromialgia.
 Acupuntura para reduzir a dor, melhorar a qualidade do sono, estimular a produção de serotonina e endorfina.
 Redução das situações de estresse procurando fazer pequenas pausas de descanso ao longo do dia para evitar a fadiga.
 Técnicas de relaxamento: ioga, meditação, massagem e hidroterapia (a água também ameniza a dor).
 Psicoterapia é importante para ensinar o paciente a lidar com a doença, combater a depressão e a ansiedade. Fundamental nos casos em que aparece um forte componente emocional como gatilho.


Como a Psicoterapia Psicodramática trata a Fibromialgia?



Os principais objetivos da Psicoterapia Psicodramática no tratamento da fibromialgia são:

 Aceitar os novos limites e valorizar a exploração das possibilidades; na psicoterapia há um processo de autoconhecimento no qual o paciente descobre recursos que até então desconhecia;
 Estimular a busca de realizações pessoais na arte, no trabalho, no esporte, no lazer etc.;
 Elevar o nível de tolerância à frustração, que geralmente é muito baixo nestes pacientes;
 Flexibilizar as exigências, para alívio de culpas e cobranças em relação a si e ao outro;
 Facilitar o desenvolvimento das relações interpessoais para que aceite a presença do outro em sua vida, permitindo partilhar, dar e receber, cooperar, visto que sempre foram tão auto-suficientes.


Vários casos são relatos onde a síndrome inicia-se após infecção, um acidente, problemas emocionais que envolvam perdas ou conflitos, levando-se a pensar em uma falha de adaptação ou incapacidade de elaborar respostas novas e adequadas aos estímulos internos e/ou externos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




A fibromialgia representa uma sensação alterada de dor, resultante das alterações sofridas por um indivíduo suscetível, proveniente do estresse causado por diversos agentes, resultando na “dor” como uma manifestação do conflito vivido internamente.


A manutenção da dor parece estar ligada diretamente ao suprimento das necessidades do indivíduo. Ou seja, pela dificuldade psíquica de lidar com o conflito vivenciado, o indivíduo deixa de querer entrar em contato com a verdadeira causa do problema, ele apresenta dificuldades para enxergar seu sofrimento, convertendo assim, a dor emocional em uma dor física.

Para o Psicodrama, o processo de transformação se dá através do desenvolvimento da espontaneidade que o indivíduo consegue quando está consigo mesmo, percebendo-se na relação EU-OUTROS.


A espontaneidade é a capacidade do ser humano responder de forma adequada e inovadora frente as “novas” e as “velhas” situações, rompendo com os modelos aprendidos e se libertando das Conservas Culturais, ou seja, aquilo que ficou cristalizado porque foi tido como certo e deve ser assim reproduzido.
A ruptura de padrões gera a evolução e o ponto desencadeador da mudança é a espontaneidade.



Fonte:


ARTHRITIS Foundation – Fibromialgia
Revista SAÚDE! É vital – junho 2003 – pág. 46 à 49.


MORENO, J.L. , Psicodrama. São Paulo: Ed. Cultrix, 1975.


WEIL, Pierre & TOMPAKOW, Roland. O Corpo Fala. 44ª ed., Petrópolis: Vozes, 1998.





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