JACOB LEVY MORENO - OBRA
Jacob Levy Moreno (1889-1974) psiquiatra judaico romeno, conhecido como o pai do Teatro Espontâneo, Psicoterapia de Grupo, Psicodrama e Sociodrama e Sociometria.
Moreno criou o “Teatro do Improviso” ou “Teatro
Espontâneo”, gênero no qual os participantes amadores improvisavam
acontecimentos do dia-a-dia. Com o Teatro Espontâneo Moreno percebeu
que, através da representação, os indivíduos tomavam consciência de
seus conflitos psicológicos, reconhecendo-os e ampliando novas
possibilidades para lidar com suas dificuldades e situações
conflituosas. Nasce assim o Teatro Terapêutico, o Psicodrama, a
Psicoterapia de Grupo e o Sociodrama.
Um dos objetivos do Psicodrama, do Sociodrama e da Psicoterapia de
Grupo é descobrir, aprimorar e utilizar os meios que facilitem o
predomínio de relações télicas sobre relações transferências, no
sentido moreniano. À medida que as distorções diminuem e que a
comunicação flui, criam-se condições para a recuperação da
criatividade e da espontaneidade. Moreno pretendia que a ação
dramática terapêutica levasse a algo mais do que a mera repetição de
papéis tais como são desempenhados no quotidiano. A ação dramática
permite percepções profundas por parte do Protagonista e do grupo, a
respeito do significado dos papéis assumidos.
SUA OBRA
Moreno nasceu em 1889, na Romênia (cidade de Bucarest). Viveu uma experiência interessante, que foi a brincar de
ser Deus. Segundo ele, foi aí que surgiu a idéia de espontaneidade.
Acreditava que no teatro existiam “possibilidades ilimitadas para a
investigação da espontaneidade no plano experimental”. Com a criação
do “ jornal vivo ”, estavam sendo lançadas as raízes do Sociodrama.
Em 1931, introduziu o termo Psicoterapia de Grupo, onde teve sua
origem científica. O Psicodrama foi introduzido no Brasil em 1930.
Segundo Moreno, o indivíduo deve ser concebido e estudado através de
suas relações interpessoais. Ao nascer, a criança é inserida num
conjunto de relações, primeiramente com sua mãe (que é seu primeiro
ego auxiliar), seu pai, irmãos, avós, tios, etc.; este conjunto foi
denominado de Matriz de Identidade.
O homem para Moreno é um indivíduo social, pois nasce em sociedade e
necessita dos outros para sobreviver, sendo apto para conviver com
os demais. Assim, ele criou a Socionomia, que significa o estudo das
leis que regem o comportamento social e grupal.
A Sociodinâmica estuda o funcionamento (ou dinâmica) das relações
interpessoais. Tem como método de estudo o role-playing, que permite
ao indivíduo atuar dramaticamente diversos papéis, desenvolvendo
deste modo um papel espontâneo e criativo.
A Sociatria constitui a terapêutica das relações sociais, e utiliza
como método: a Psicoterapia de Grupo, o Psicodrama e o Sociodrama;
como aplicação destes, Moreno vislumbrava a possibilidade de
tratamento e de cura do social mais amplo. O Psicodrama é o
tratamento do indivíduo e do grupo através da ação dramática. No
Psicodrama de grupo o protagonista poderá ser um indivíduo ou o
próprio grupo. A Psicoterapia de grupo prioriza o tratamento das
relações interpessoais inseridas na dinâmica grupal. No Sociodrama,
o protagonista é sempre o grupo e as pessoas estão reunidas enquanto
mantêm alguma tarefa ou objetivo em comum

A espontaneidade, a criatividade e a sensibilidade são recursos
inatos do homem. Desde o início ele traz consigo fatores favoráveis
a seu desenvolvimento, porém estes podem ser perturbados por
ambientes ou sistemas sociais constrangedores.
Moreno não considerava o nascimento como um evento angustiante e
traumático, concebendo o rebento humano como um agente participante
desde esse momento. O fator E ou espontaneidade é a capacidade de
responder adequadamente à situação, utilizada pela primeira vez no
nascimento. O homem nasce espontâneo e deixa de sê-lo devido a
fatores adversos tanto do ambiente afetivo-emocional (Matriz de
Identidade e átomo social), quanto do ambiente social em que a
família se insere (rede sociométrica e social).
A Revolução Criadora moreniana propõe o rompimento com os padrões de
comportamento, valores e formas estereotipadas de participação na
vida social, que acarretam a automatização do homem (conservas
culturais).
Para que tenhamos o prazer de nos sentirmos vivos é preciso que nos
reconheçamos como agentes de nosso próprio destino. A espontaneidade
é a capacidade de agir de modo “adequado” diante de situações novas,
procurando transformar seus aspectos insatisfatórios.
Para promover mudanças no ambiente, pensamos e agimos em função de
relações afetivas, mesmo que não o façamos conscientemente.
A possibilidade de modificar uma dada situação implica em criar, e a
criatividade é indissociável da espontaneidade (esta permite que o
potencial criativo se atualize e se manifeste).
Segundo Moreno, a criança aos poucos, com o desenvolvimento de um
fator inato, chamado Tele, vai distinguindo objetos e pessoas, sem
distorcer seus aspectos essenciais; assim Tele é a capacidade de
perceber de forma objetiva o que ocorre nas situações e o que se
passa entre as pessoas.
Toda ação pressupõe relação, factual ou simbólica (relação com
pessoas reais ou imaginárias, que têm sua presença representada).
Toda relação pressupõe formas de comunicação.
O fator Tele influi decisivamente sobre a comunicação, pois só nos
comunicamos a partir do que podemos perceber. Para Moreno, Tele é
também uma “percepção interna mútua entre dois indivíduos”.
A empatia é a captação, pela sensibilidade dos sentimentos e emoções
de alguém ou contidas, de alguma forma, em um objeto. Assim, Moreno
escreveu certa vez que “o fenômeno Tele é a empatia ocorrendo em
duas direções”.
Segundo Moreno, a transferência equivalia ao embotamento ou à
ausência do fator Tele, e como o Psicodrama tinha por objetivo
reavivar a espontaneidade e o Tele, a recuperação destes, seriam
fatores de saúde mental e criatividade, superando o apego
desfavorável a situações do passado. Uma parte do teste sociométrico,
o “perceptual”, verifica a capacidade de cada elemento de um grupo
de captar os sentimentos e expectativas dos outros em relação a ele.
Um dos objetivos do Psicodrama, do Sociodrama e da Psicoterapia de
Grupo é descobrir, aprimorar e utilizar os meios que facilitem o
predomínio das relações télicas sobre relações transferências.
O encontro é a experiência essencial da relação télica , é apelo
para a sensibilidade do próximo, é apelo da espontaneidade.
É no momento do encontro e no momento da criação, onde há situações
em que o ser humano se realiza, afirmando o que é essencial no seu
modo de ser.
Moreno salientava que é importante pensar a respeito da interação
humana levando em conta, principalmente, o tempo presente; trata-se
de averiguar a relação presente e as correntes afetivas, tais como
estão sendo transmitidas e captadas aqui e agora.
Segundo este, os “estados co-conscientes e co-inconscientes” são
aqueles que os participantes têm experimentado e produzido
conjuntamente e só podem ser reproduzidos ou representados
conjuntamente.
A resistência interpessoal corresponde a uma resistência a
reconhecer certos aspectos próprios, que cada um atribui ao outro, e
que freqüentemente se apresenta como resistência frente ao outro;
vencida esta resistência, a ação psicodramática permitiria a
superação de conflitos co-inconscientes.
LIVROS
MORENO, J. L. Psicodrama. São Paulo: Editora Cultrix, 1975;
MORENO, J. L. Fundamentos do Psicodrama. São Paulo: Summus, 1983;
MORENO, J. L. O Teatro da Espontaneidade. São Paulo: Summus, 1984;
MORENO, J. L. Quem Sobreviverá? Fundamentos da Sociometria,
Psicoterapia de Grupo e Sociodrama. Goiânia: Dimensão Editora, 1992,
v. 1, 2 e 3;
MORENO, J. L. Psicoterapia de Grupo e Psicodrama. Campinas: Editora
Livro Plena, 1999.
Fonte:
MARINEAU, René F. Jacob Levy Moreno – 1889-1974: Pai do Psicodrama,
da Sociometria e da Psicoterapia de Grupo. São Paulo: Ed. Àgora,
1992
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