é o criador do Psicodrama. Nasceu em 1889, na Romênia (cidade de Bucarest). Viveu uma experiência interessante, que foi a brincar de ser Deus. Segundo ele, foi aí que surgiu a idéia de espontaneidade. Acreditava que no teatro existiam “possibilidades ilimitadas para a investigação da espontaneidade no plano experimental”. Com a criação do “ jornal vivo ”, estavam sendo lançadas as raízes do Sociodrama. Em 1931, introduziu o termo Psicoterapia de Grupo, onde teve sua origem científica. O Psicodrama foi introduzido no Brasil em 1930.
Segundo Moreno, o
indivíduo deve ser concebido e estudado através de suas
relações interpessoais. Ao nascer, a criança é inserida num
conjunto de relações, primeiramente com sua mãe (que é seu
primeiro ego auxiliar), seu pai, irmãos, avós, tios, etc.;
este conjunto foi denominado de Matriz de Identidade.
O homem para Moreno é um indivíduo social, pois nasce em sociedade e necessita dos outros para sobreviver, sendo apto para conviver com os demais. Assim, ele criou a Socionomia, que significa o estudo das leis que regem o comportamento social e grupal.
A Sociodinâmica estuda o funcionamento (ou dinâmica) das relações interpessoais. Tem como método de estudo o role-playing, que permite ao indivíduo atuar dramaticamente diversos papéis, desenvolvendo deste modo um papel espontâneo e criativo.
A Sociatria constitui a terapêutica das relações sociais, e utiliza como método: a Psicoterapia de Grupo, o Psicodrama e o Sociodrama; como aplicação destes, Moreno vislumbrava a possibilidade de tratamento e de cura do social mais amplo. O Psicodrama é o tratamento do indivíduo e do grupo através da ação dramática. No Psicodrama de grupo o protagonista poderá ser um indivíduo ou o próprio grupo. A Psicoterapia de grupo prioriza o tratamento das relações interpessoais inseridas na dinâmica grupal. No Sociodrama, o protagonista é sempre o grupo e as pessoas estão reunidas enquanto mantêm alguma tarefa ou objetivo em comum
A espontaneidade, a criatividade e a sensibilidade são recursos inatos do homem. Desde o início ele traz consigo fatores favoráveis a seu desenvolvimento, porém estes podem ser perturbados por ambientes ou sistemas sociais constrangedores.
Moreno não considerava o nascimento como um evento angustiante e traumático, concebendo o rebento humano como um agente participante desde esse momento. O fator E ou espontaneidade é a capacidade de responder adequadamente à situação, utilizada pela primeira vez no nascimento. O homem nasce espontâneo e deixa de sê-lo devido a fatores adversos tanto do ambiente afetivo-emocional (Matriz de Identidade e átomo social), quanto do ambiente social em que a família se insere (rede sociométrica e social).
A Revolução Criadora moreniana propõe o rompimento com os padrões de comportamento, valores e formas estereotipadas de participação na vida social, que acarretam a automatização do homem (conservas culturais).
Para que tenhamos o prazer de nos sentirmos vivos é preciso que nos reconheçamos como agentes de nosso próprio destino. A espontaneidade é a capacidade de agir de modo “adequado” diante de situações novas, procurando transformar seus aspectos insatisfatórios.
Para promover mudanças no ambiente, pensamos e agimos em função de relações afetivas, mesmo que não o façamos conscientemente.
A possibilidade de modificar uma dada situação implica em criar, e a criatividade é indissociável da espontaneidade (esta permite que o potencial criativo se atualize e se manifeste).
Segundo Moreno, a criança aos poucos, com o desenvolvimento de um fator inato, chamado Tele, vai distinguindo objetos e pessoas, sem distorcer seus aspectos essenciais; assim Tele é a capacidade de perceber de forma objetiva o que ocorre nas situações e o que se passa entre as pessoas.
Toda ação pressupõe relação, factual ou simbólica (relação com pessoas reais ou imaginárias, que têm sua presença representada). Toda relação pressupõe formas de comunicação.
O fator Tele influi decisivamente sobre a comunicação, pois só nos comunicamos a partir do que podemos perceber. Para Moreno, Tele é também uma “percepção interna mútua entre dois indivíduos”.
A empatia é a captação, pela sensibilidade dos sentimentos e emoções de alguém ou contidas, de alguma forma, em um objeto. Assim, Moreno escreveu certa vez que “o fenômeno Tele é a empatia ocorrendo em duas direções”.
Segundo Moreno, a transferência equivalia ao embotamento ou à ausência do fator Tele, e como o Psicodrama tinha por objetivo reavivar a espontaneidade e o Tele, a recuperação destes, seriam fatores de saúde mental e criatividade, superando o apego desfavorável a situações do passado. Uma parte do teste sociométrico, o “perceptual”, verifica a capacidade de cada elemento de um grupo de captar os sentimentos e expectativas dos outros em relação a ele.
Um dos objetivos do Psicodrama, do Sociodrama e da Psicoterapia de Grupo é descobrir, aprimorar e utilizar os meios que facilitem o predomínio das relações télicas sobre relações transferências.
O encontro é a experiência essencial da relação télica , é apelo para a sensibilidade do próximo, é apelo da espontaneidade.
É no momento do encontro e no momento da criação, onde há situações em que o ser humano se realiza, afirmando o que é essencial no seu modo de ser.
Moreno salientava que é importante pensar a respeito da interação humana levando em conta, principalmente, o tempo presente; trata-se de averiguar a relação presente e as correntes afetivas, tais como estão sendo transmitidas e captadas aqui e agora.
Segundo este, os “estados
co-conscientes e co-inconscientes” são aqueles que os
participantes têm experimentado e produzido conjuntamente e
só podem ser reproduzidos ou representados conjuntamente.
A resistência interpessoal corresponde a uma resistência a reconhecer certos aspectos próprios, que cada um atribui ao outro, e que freqüentemente se apresenta como resistência frente ao outro; vencida esta resistência, a ação psicodramática permitiria a superação de conflitos co-inconscientes.
Moreno criou o
“Teatro do Improviso” ou “Teatro Espontâneo”, gênero no qual os
participantes amadores improvisavam acontecimentos do dia-a-dia. Com o
Teatro Espontâneo Moreno percebeu que, através da representação, os
indivíduos tomavam consciência de seus conflitos psicológicos,
reconhecendo-os e ampliando novas possibilidades para lidar com suas
dificuldades e situações conflituosas. Nasce assim o Teatro Terapêutico, o
Psicodrama, a Psicoterapia de Grupo e o Sociodrama.