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Orientação Profissional

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As escolhas na vida

Escolher faz parte da vida de todas as pessoas. Desde que nascemos estamos sempre escolhendo: comida, roupa, amigos, brinquedos, lazer, ...

O processo de escolha que se inicia na adolescência é um processo de busca de si mesmo, busca de uma identidade, um período de crises e questionamentos. O jovem se questiona: quem sou eu?, O que quero?, Do que gosto?, Por que gosto? , Como me sinto realizando algo?, etc.

O adulto é o indivíduo que encontrou essa identidade mediante a vida afetiva no casamento e na família e possui uma estabilidade mediante o desempenho de uma profissão. Ou seja, ficamos adultos por meio de um trabalho e da formação de uma família.

Na escolha de uma profissão, o jovem se dá conta de que não basta apenas gostar de uma matéria específica para ter sucesso nesta profissão. A satisfação profissional está ligada a uma motivação pessoal, um gosto, um interesse por realizar determinadas atividades.

O momento da escolha é um presente que irá definir um futuro a partir das referências passadas da pessoa, integradas nesse momento presente.

A escolha feita a partir de um maior conhecimento de si mesmo e do mundo do trabalho traz uma motivação e um interesse muito maior pela atividade a ser desenvolvida e esse tempo gasto para pensar e refletir proporciona um amadurecimento maior do jovem em relação a si mesmo e à escolha realizada.

A identidade é formada nas relações estabelecidas entre pessoas que desempenham papéis sociais importantes na vida de cada indivíduo, como pais, parentes, amigos, professores, etc. Desde crianças já nos identificamos, consciente ou inconscientemente, assumindo e experimentando papéis que vão servir de base para o estabelecimento da futura identidade.

No processo de escolha existe um conflito de quem se quer ser (identidade pessoal) mediante algo que se deseja fazer (profissão), ou seja, integrar sua identidade pessoal (ser) com a profissional (fazer).

Quando falamos de escolhas, também estamos falando de perdas pelas coisas deixadas para trás, sem a possibilidade de escolha. Em geral, aquilo que deixamos de escolher provoca mais angústia do que o fato de escolher alguma coisa. Muitas vezes, o problema maior está aí, em saber perder, em saber aceitar as limitações de não poder ter tudo ao mesmo tempo e com a mesma intensidade.

Fatores que interferem na escolha profissional

1) Fatores Políticos: Referem-se especialmente à política governamental e seu posicionamento perante a educação, em especial o ensino médio, ensino profissionalizante e superior.

2) Fatores Econômicos: Referem-se ao mercado de trabalho, à globalização e à informatização das profissões, à falta de oportunidades, ao desemprego, à dificuldade de tornar-se empregável, à falta de planejamento econômico, à queda do poder aquisitivo da classe média e todas as conseqüências do sistema capitalista neoliberal no qual vivemos.

3) Fatores Sociais: Dizem respeito à divisão da sociedade em classes sociais, à busca da ascensão social por meio do estudo (curso superior), à influência da sociedade na família e aos efeitos da globalização na cultura e na família.

4) Fatores Educacionais: Compreendem o sistema de ensino brasileiro, a falta de investimento do poder público na educação, a necessidade e os prejuízos do vestibular e a questão da universidade pública e privada em uma forma mais geral.

5) Fatores Familiares: Impõem à família uma parte importante no processo de impregnação da ideologia vigente. A busca da realização das expectativas familiares em detrimento dos interesses pessoais influencia na decisão e na fabricação dos diferentes papéis profissionais.

6) Fatores Psicológicos: Dizem respeito aos interesses, às motivações, às habilidades e às competências pessoais, à compreensão e conscientização dos fatores determinantes.

Orientação Profissional

A Orientação Profissional é uma intervenção psicológica, cujo objetivo é abordar a relação homem-trabalho, nas suas mais diferentes concepções,  seja no que diz respeito à escolha dos estudos a seguir, aos conflitos que surgem no desempenho do papel profissional ou ainda à reorientação ou ao planejamento de carreira.

O trabalho ocupa grande parte do tempo da vida das pessoas. É essencial a sua escolha ter sido consciente e coerente com os interesses e as necessidades pessoais para que ele seja realizado eficientemente.

Uma pessoa exercendo sua profissão com motivação e prazer está se realizando pessoalmente, como também prestando um serviço de melhor qualidade à sociedade. Embora a escolha profissional seja responsabilidade de cada um, as conseqüências da decisão têm inúmeras implicações sociais. Quando escolhemos uma atividade pela qual temos muito interesse e prazer em realizar, temos mais segurança de que poderemos ser felizes ao desempenhá-la.

A Orientação Profissional em nosso contexto histórico e social tem como desafio a melhor maneira de preparar o Orientando para suas opções de vida num mundo em mudanças. Prepará-lo melhor significa aguçar-lhe a percepção sobre suas próprias facilidades e dificuldades pessoais e sobre as circunstâncias externas a ele.

Desta forma, a Orientação Profissional não se limita apenas à escolha profissional, vai muito mais além. Deve mostrar as novas tendências do mercado de trabalho tendo em vista a empregabilidade do Orientando.

Empregabilidade é o conjunto de capacidades e características pessoais que levam a pessoa a conseguir empregar-se com mais facilidade que outras. Por capacidade entende-se as competências, habilidades, aptidões e a formação profissional, obtida mediante diploma e variados cursos. As características de personalidade incluem a facilidade na comunicação com as pessoas, no trabalho em grupo, na solução de problemas, iniciativa e criatividade. As experiências nos mais diferentes tipos de atividades também são levadas em consideração, como as vivências no exterior para estudar ou mesmo trabalhar.

Objetivos da Orientação Profissional

  • Sensibilizar o Orientando para a necessidade de conhecer os fatores básicos de uma boa escolha profissional, que são: autoconhecimento, informação ocupacional e levantamento de dados sobre o mercado de trabalho.
  • Estimular o autoconhecimento, com foco no reconhecimento de aspectos da personalidade e no conjunto de talentos, habilidades e capacidades.
  • Conscientizar o Orientando de todos os fatores que interferem na escolha de sua profissão.
  • Facilitar o acesso às informações sobre profissão e esclarecer as exigências do mercado de trabalho, como a empregabilidade.
  • Ajudar o Orientando na resolução de conflitos inerentes ao seu momento de vida, podendo ter um caráter terapêutico de acordo com a necessidade do caso.
  • Desmistificar falsas imagens e preconceitos relacionados aos papéis profissionais e possibilitar ao Orientando adquirir uma visão realista da díade formação profissional-ocupação funcional.
  • Auxiliar o Orientando a fazer opções, possibilitando decisões através da discussão e análise das várias alternativas viáveis a ele.

Referenciais teóricos

Para o desenvolvimento da Orientação Profissional utilizamos como tripé três referenciais teóricos:

O primeiro é Frank Parsons, que no início do século passado, apontava que o profundo autoconhecimento era a chave que abriria as portas do mercado de trabalho para aqueles que se prepararam para escolher uma profissão.

Frank Parsons, (1854-1908) é conhecido como o Pai da Orientação Profissional. Although he was educated as an engineer at Cornell University , he wrote several books on social reform movements and articles related to women's suffrage , taxation , and education for all. Engenheiro e advogado, lecionou história, matemática e francês em escolas públicas, foi professor de direito na Universidade de Boston e criou o primeiro serviço de Orientação Profissional de que se tem notícia. Entre 1905 e 1908, desenvolveu sua teoria, organizou um curso e treinou professores para serem conselheiros em Orientação Vocacional.

Segundo Parsons, a Orientação Profissional deve levar o Orientando a:

  • Olhar para dentro de si, à sua volta, e para a família; pesquisar o próprio nome; perceber seu lugar na família; melhorar a auto-estima;
  • Observar os outros e respeitá-los; perceber as diferenças e aceitá-las;
  • Perceber o grupo e trabalhar em equipe, sendo solidário e cooperativo; aprender a falar e a ouvir, dando espaço e voz para todos se manifestarem;
  • Observar os pais ou responsáveis com atenção ao papel que estes representam na sua vida, percebendo a função complementar, além de pedir ajuda para continuar a amadurecer até atingir a idade adulta;
  • Relembrar suas características pessoais, suas habilidades, seus gostos e descobrir que estes são fatores importantes para a escolha da profissão.

O segundo é Rodolfo Bohoslavsky, que afirma que é preciso conhecer a fundo as várias profissões, é preciso conhecer, em primeiro lugar, qual é o objetivo com que as várias profissões realizam sua tarefa; qual é a finalidade social destas; qual é o papel dos diferentes profissionais dentro do contexto socioeconômico; quais são as técnicas e instrumentos empregados; qual a demanda do trabalho existente na comunidade, quanto a esses especialistas e, ao mesmo tempo distinguindo-a da demanda, qual a real necessidade da comunidade em relação a esses especialistas; quais são os lugares em que se realizam tais trabalhos, etc.

Rodolfo Bohoslavsky, psicólogo argentino e importante teórico da Orientação Profissional, publicou em 1971, o livro Orientação Vocacional – a estratégia clínica que, desde então, passou a exercer grande influência nos trabalhos desenvolvidos por brasileiros.

Segundo Bohoslavsky, a Orientação Profissional deve levar o Orientando a:

  • Tomar contato com as profissões mais relevantes na região em que se vive e saber por que elas são importantes naquela comunidade/sociedade;
  • Saber a diferença entre profissão, função e ocupação, de maneira a procurar se preparar profissionalmente, segundo a demanda do mercado de trabalho;
  • Conhecer todas as possibilidades de cursos profissionalizantes e superiores existentes na região, incluindo como é o curso, para que serve e como é a profissão a que ele se refere;
  • Entender que há um longo caminho a ser percorrido até tornar-se profissional;
  • Considerar a idéia de que vale a pena batalhar para ter uma profissão.

O terceiro é Jacob Levy Moreno, que propõe o adestramento da espontaneidade, onde o aprender a ser espontâneo pressupõe um organismo apto a manter um estado flexível, de um modo mais ou menos permanente, de forma que o sujeito possa usar esse recurso para ampliar as suas possibilidades ao desejar assumir novos papéis.

Jacob Levy Moreno (1889-1974), psiquiatra romeno, é o criador do Psicodrama, da Sociometria e da Psicoterapia de Grupo.

O Psicodrama é uma metodologia científica de investigação e intervenção nas relações interpessoais ou grupais que se utiliza de recursos cênicos e dramáticos.

O Psicodrama considera o exercício da espontaneidade e da criatividade, a aprendizagem de papéis e o desenvolvimento das redes relacionais como elementos facilitadores e transformadores do desenvolvimento social e pessoal do ser humano.

Moreno acredita no homem como sujeito de sua própria vida, como ser capaz de realizar o seu projeto de vida, de determinar sua história pessoal dentro de uma história social.

Segundo Moreno, a Orientação Profissional deve levar o Orientando a:

  • Expressar-se livremente, contando com o respeito e acolhimento do grupo;
  • Deixar aflorar a espontaneidade, mostrando-se mais instruído, mais preparado para fazer escolhas;
  • Experimentar vários papéis profissionais, desde aqueles que já existiam dentro dos limites de sua rede social até os novos, que surgiram das informações recebidas durante os encontros;
  • Relacionar características pessoais com fatores inerentes a cada profissão apresentada, podendo ampliar suas possibilidades de escolha profissional;
  • Dar assa a imaginação para construir sonhos com chances reais de realização.

Visão do Orientador

O Orientador despertará nos Orientandos o desejo de construir um Projeto de Vida, ajudando-os a proverem-se dos recursos individuais necessários para atingirem suas metas profissionais. Incentivará o uso da espontaneidade e a criatividade como recurso para a escolha da profissão e ferramentas para serem usadas até que se tornem, de fato, profissionais.

Missão do Orientador

O Orientador deverá, dentro de um determinado prazo, ajudar o Orientando a se conhecer melhor e a conhecer melhor as necessidades reais do mercado de trabalho, para poder escolher uma profissão que compatibilize os seus desejos e aspirações de vida com os de realização profissional. Desta forma, será construído um Projeto de Vida mediante o entendimento do caminho que leva alguém a se tornar uma pessoa autônoma, um bom cidadão epessoa autônoma, um bom cidadão e um profissional de sucesso.