ANOREXIA NERVOSA
O que é Anorexia Nervosa?
Trata-se de uma doença psicológica (F 50.0 – CID 10) que acomete
principalmente mulheres de 14 a 35 anos, caracterizada por uma
distorção da imagem corpórea, um medo extremo da obesidade, a recusa
em manter um peso corpóreo mínimo normal, bem como por padrões
disfuncionais na interação familiar. A sua intensidade não diminui
com a perda de peso e não há importância com a aparência estética e
com as condições gerais de saúde.
Pode também ser entendida como um comportamento suicida, que a
família se mostra incapaz de conter e, em determinados casos, até
colabora com a doença, acreditando e exigindo o baixo peso para que
o indivíduo encontre-se dentro dos padrões considerados ideais. Esse
distúrbio gera emagrecimento em variados graus, acompanhado de
seqüelas físicas e psicológicas marcantes.
A doença tem início com uma dieta persistente e restritiva de
alimentos considerados engordantes (carboidratos). Esse quadro
normalmente é desencadeado por algum evento significativo: perdas,
separações, mudanças, dor física, etc. O indivíduo passa a viver em
função da dieta, comida, peso, forma corporal. O hábito alimentar
vai-se tornando secreto, às vezes bizarro e ritualizado,
apresentando comportamentos com esconder ou jogar fora a comida e
fingir que já comeu. A isso se associam exercícios físicos extremos.
Quais são os sintomas da Anorexia Nervosa?
Medo intenso de comer demais e engordar, mesmo com peso inferior à
média esperada;
Preocupação anormal com comida e com sentir-se fora de controle.
Sensação intensa de culpa e uma ansiedade desproporcional por
eventualmente ter saído um pouco da dieta;
Perda de apetite;
Perda de peso exagerada gerando enfraquecimento;
Ausência de menstruação;
Depressão e ansiedade;
Baixa auto-estima, imagem corporal inadequada e negativa. A
distorção da imagem corporal é tão grande que a pessoa reclama que
se sente gorda mesmo quando obviamente tem peso inferior;
Comportamento autodestrutivo, autopunição por algum erro
imaginário;
Relacionamento familiar problemático;
Maior incidência de doenças em conseqüência do baixo peso, do
ganho/perda de peso freqüente e/ou da má nutrição.
Quais as pessoas predispostas à Anorexia Nervosa?
A pessoa tem como característica ser um ótimo filho, obediente,
possuidor de uma inteligência dentro da média e com bom desempenho
escolar. Como padrão cognitivo, possui um pensamento dicotômico, um
estilo de raciocínio de “tudo ou nada” que ultrapassa os limites das
questões alimentares e de peso.
• Na maioria dos casos são do sexo feminino e/ou estão na
pré-adolescência, adolescência ou início da idade adulta;
• Tendem a dar importância excessiva à imagem corporal e à
perfeição;
• Podem sentir necessidade de serem perfeitos para ganhar a atenção
dos pais;
• Tendência à depressão.
Como tratar a Anorexia Nervosa?
A família sempre deve insistir no tratamento mesmo que o doente
queira parar. O atendimento especializado é a única saída para
controlar o problema antes que o corpo exija atendimento médico por
causa de uma emergência.
Sem tratamentos, a anorexia nervosa causa:
Desgaste emocionalmente.
Debilita os órgãos.
Provoca distúrbios associados à desnutrição, como a interrupção do
crescimento.
Lesa o aparelho digestivo quando há vômitos constantes.
Provoca arritmias cardíacas.
A falta de menstruação prolongada pode levar à esterilidade.
5% dos casos evoluem para a morte.
O tratamento eficaz deve ser estruturado por uma equipe
multidisciplinar, incluindo aspectos psicoterapêuticos, nutricionais
e médicos:
Reidratar o organismo, recomeçando a alimentação à base de soros e
líquidos (o estômago reduzido por não comer a tempos não suporta
alimentos sólidos).
Introduzir gradualmente alimentos pastosos até chegar aos sólidos.
Utilização de antidepressivos e ansiolíticos.
A pessoa também vai precisar reaprender a conviver com os outros
durante as refeições, entrar em supermercados, fazer compras, ir a
festas, participar dos almoços com a família, enfim, voltar a lidar
com o lado social da comida.
A psicoterapia é muito importante para a eficácia do tratamento.
Através dela a pessoa vai alterar os hábitos adquiridos e voltar a
comer.
É recomendado também que a família do paciente participe de
sessões de terapia familiar para auxiliar a paciente em seu
ambiente.
Fonte:
BUSSE, Salvador de Rosis. Anorexia, Bulimia e Obesidade. São Paulo:
Ed. Manole, 2003.
CORDAS, T.A., COBELO, A., et al. Anorexia e Bulimia. São Paulo: Ed. Artmed, 1998.
HERSCOVICI, C.R. et al. Anorexia Nervosa e Bulimia: Ameaças à
Autonomia. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
HORMES, Paul e KARP, Márcia – organizadores. Psicodrama: Inspiração
e Técnica. São Paulo: Ed. Àgora, 1992 .
MORENO, J.L. Psicodrama. São Paulo: Ed. Cultrix, 1975.
Saskia Vasconcelos Copyright 2006 - 2010 - Criar sites by wbh
Contato
(31) 3337-7050
(31) 9955-7171