FOBIA E ANSIEDADE
O que é Fobia?
Fobia origina-se do grego phobia, que significa medo
intenso, ou irracional, aversão, hostilidade. É o temor ou
aversão exagerada ante situações, objetos, animais ou
lugares.
O medo é um sentimento universal, inerente ao ser humano.
Pode ser definido como um sentimento vivenciado diante do
perigo ou como uma sensação de que algo ruim pode acontecer
seguido de sintomas físicos que incomodam bastante.
Quando esse medo é desproporcional, excessivo e irracional
em relação à ameaça, apresentando fortes sinais de perigo e
acompanhado de comportamento de evitação quanto às situações
causadoras do medo, é chamado de fobia. A fobia na verdade é
uma crise de pânico desencadeada em situações específicas.
A fobia (ou transtorno fóbico-ansioso – F 40 – CID 10) é um
dos transtornos de ansiedade mais apresentados pelo ser
humano e um dos distúrbios psicológicos mais estudados. A
fobia faz parte das doenças de ansiedade com a
característica especial de só se manifestar em situações
particulares.
O que é Ansiedade?
Ansiedade é um termo geral para descrever a preocupação ou
antecipação de eventos futuros envolvendo perigo real ou
imaginário. A ansiedade é acompanhada por sensações
desagradáveis ou sintomas físicos de tensão, como vazio (ou
frio) no estômago (ou na espinha), opressão no peito,
palpitações, transpiração, dor de cabeça, falta de ar,
dentre várias outras.
A ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos
iminentes e capacita o indivíduo a tomar medidas para
enfrentar as ameaças. O medo é a resposta a uma ameaça
conhecida, definida; ansiedade é uma resposta a uma ameaça
desconhecida, vaga.
A ansiedade prepara o indivíduo para lidar com situações
potencialmente danosas, como punições ou privações, ou
qualquer ameaça a integridade pessoal, tanto física como
emocional. Desta forma, a ansiedade prepara o organismo para
tomar as medidas necessárias para impedir a concretização
desses possíveis prejuízos, ou pelo menos diminuir suas
conseqüências.
Portanto, a ansiedade é uma reação natural e necessária para
a auto preservação. Não é um estado normal, mas é uma reação
normal, assim como a febre não é um estado normal, mas uma
reação normal a uma infecção. As reações de ansiedade
normais não precisam ser tratadas por serem naturais e auto
limitadas.
A ansiedade patológica, por outro lado caracteriza-se pela
excessiva intensidade e prolongada duração proporcionalmente
à situação precipitante. Ao invés de contribuir com o
enfrentamento do objeto de origem da ansiedade, atrapalha,
dificulta ou impossibilita a adaptação e requerem tratamento
específico.
Os Transtornos da Ansiedade são um grupo de doenças
psicológicas que compartilham os sintomas da ansiedade como
sendo uma característica fundamental.
Segundo o CID 10 (Classificação Internacional de Doenças),
os Transtornos da Ansiedade incluem:
1. Agorafobia – F 40.0
2. Fobia Social – F 40.1
3. Fobia Simples ou Específica – F 40.2
4. Transtorno de Ansiedade Generalizada – F 41
5. Transtorno do Pânico, Síndrome do Pânico ou Ansiedade
Paroxística Episódica – F 41.0
6. Transtorno Obsessivo-Compulsivo – F 42
7. Transtorno do Estresse Agudo – F 43.0
8. Transtorno do Estresse Pós-Traumático – F 43.1
Quais são os tipos básicos de Fobias?
Os três tipos básicos de fobias são:
1. Agorafobia (F 40.0) - Medo generalizado de estar
em lugares públicos concorridos, lugares ou situações aonde
possa ser difícil ou embaraçoso escapar ou então aonde o
auxílio pode não estar disponível. Isso inclui estar fora de
casa desacompanhado, no meio de multidões ou preso numa
fila, ou ainda viajar desacompanhado.
2. Fobia Social (F 40.1) - Medo perante situações em
que a pessoa possa estar exposta a observação dos outros,
ser vítima de comentários ou "passar vergonha" na frente de
outros, muitas vezes por temor de que as outras pessoas
percebam seus sinais de ansiedade. Ela pode ser específica
para uma situação (por exemplo, assinar cheques ou escrever
na frente dos outros) ou generalizada (por exemplo,
participar de pequenos grupos, iniciar ou manter
conversação, ter encontros românticos, falar com figuras de
autoridade, etc.). Pessoas que foram tímidas ou solitárias
na infância, ou que têm uma história de experiências sociais
infelizes ou negativas na infância, parecem ter propensão de
desenvolver esta desordem.
3. Fobia Simples ou Específica (F 40.2) - Medo
acentuado e persistente diante objetos ou situações
concretas. É a forma mais comum de fobia.
O DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças
Mentais IV) divide as fobias simples em 5 tipos:
• Animais (aranhas, cobras, baratas, cachorro, etc.)
• Aspectos do ambiente natural (trovoadas, terremotos,
chuva, escuridão, etc.)
• Sangue, injeções ou feridas
• Situações (alturas, andar de avião, andar de elevador,
dirigir ou permanecer em locais fechados como túneis ou
congestionamentos etc.)
• Outros tipos (medo de vomitar, contrair uma doença, etc.)
Quais são os sintomas da Fobia?
Os sintomas da fobia incluem:
Sentimentos excessivos, irracionais e persistentes de medo
ou ansiedade que são ativados por um objeto, uma atividade
ou uma situação em particular - Os sentimentos ou são
irracionais ou fora de proporção para qualquer ameaça atual.
Por exemplo, qualquer um pode ter medo de ser atacado por um
cachorro bravo e solto, mas não é razoável correr de um
animal calmo, quieto em uma coleira.
Sintomas físicos relacionados à ansiedade - Quem sofre de
fobia, ao se deparar (ou às vezes simplesmente imaginar...)
com as situações que desencadeiam suas crises, sentem um
enorme medo, em geral acompanhados de pelo menos quatro dos
seguintes sintomas:
• falta de ar,
• palpitações ou taquicardia,
• dor ou desconforto no peito,
• sensação de sufocamento ou afogamento,
• tontura ou vertigem,
• sensação de falta de realidade,
• formigamento,
• ondas de calor ou de frio,
• sudorese,
• náusea ou mal estar abdominal
• sensação de desmaio, tremores ou sacudidelas,
• medo de morrer ou de enlouquecer ou de perder o controle.
Estes sintomas refletem uma resposta ao perigo do tipo “luta
ou fuga”.
Evitação do objeto, atividade ou situação que ativam a
fobia - Como as pessoas que têm fobia reconhecem que seus
medos são irracionais, elas freqüentemente se sentem
envergonhadas ou embaraçadas sobre seus sintomas. Para
prevenir os sintomas de ansiedade ou de embaraço, elas
evitam os fatores desencadeantes da fobia.
Quais são as causas da Fobia?
Os seres humanos nascem preparados biologicamente para
adquirir medo de certos animais e situações, como cobra,
rato, altura, tempestade, etc. A provável explicação é que
esses temores foram importantes para a sobrevivência da
espécie humana há milênios, e ao que parece trazemos essa
informação muitas vezes adormecida, mas que pode ser
despertada a qualquer momento.
Outra razão para o desenvolvimento das fobias pode ser o
fato de que associamos perigo a coisas ou situações que não
podemos prever ou controlar, como um raio numa tempestade ou
o ataque de um animal. Nesse sentido, pacientes com Síndrome
do Pânico acabam desenvolvendo fobia as suas próprias
crises, e em conseqüência evitando lugares ou situações que
possam se sentir embaraçados ou que não possam contar com
ajuda imediata.
E por fim, há clara influência social. Por exemplo, um tipo
de fobia chamada taijin kyofusho é comum apenas no Japão. Ao
contrário da fobia social (em que o paciente sente medo de
ser ele mesmo humilhado ou desconsiderado em situação
social) tão comum no ocidente, o taijin kyofusho é o medo de
ofender as outras pessoas por excesso de modéstia e
consideração. O paciente tem medo que seu comportamento
social ou um defeito físico imaginário possa ofender ou
constranger as outras pessoas.
No início da infância é comum o aparecimento de algumas
fobias. É muito raro encontrar uma criança que não passou
por uma fobia ou por um período de fobia na infância, como
por exemplo, fobia de escuro, de raio, trovão, tempestade. À
medida que a criança cresce, deixam de ser significativas,
se resolvem espontaneamente.
A maioria das fobias começa depois de adulto, especialmente
em pessoas acima dos vinte anos de idade. As fobias no
adulto tendem a durar muitos anos, e são menos prováveis de
curarem sozinhas. Sem tratamento específico, a fobia pode
aumentar o risco de outros tipos de doença psicológica na
vida adulta, especialmente outras desordens de ansiedade,
depressão e uso de drogas.
Seis em cada dez pessoas com fobias conseguem se lembrar
quando a crise de medo aconteceu pela primeira vez, quando
as sensações de pânico ficaram ligadas ao local ou situação
em que a crise ocorreu. Para essas pessoas, há uma ligação
muito clara entre o objeto e a sensação de medo.
Por exemplo, uma pessoa tem uma crise de pânico ao dirigir,
e a partir desse dia passa a evitar dirigir desacompanhada,
com temor de passar mal e não ter ninguém por perto para
auxiliá-la. Esse temor pode se expandir para um local aonde
a saída seja difícil em caso de "passar mal", como cinemas e
teatros. Assim, surgiu uma agorafobia, um medo generalizado
de "passar mal" e não ter como escapar ou receber auxílio.
Uma outra pessoa, por exemplo, pode ter tido uma experiência
traumática de um acidente de carro, e a partir desse dia não
querer mais andar de carro, desenvolvendo uma fobia
específica a carros.
Observe que o medo de andar de carro é igual, na origem, mas
as fobias desenvolvidas são fundamentalmente diferentes. No
primeiro caso, o que se evita é ficar numa situação em que o
socorro possa ser complicado, e no segundo caso, o que se
evita é o carro em si mesmo.
Pessoas com fobias podem precisar alterar suas vidas
drasticamente. Em casos extremos, a fobia pode ditar a
profissão da pessoa, seu local de trabalho, seu roteiro ao
dirigir, suas atividades recreativas e sociais, ou o
ambiente de sua casa.
Como uma Fobia de desenvolve?
As fobias são um "pânico com objeto", ou seja, são crises de
pânico que somente acontecem em situações ou lugares
específicos.
Para entender como uma crise de pânico é formada, podemos
comparar nossa cabeça com um carro que possui um alarme
contra ladrões, desses que basta encostar na carroceria para
ele disparar. Esse sistema de alarme é o cérebro antigo, em
especial o sistema límbico, com suas reações de “luta ou
fuga”. Esse alarme tem que tocar em situações de perigo
real.
No entanto, para certas pessoas, esse sinal de perigo é
desencadeado sem nenhuma razão aparente, como às vezes
acontece em estacionamentos, quando um alarme de carro
dispara sem que nada tenha acontecido. Essa situação é
conhecida como Crise de Pânico. Para outras pessoas, esse
alarme é disparado em situações indevidas, como por exemplo,
em elevadores, lugares fechados, ou no trânsito. Essa
situação é conhecida como Fobia.
A Síndrome do Pânico é uma mistura dessas duas
situações. Numa primeira fase, quem tem a Síndrome do
Pânico, tem ataques sem motivo algum. E numa segunda fase,
passa a ter os mesmos sintomas nas situações ou lugares em
que já teve os ataques. Assim, se a pessoa tem um ataque
dentro de um carro, passa a evitar dirigir sozinha, ou não
dirige mais. Se foi num lugar fechado, passa a não entrar em
bancos, shopping, cinemas, teatros. Ou se entra, procura
ficar bem próximo da saída... E para muitos, o simples fato
de pensar, lembrar ou ver uma imagem da situação já é o
bastante para desencadear a crise.
O que diferencia em grande parte alguém que tenha fobia de
uma pessoa que tenha simples medo, é que pessoas com fobia
passam a evitar a qualquer custo às situações que
desencadeiam as crises, alterando sua rotina de vida.
Pacientes fóbicos têm suas vidas complicadas por dois
fatores:
O primeiro é que em geral não confiam na sua capacidade de
enfrentar os sintomas, temendo qualquer lugar aonde não
possa contar com ajuda. Como conseqüência desenvolvem um
isolamento progressivo, um empobrecimento de vida que impede
a maioria das ações do dia-a-dia.
E o segundo é que costumam super valorizar os sintomas,
achando literalmente que vão morrer, que vão ter um ataque
do coração, um derrame, ou que possuem alguma doença grave e
misteriosa. Tendo como conseqüência a eterna busca por
cuidados médicos ao mesmo tempo em que pequenos sinais do
corpo já são interpretados como indícios de que a crise está
vindo, de que a morte pode chegar a qualquer momento.
Quem sofre de fobia tem suas crises de pânico desencadeadas
por alguma situação específica (as fobias) no cérebro
antigo. Quando começa a sentir as sensações de “luta ou
fuga” (o alarme de emergência), imediatamente é inundado por
imagens de catástrofe. Essa interpretação dos sintomas como
sendo uma catástrofe é recebida pelo cérebro antigo
novamente, aumentando os sintomas a níveis estratosféricos.
Ao mesmo tempo, sua respiração fica bastante alterada, o que
muda a química do sangue de maneira significativa. Essa
mudança na química do sangue, por si só, aumenta ou
desencadeia novas crises. Aí então, os sintomas são muito
assustadores. Como os sintomas são muito desagradáveis, isso
acaba por confirmar na cabeça da pessoa que realmente os
sintomas iniciais indicavam um grande problema.
Em outras palavras, os sintomas asseguram na imaginação da
pessoa que ela realmente corria perigo. Essa situação é
percebida pelo cérebro antigo, que tenta ajudar da única
maneira que consegue: desencadeando novas reações de ‘luta
ou fuga’, novas crises de pânico. E assim o ciclo vicioso se
fechou...
Como tratar a Fobia?
Caso os seus medos ou ansiedades estejam perturbando sua paz
interior, interferindo com suas relações pessoais, ou lhe
impedindo de viver normalmente em casa, na escola ou no
trabalho, você deve procurar um psicólogo e um psiquiatra o
mais cedo possível.
O tratamento normalmente inclui a combinação de psicoterapia
e medicamentos:
• Fobia Específica – A Psicoterapia cognitiva
comportamental pode ajudar, especialmente a chamada
Psicoterapia de dessensibilização ou Psicoterapia de
exposição. Esta técnica envolve aumentar a exposição gradual
da pessoa às coisas que provocam medo, sob circunstâncias
controladas. Como a pessoa é exposta ao objeto, ela é
ensinada a dominar seu medo por relaxamento, controle da
respiração ou outras estratégias para reduzir a ansiedade.
Para o tratamento a curto prazo das fobias, o psiquiatra
pode prescrever um ansiolítico. Se a fobia só é confrontada
ocasionalmente, como o medo de voar, o tratamento pode ser
limitado ao uso de medicamentos.
• Fobia Social - Se a fobia social concentra-se em um
desempenho em particular (por exemplo, falar em público ou
tocar em um concerto), o médico pode prescrever um
medicamento para ser tomado antes do evento estressante. Ele
ameniza os efeitos físicos da ansiedade (batimento do
coração ou tremor dos dedos), mas normalmente não afeta a
eficácia mental necessária para falar ou a destreza física
necessária para tocar um instrumento. Para formas de fobia
social mais generalizadas ou a longo prazo, torna-se
necessário a Psicoterapia.
• Agorafobia - O tratamento para esta desordem é
semelhante ao tratamento para a Síndrome do Pânico. É
necessária a Psicoterapia associada ao tratamento
medicamentoso. É importante ressaltar, que o tratamento
medicamentoso isolado não adianta, porque se deve ajudar a
pessoa a desenvolver a capacidade de desassociar seus medos
do objeto ou situação desencadeadora da fobia.
Como a Psicoterapia Psicodramática trata a Fobia?
O tratamento das fobias está baseado na quebra da associação
entre as sensações de desprazer e as situações ou objetos
que desencadeiam as crises.
Assim, se um elevador gera um reflexo de medo, é possível
quebrar esse aprendizado desfazendo o ciclo vicioso. Isso é
obtido através da dessensibilização sistemática. O paciente
é primeiramente treinado em técnicas de relaxamento
profundo. Em seguida, o psicoterapêuta o estimula a
aproximar-se, de maneira gradual e sistemática, do objeto ou
situação que lhe provoca medo, culminando numa
dessensibilização.
Ou seja, associa-se uma sensação de prazer e relaxamento a
situações imaginárias ou reais de medo e evitação. Como o
relaxamento é incompatível com o medo, a fobia tende a
desaparecer em pouco tempo.
Na Psicoterapia Psicodramática, primeiramente são realizadas
várias sessões de relaxamento profundo.
Após o treinamento em relaxamento, utiliza-se o Psicodrama
Interno para a dessensibilização.
Como exemplo, vou usar uma fobia de elevador. Assim que o
paciente é colocado em relaxamento profundo, é convidado a
imaginar que está na rua, em frente a um prédio com
elevador. A qualquer momento o paciente pode indicar com a
mão se está muito ansioso, o que pode interromper o
processo, ou levar o psicoterapêuta a aprofundar o
relaxamento. Se o paciente tolerar bem a idéia, segue-se em
frente, convidando o paciente a imaginar que está entrando
no prédio e agora parando em frente ao elevador. Tolerado
esse passo, sugere-se que o paciente imagine estar entrando
no elevador, mas a porta não se fecha. E assim por diante,
até que o paciente tolere imaginar que está num elevador
cheio de gente, num andar alto, e que o mesmo pare
momentaneamente.
Fonte:
BAUER, Sofia. Da Ansiedade a Depressão – da Psicofarmacologia a Psicoterapia Eriksoniana. Campinas:
Editora Livro Pleno, 2004
FONSECA, José. Psicoterapia da Relação: Elementos de Psicodrama Contemporâneo. São Paulo: Editora Àgora, 2000
HOLLANDER, Eric e SIMEON, Dalphane. Transtorno de Ansiedade.
São Paulo: Editora Artmed, 2004
ROSS, Jerilyn. Vencendo o Medo – um livro para pessoas com
distúrbios de ansiedade, pânico e fobias. São Paulo: Editora Àgora, 1995
SHEEHAN, Elaine. Ansiedade, Fobias, Síndrome do Pânico –
esclarecendo suas dúvidas. São Paulo: Editora Àgora, 2000
Contato
(31) 3337-7050
(31) 9955-7171