METÁFORA

 

 

As histórias colocam a vida interior em movimento e são particularmente importantes onde a vida interior está amedrontada, emperrada ou encurralada.

 

Clarissa Pinkola Estés, analista junguiana e contadora de histórias

 

 

 

O que é uma Metáfora?

 

A palavra metáfora vem do grego, metaphorá que significa "meta" (além) mais "phorein" (transportar de um lugar para outro). Tem a conotação de transportar o sentido literal de uma palavra ou frase, dando-lhe um sentido figurado.

É uma figura de linguagem que consiste na alteração do sentido de uma palavra ou expressão, pelo acréscimo de um segundo significado, quando entre o sentido de base e o acrescentado há uma relação de semelhança, de interseção, isto é, quando apresentam traços semânticos comuns.

A metáfora faz parte da comunicação coloquial das pessoas: "doce como mel", "liso como quiabo", "duro como aço", etc.

A metáfora está presente nas fábulas, parábolas e estórias infantis que mais nos marcaram.

As mensagens da Bíblia e dos textos sagrados estão repletos de metáforas.

A metáfora faz parte das músicas e dos poemas que mais nos emocionaram.

O que faz uma piada ser engraçada é a metáfora nela embutida.

A propaganda e o marketing fazem uso frequente das metáforas. O nome das empresas e dos produtos, seus símbolos e logotipos, seus anúncios e comerciais estão repletos de mensagens metafóricas.

 

Na verdade, o que fica gravado como aprendizado em nossa mente, não é o sentido literal da estória, mas o sentido figurado e metafórico captado pelo nosso inconsciente.

 

 

Para que serve a Metáfora?

 

A metáfora induz a um processo natural de mudança. Ao contrário de uma ordem ou sugestão direta de mudança, a metáfora permite à pessoa conscientemente travada e sem saída, perceber, inconscientemente, alternativas que não visualizava anteriormente.

A metáfora se comunica com os dois lados de nosso cérebro.

Ela é compreendida literalmente pelo lado esquerdo, associado à mente consciente, lógica e racional, onde se encontram as estruturas corticais responsáveis pelo processamento da linguagem. Ao mesmo tempo, é compreendida no seu sentido figurado pelo lado direito, associado à mente inconsciente, intuitiva, criativa, emocional e sábia. A metáfora usa uma linguagem simbólica que é característica da linguagem primária do inconsciente.

 

 

Porque as Metáforas são úteis na Psicoterapia?

 

O uso da metáfora na Psicoterapia tem sido cada vez mais frequente.

 

Freud fazia uso das metáforas nas interpretações dos sonhos, na livre associação de idéias, na metáfora do complexo de Édipo.

 

Jung aprofundou o uso das metáforas ao expandir a interpretação dos sonhos e fantasias de seus pacientes, através dos mitos, símbolos e arquétipos.

Milton H. Erickson teve a sensibilidade de compreender o valor e os benefícios do uso das metáforas junto com a hipnose. Nos seus últimos anos como terapeuta, ajudava seus clientes, apenas contando estórias e metáforas criadas a partir da história pessoal de cada um. Personalizava cada metáfora, moldando-a sob medida para as necessidades específicas daquele cliente. Conseguia, assim, quebrar a resistência e eliciar as respostas dos próprios clientes para os seus problemas, num processo de autoajuda e de autocura.

As metáforas são utilizadas em psicoterapia porque são consideradas capazes de gerar mudanças nas maneiras de pensar e de agir, graças à seu modo particular de oferecer mensagens evolutivas.

 

Apresentando situações semelhantes às da vida, sugerem formas diversas para se lidar com elas, ampliando assim os horizontes da percepção e propondo novas possibilidades.

 

Falam com o inconsciente e usam uma linguagem universal; apresentam um mundo de possibilidades; podem remover e escavar até despertar recursos adormecidos; deixam o sujeito livre, respeitando seu próprio tempo e modo.

 

 

 

Porque utilizar Metáforas com crianças e adolescentes em Psicoterapia?

O trabalho com crianças e adolescentes em Psicoterapia difere bastante da forma do trabalho feito no atendimento dos adultos.

 

As crianças e os adolescentes, em sua maioria, não têm muita disponibilidade para falar de seus problemas, das coisas que querem melhorar, de seus medos e dificuldades.

 

Em compensação, crianças e adolescentes são, normalmente, ótimos sujeitos para serem trabalhados com metáforas, porque estão sempre aprendendo, mudando e crescendo. As brincadeiras, os jogos, os desenhos e várias outras atividades infantis e de adolescentes funcionam como metáforas que facilitam o processo de mudança e aprendizagem.

 

 

Metáforas, contos, mitos, parábolas e fábulas como objeto mediador em Psicoterapia

 

Os contos da tradição oral tanto quanto as metáforas, fábulas e parábolas, têm sido mais e mais utilizados em psicoterapia como recursos no processo de transformação e crescimento. 

Um exemplo, sempre presente quando se fala de contos da tradição oral, são as inesquecíveis histórias do sábio sufi, Mullá Nasrudin.

Nasrudin é um personagem presente em várias culturas, que atravessou gerações. Ninguém sabe ao certo quem foi ele, onde viveu e nem quando - se é que realmente existiu. O mistério que o envolve é, na verdade, a forma mais apropriada de apresentar esse personagem que só pode ser descrito ressaltando apenas o que é realmente importante, ou seja, sua mensagem.

Uma mensagem que nos ensina a rir de nós mesmos, como uma das formas de nos conhecermos. Uma mensagem que nos faz perceber o paradoxo de nossa situação humana e que nos fala de uma outra possibilidade de consciência para o ser humano.

Por traz de sua aparente ingenuidade, usando o humor como ferramenta, este mestre sufi nos desvela nossa forma de pensar condicionada. Os contos, precisamente por seu humor, esgueiram-se por entre os padrões mentais impostos à humanidade pelo hábito e conduzem a consciência um pouco mais adiante no caminho de uma verdadeira compreensão e autoconhecimento.

 

 

Quando nos aproximamos da mitologia, adentramos o ambiente da linguagem simbólica. Nesse terreno mágico, não é o acontecimento concreto que importa, mas o seu significado. Tudo é encantdo, tudo é relativo, tudo é possível – ou ao menos não está sujeito às regras convencionais. Tempo e espaço podem se misturar, esticar, encolher e até mesmo desaparecer por completo. O mito tem o tempo de agora, do momento em que é recontado, e em seu reino tudo é alegoria, metáfora, poesia.

 

 

Leonardo Möller, diretor e editor da Casa dos Espíritos Editora (ZARTHÚ, 2006, pág. 13)

 

 

 

Fonte:

 

BENNETT, William. O Livro das Virtudes – Volume 1 e Volume 2. São Paulo, Editora Nova Fronteira, 1995

CANFIELD, Jack e HANSEN, Mark Victor. Canja de Galinha para a Alma. Rio de Janeiro, Ediouro Publicação, 1995

CANFIELD, Jack;  HANSEN, Mark Victor e MCNAMARA, Heather. Histórias para Aquecer o Coração. São Paulo, Editora Sextante, 2001

CASTILHO, Alzira. Como Atirar Vacas no Precipício: Parábolas para ler, pensar, refletir, motivar e emocionar. São Paulo, Editora Panda, 2000

DANIELSK, Vanderlei. Fábulas Corretivas. São Paulo, AM Edições, 1991

FELDMAN, Christina e KORNFIELD, Jack. Histórias da Alma, Histórias do Coração. São Paulo, Editora Pioneira, 1994

PESESCHKIAN, Nossrat. O Mercador e o Papagaio – Histórias Orientais como Ferramentas em Psicoterapia. Campinas, Papirus Editora, 1992

ROSEN, Sidney. Minha Voz irá Contigo. Campinas, Editorial Psy, 1994

ZARTHÚ, Alex (espírito), psicografado por Robson Pinheiro. Superando os Desafios Íntimos. Contagem, Editora Casa dos Espíritos, 2006

Contos de Ensinamento do Mestre Sufi Nasrudin. Rio de Janeiro, Edições Dervish, 1993

 

Histórias da Tradição Sufi. Rio de Janeiro, Edições Dervish, 1993

 

Histórias de Nasrudin. Rio de Janeiro, Edições Dervish, 1993

 

Coleção de Contos de Malba Tahan

 

 

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