Metáfora da Semana 2012

 

 

 

Metáforas  2012

 

Metáforas  2011

 

 

 

 

 

Metáforas   Ano 2010

 

 

 

Sexta-Feira - 31 de dezembro de 2010

 

 

 

Acreditar e Agir



Um viajante caminhava pelas margens de um grande lago de águas cristalinas e imaginava uma forma de chegar até o outro lado, onde era seu destino.

Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem de cabelos brancos quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. Era um barqueiro.

O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho.

O viajante olhou detidamente e percebeu o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, observou que eram mesmo duas palavras.

Num dos remos estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro, AGIR.

Não podendo conter a curiosidade, perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos.

O barqueiro pegou o remo, no qual estava escrito acreditar, e remou com toda força.

O barco, então, começou a dar voltas, sem sair do lugar em que estava.

Em seguida, pegou o remo em que estava escrito agir e remou com todo vigor.

Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.

Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, movimentou-os ao mesmo tempo e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago, chegando calmamente à outra margem.

Então, o barqueiro disse ao viajante:

Este barco pode ser chamado de AUTOCONFIANÇA. E a margem é a META que desejamos atingir.

Para que o barco da autoconfiança navegue seguro e alcance a meta pretendida, é preciso que utilizemos os dois remos, ao mesmo tempo, e com a mesma intensidade: acreditar e agir.

Não basta apenas acreditar, senão o barco ficará rodando em círculos. É preciso também agir, para movimentá-lo na direção que nos levará a alcançar a nossa meta.

Acreditar e agir. Impulsionar os remos com força e com vontade, superando as ondas e os vendavais e não esquecer que, por vezes, é preciso remar contra a maré.


Gandhi tinha uma meta: libertar seu povo do jugo inglês. Tinha também uma estratégia: a não-violência.

Sua autoconfiança foi tanta que atingiu a sua meta sem derramamento de sangue. Ele não só acreditou que era possível, mas também agiu com segurança.

Madre Teresa também tinha uma meta: socorrer os pobres abandonados de Calcutá. Acreditou e agiu, superando a meta inicial, socorrendo pobres do mundo inteiro.

Albert Schweitzer traçou sua meta e chegou lá. Deixou o conforto da cidade grande e se embrenhou na selva da África francesa para atender aos nativos, no mais completo anonimato.

Como estes, teríamos outros tantos exemplos de homens e mulheres que não só acreditaram, mas que tornaram realidade seus planos de felicidade e redenção particular.



E você? Está remando com firmeza para atingir a meta a que se propôs?

Se o barco da sua autoconfiança está parado no meio do caminho ou andando em círculos, é hora de tomar uma decisão e impulsioná-lo com força e com vontade.

Lembre que só você poderá acioná-lo utilizando-se dos dois remos: acreditar e agir.


Caso você ainda não tenha uma meta traçada ou deseje refazer a sua, considere alguns pontos:

• Verifique se os caminhos que irá percorrer não estarão invadindo a propriedade de terceiros;
• Se as águas que deseja navegar estão protegidas dos calhaus da inveja, do orgulho, do ódio;
• E, antes de movimentar o barco, verifique se os remos não estão corroídos pelo ácido do egoísmo.

Depois de tomar todas estas precauções, siga em frente e boa viagem!





 

 

 

 

Sexta-Feira - 24 de dezembro de 2010

 

 

 

A Xícara Transbordante



Certa vez, o mestre Nan-In recebeu uma visita que queria saber algo sobre o Zen. Mas, em vez de ouvir, o visitante só falava sobre suas próprias idéias.

Ouvindo-o, o mestre Nan-In resolveu servir um chá. Encheu a xícara do visitante até transbordar e continuou a derramar o chá.

Finalmente o visitante não se conteve e exclamou:

- Não vês que a xícara está cheia?

- Sim – respondeu Nan-In, parando de derramar. - És como esta xícara: estás cheio de tuas próprias idéias. Como queres que te ensine Zen, se não me trazes uma “xícara” vazia?


 

 

 

Sexta-Feira - 17 de dezembro de 2010

 

 

 

A Vista da Janela


Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles ficava sentado em sua cama por uma hora todas as tardes para conseguir drenar o líquido de seus pulmões. Sua cama ficava próxima da única janela existente no quarto. O outro homem era obrigado a ficar deitado de bruços em sua cama por todo o tempo.

Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas, seus empregos, seu envolvimento com o serviço militar, onde eles costumavam ir nas férias. E toda tarde quando o homem perto da janela podia sentar-se ele passava todo o tempo descrevendo ao seu companheiro todas as coisas que ele podia ver através da janela. O homem na outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era ampliado e animado pelas descrições do companheiro.

Ele dizia que da janela dava para ver um parque com um lago bem azul. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no meio das flores e estas possuíam todas as cores do arco-íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância compunham aquela paisagem quase mágica encravada no visual de edifícios da cidade.

Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, ele o fazia de modo primoroso e delicado, com detalhes e o outro homem fechava seus olhos e imaginava a cena pitoresca.

Em uma tarde muito quente, o homem da janela descreveu um desfile que via na rua. Embora seu companheiro de quarto não pudesse ouvir a marcha da banda, podia muito bem ver com os olhos da mente os detalhes descrito pelo homem da janela.

Dias e semanas passaram-se. Em uma manhã a enfermeira do dia chegou trazendo água para o banho dos dois homens, mas achou um deles morto. O homem que ficava perto da janela morrera pacificamente durante o seu sono à noite. Ela estava entristecida e chamou os atendentes do hospital para levarem o corpo embora.

Assim que julgou conveniente, o outro homem pediu à enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela. A enfermeira ficou feliz em poder fazer esse favor para o homem e depois de verificar que ele estava confortável deixou-o sozinho no quarto.

Vagarosamente, pacientemente, ele se apoiou em seu cotovelo para conseguir olhar pela primeira vez pela janela. Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Ele se esticou ao máximo, lutando contra a dor para poder olhar através da janela e quando conseguiu fazê-lo deparou-se com um muro todo branco. Ele então perguntou à enfermeira o que teria levado seu companheiro a descrever-lhe coisas tão belas, todos os dias se pela janela só dava para ver um muro branco?

A enfermeira respondeu que aquele homem era cego e não poderia ver nada mesmo que quisesse...

Talvez ele só estivesse pensando em distraí-lo e alegrá-lo um pouco mais com suas histórias.

Moral da história: há uma tremenda alegria em fazer outras pessoas felizes, independente de nossa situação atual. Dividir problemas e pesares é ter metade de uma aflição, mas felicidade quando compartilhada é ter o dobro de felicidade. Se você quer se sentir rico, apenas conte todas as coisas que você tem e que o dinheiro não pode comprar.

Hoje é um presente e é por isso que é chamado assim.

 

 

Sexta-Feira - 10 de dezembro de 2010

 

 

 

A Verdade, a Mentira, o Fogo e a Água


Há muito tempo, a Verdade, a Mentira, o Fogo e a Água estavam viajando e chegaram a um rebanho de gado. Discutiram o assunto e chegaram à conclusão de que seria melhor dividir o rebanho em quatro partes iguais para que cada um pudesse levar consigo uma quantidade igual de animais.
Mas a Mentira era gananciosa e arquitetou um plano para ficar com uma parte maior.
- Ouça o meu conselho - sussurrou ela, puxando a Água para um canto.
- O Fogo está planejando queimar toda a relva e as árvores das suas margens para conduzir seu gado pelas planícies e ficar com os animais para si. Se eu fosse você, acabaria com ele logo agora, e assim repartiríamos a parte dele entre nós.
A Água foi tola o suficiente para acatar o conselho da Mentira e lançou-se sobre o Fogo, apagando-o.
E a Mentira dirigiu-se em seguida para a Verdade, sussurrando-lhe:
- Veja só o que fez a Água! Acabou com o Fogo para ficar com o gado dele. Não deveríamos associar-nos a alguém assim. Deveríamos pegar todo o gado e partir para as montanhas.
A Verdade acreditou nas palavras da Mentira e concordou com seu plano. E, juntas, levaram o gado para as montanhas.
- Esperem por mim - disse a Água, correndo no seu encalço, mas é claro que não conseguiu correr morro acima. E foi deixada para trás, no vale.
Ao chegarem ao topo da montanha mais alta, a Mentira virou-se para a Verdade e pôs-se a rir.
- Consegui enganá-la, sua idiota! - disse ela, soltando uma risada estridente. - Agora você vai me dar todo o gado e será minha escrava, ou eu a destruirei.
- Ora essa! Você me enganou - admitiu a Verdade. - Mas eu jamais serei sua escrava.
E as duas brigaram; e enquanto se batiam, os trovões ecoavam pelas montanhas. As duas se agrediram como o quê, mas nenhuma conseguiu destruir a outra.
Acabaram decidindo chamar o Vento para decidir quem seria a vencedora da disputa. E o Vento subiu a montanha a todo velocidade, e escutou o que ambas tinham a dizer. E por fim falou:
- Não me cabe apontar a vencedora. A Verdade e a Mentira estão fadadas à disputa. Às vezes, a Verdade ganhará; outras vezes a Mentira prevalecerá; neste caso, a Verdade deverá se erguer e tornar a lutar. Até o fim do mundo, a Verdade deverá combater a Mentira e jamais buscar o descanso ou baixar a guarda; caso contrário, será aniquilada para sempre.
Assim é que a Verdade e a Mentira continuam lutando até hoje.

O Livro das Virtudes
William J. Bennett - Editora Nova Fronteira

 


 

 

 

 

Sexta-Feira - 3 de dezembro de 2010

 

 

 

A Vaquinha



Um mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita.

Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio constatou a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas. Então se aproximou do senhor aparentemente o pai daquela família e perguntou:

- Neste lugar não há sinais de pontos de comercio e de trabalho; como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?

E o senhor calmamente respondeu:

- Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos e a outra parte nós produzimos queijo, coalhada, etc. para o nosso consumo e assim vamos sobrevivendo.

O sábio agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou:

- Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a, jogue-a lá em baixo.

O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato da vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família, mas, como percebeu o silencio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem.

Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer. Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos e um belo dia ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar naquele mesmo lugar e contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los.

Assim fez, e quando se aproximava do local avistou um sítio muito bonito, com arvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver, "apertou" o passo e chegando lá, logo foi recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos e o caseiro respondeu:

- Continuam morando aqui.

Espantado ele entrou correndo na casa; e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha):

- Como o senhor melhorou este sítio e está muito bem de vida???

E o senhor entusiasmado, respondeu:

- Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante tivemos que fazer outras coisas e desenvolver habilidades, que nem sabíamos que tínhamos, assim alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora.


Ponto de reflexão:

Todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para sobrevivência e uma convivência com a rotina.
Descubra qual é a sua.
Aproveite para empurrar sua "vaquinha" morro abaixo.

 


 

 

 

 

Sexta-Feira - 26 de novembro de 2010

 

 

 

A PIPOCA


Rubem Alves
Do livro "O Amor que acende a lua"


A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser.
O milho da pipoca não é o que deve ser.
Ele dever ser aquilo que acontece depois do estouro.
O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.
Pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa.
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser o fogo de fora: perder um amor, um filho, o pai, a mãe, perder emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem o fogo, o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece.
BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada.
Seu destino é o lixo...
 

           

 

 

 

Sexta-Feira - 19 de novembro de 2010

 

 

 

A Pedra no Caminho




Conta-se a lenda de um rei que viveu num país além mar há muitos anos. Ele era muito sábio e não poupava esforços para ensinar bons hábitos a seu povo. Frequentemente fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo que fazia era para ensinar o povo a ser trabalhador e cauteloso.

- Nada de bom pode vir a uma nação - dizia ele - cujo povo reclama e espera que outros resolvam seus problemas. Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os problemas por conta própria.

Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois foi se esconder atrás de uma cerca, e esperou para ver o que acontecia.

Primeiro veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que ele levava para moagem na usina.

- Quem já viu tamanho descuido? - disse ele contrariadamente, enquanto desviava sua parelha e contornava a pedra. - Por que esses preguiçosos não mandam retirar essa pedra da estrada? - E continuou reclamando da inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.

Logo depois, um jovem soldado veio cantando pela estrada. A longa pluma do seu quepe ondulava na brisa e uma espada reluzente pendia à sua cintura. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra.

O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e se estatelou no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou a espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam largado uma pedra imensa na estrada. Então, ele também se afastou, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.

Assim correu o dia. Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém a tocava.

Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro por lá passou. Era muito trabalhadora, e estava cansada, pois desde cedo andava ocupada no moinho.

Mas disse a si mesma: "Já está quase escurecendo, alguém pode tropeçar nesta pedra à noite e se ferir gravemente. Vou tirá-la do caminho”.

E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.

Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: "Esta caixa pertence a quem retirar a pedra”.

Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.

A filha do moleiro foi para casa com o coração feliz. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local na estrada onde a pedra estava. Revolveram o pó da estrada com os pés, na esperança de encontrar um pedaço de ouro.

- Meus amigos - disse o rei - com frequência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto nos desviamos deles se assim preferirmos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.

Então, o sábio rei montou em seu cavalo e com um delicado boa noite retirou-se.


Todo obstáculo é sempre uma oportunidade de melhorarmos a nossa atual condição.
 

           

 

 

Sexta-Feira - 12 de novembro de 2010

 

 

 

A Palestra de Nasrudin



Por todo o país se havia espalhado a grande sabedoria de Mestre Nasrudin. As pessoas comentavam a verdade e a pertinência de suas palavras ouvidas nas numerosas palestras proferidas em cidades grandes ou pequenas, pois todos já haviam tido a honra de sua visita.

Havia, entretanto, uma aldeia nas montanhas onde os moradores só conheciam o famoso mestre pela fala de outros, pois ele nunca havia estado ali para brindá-los com seu saber. Isto não podia continuar, e logo os seus moradores resolveram sanar o constrangimento, convidando o venerável mestre para uma conferência.

No dia marcado, a pequena mesquita estava repleta, pois todos esperavam ansiosos por esta visita.

Mestre Nasrudin chegou, assumiu o seu lugar atento à grande expectativa que os olhares à sua volta denunciavam, fez uma reverência e saudou a todos:

- Boa noite!

- Boa noite!, foi a resposta da platéia em uníssono.

- Imagino que vocês sabem o que vou falar-lhes esta noite, não sabem?, perguntou o mestre, para espanto de uns e perplexidade de outros.

Aos poucos mais e mais vozes foram repetindo “não sabemos, não sabemos”, e quando todos silenciaram mestre Nasrudin sentenciou solene:

- Mas então, de nada adiantará eu falar com vocês esta noite.

E assim dizendo, foi pegando suas coisas e foi-se embora, deixando a todos mergulhados em grande perplexidade.

Logo que puderam se recompor de tamanha surpresa, decidiram que assim não poderia ser, e que fariam nova tentativa para ouvir Mestre Nasrudin. Mas, se este fizesse outra vez a mesma pergunta, ficou combinado que todos responderiam que sim, sabiam o que ele iria falar.

Assim foi feito, e no dia marcado, a audiência era ainda maior do que na primeira vez, dado o inusitado do acontecido e a expectativa que se espalhara em toda a região.

- Boa noite!, cumprimentou a audiência – Imagino que vocês saibam o que vim falar aqui hoje...

- Sim, sim, sabemos!, responderam todos.

- Que ótimo!, exclamou com evidente satisfação – Então vocês não necessitam minhas palavras!

E, diante dos olhares pasmos, deu as costas e saiu, sem que ninguém tivesse tempo de alguma reação.

Mas, ali mesmo, logo que conseguiram recuperar-se da surpresa, decidiram mais uma vez chamar Mestre Nasrudin, e, desta vez, acertaram que metade da platéia iria dizer que sim, sabia o que o mestre iria dizer, enquanto a outra metade diria, ao contrário, que não sabia.

Nova data marcada, e destra vez a curiosidade era tanta que não cabiam todos os interessados no recinto da palestra. Novamente Mestre Nasrudin ocupou a tribuna, saudou a todos e fez a já esperada e temida pergunta, a mesma das outras vezes:

- Vocês sabem o que vou falar-lhes aqui esta noite?

- Sim, sabemos, bradaram metade dos presentes.

- Não, não sabemos, dizia a outra metade.

Mestre Nasrudin sorriu, e respondeu-lhes:

- Que maravilha! Então a metade que sabe pode falar para a metade que não sabe, e vocês não necessitam de mim por aqui!

 

 

 

Sexta-Feira - 05 de novembro de 2010

 

 

 

A Outra ASA


Muito tempo atrás... depois do mundo ser criado e da vida completá-lo...

Houve num dia, numa tarde de céu azul e calor ameno, um encontro entre Deus e um de seus incontáveis anjos. Acredita?

Deus estava sentado, calado. Sob a sombra de um pé de jabuticaba. Lentamente, sem pecado, Deus erguia suas mãos e colhia uma ou outra fruta. Saboreava sua criação negra e adocicada. Fechava os olhos e pensava. Permitia-se um sorriso piedoso. Mantinha seu olhar complacente.

Foi então que das nuvens um de seus muitos arcanjos desceu e veio em sua direção.

Já ouviu a voz de um anjo?
É como o canto de mil baleias.
É como o pranto de todas as crianças do mundo.
É como o sussurro da brisa.

Ele tinha asas lindas, brancas, imaculadas.

Ajoelhou-se aos pés de Deus e falou:

"Senhor, visitei sua criação como pediu. Fui a todos os cantos. Estive no sul, no norte. No leste e oeste. Vi e fiz parte de todas as coisas. Observei cada uma de suas criações humanas. E por ter visto vim até o Senhor... para tentar entender. Por que? Por que cada uma das pessoas sobre a terra tem apenas uma asa? Nós anjos temos duas... podemos ir até o amor que o Senhor representa sempre que desejarmos. Podemos voar para a liberdade sempre que quisermos. Mas os humanos com sua única asa não podem voar. Não podem voar com apenas uma asa..."

Deus na brandura dos gestos, respondeu pacientemente ao seu anjo:

"Sim... eu sei disso. Sei que fiz os humanos com apenas uma asa..."

Intrigado, com a consciência absoluta de seu Senhor o anjo queria entender e perguntou:

"Mas por que o Senhor deu aos homens apenas uma asa quando são necessárias duas asas para se poder voar, para se poder ser livre?"
Conhecedor que era de todas as respostas, Deus não teve pressa para falar. Comeu outra jabuticaba, escura e suave. E então respondeu:
"Eles podem voar sim meu anjo. Dei aos humanos apenas uma asa para que eles pudessem voar mais e melhor que Eu ou vocês meus arcanjos... Para voar, meu amigo, você precisa de suas duas asas... Embora livre, sempre estará sozinho. Talvez da mesma maneira que Eu... Mas os humanos... os humanos com sua única asa precisarão sempre dar as mãos para alguém a fim de terem suas duas asas. Cada um deles tem na verdade um par de asas... uma outra asa em algum lugar do mundo que completa o par. Assim eles aprenderão a se respeitar, pois ao quebrar a única asa de outra pessoa podem estar acabando com as suas próprias chances de voar. Assim meu anjo, eles aprenderão a amar verdadeiramente outra pessoa... Aprenderão que somente se permitindo amar eles poderão voar. Tocando a mão de outra pessoa em um abraço correto e afetuoso eles poderão encontrar a asa que lhes falta e poderão finalmente voar. Somente através do amor irão chegar até onde estou... da mesma forma que você meu anjo. E eles nunca... nunca estarão sozinhos quando forem voar."
Deus silenciou em seu sorriso.
O anjo compreendeu o que não precisava ser dito.


 

 

 

 

Sexta-Feira - 29 de outubro de 2010

 

 

 

A Ostra e a Pérola

Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas. As pérolas são feridas curadas. Pérolas são produtos da dor, resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia.
Na parte interna da concha de uma ostra, é encontrada uma substância lustrosa chamada NÁCAR. Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado? Uma linda pérola é formada.
Uma ostra que não foi ferida de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.

Você já se sentiu ferido(a) pelas palavras ou atitudes rudes de alguém?
Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas, ou interpretadas mal?
Você já sofreu os duros golpes do preconceito?
Já recebeu o troco da indiferença?
Você já se sentiu humilhado e com medo?
Então, reaja e aprenda a produzir uma pérola!
Avalie a situação e cubra estas suas mágoas com varias camadas de persistência, confiança, aprendizado, equilíbrio, paciência e muito amor.
Infelizmente, isso não é tão fácil e são poucas as pessoas que se interessam e conseguem, com sucesso, realizar esse tipo de ação, pois muitas das vezes somos apenas passivos e não ativos às respostas que recebemos do mundo ao nosso redor.
A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, deixando estas feridas abertas, alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos, não permitindo que cicatrizem e, às vezes, até aumentando-as e com isso se tornando pessoas amargas e culpando todos ao seu redor por sua dor e infelicidade.

Assim, na prática, o que vemos são muitas “Ostras Vazias”, não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em algo produtivo para seu crescimento e desenvolvimento pessoal.
Produzir uma pérola é apenas uma questão de escolha e atitude!

 

 

 

 

Sexta-Feira - 22 de outubro de 2010

 

 

 

A Necessidade traz a Prosperidade



Um mestre ficou tão impressionado com o progresso espiritual de seu discípulo que, julgando que ele não mais precisava de orientação espiritual, deixou-o sozinho em uma pequena cabana às margens de um rio.

Todas as manhãs depois das abluções, o discípulo pendurava sua tanga para secar. Era a única que possuía.

Um dia, ficou consternado ao encontrá-la em farrapos, roída por ratos. Precisou mendigar aos aldeões para conseguir comprar outra.

Quando os ratos roeram essa também, o discípulo resolveu arrumar um gatinho. Não teve mais problemas com os ratos, mas agora tinha de mendigar para conseguir leite.

“Mendigar dá muito trabalho”, pensou, “e me transforma num fardo muito pesado para os aldeões. Terei uma vaca.”

Quando arranjou a vaca, teve de mendigar para conseguir forragem.

“É mais fácil lavrar a terra em volta da cabana”, pensou.

Mas isso também era fatigante, pois lhe sobrava pouco tempo para meditar. Assim, contratou lavradores para cultivar a terra para ele.

Agora, dirigir os lavradores dava trabalho, por isso casou-se para ter uma esposa que partilhasse essa tarefa com ele. É claro, não demorou muito e ele era um dos homens mais ricos da aldeia.

Anos mais tarde, seu mestre passou por lá e ficou surpresa ao ver uma luxuosa mansão onde antes havia uma choupana. Perguntou a um dos criados:

- Não é aqui que morava um de meus discípulos?

Antes de obter resposta, surgiu o discípulo em pessoa.

- O que significa tudo isto, meu filho!? – perguntou o mestre.

- Não vai acreditar, mestre – respondeu o discípulo -, mas não houve outro jeito de conservar minha tanga!
 

 

 

Sexta-Feira - 15 de outubro de 2010

 

 

A Morte Espera em Samarra



Um mercador de Bagdá mandou seu servo ao mercado levar um recado. Algum tempo depois, o sujeito voltou branco de medo e tremendo da cabeça aos pés.

- Amo – disse ele -, enquanto eu estava no mercado, esbarrei num estranho. Quando o encarei, percebi que era a Morte. Ela me fez um gesto ameaçador e se afastou. Agora estou com medo. Por favor, dê-me um cavalo, a fim de que eu parta imediatamente para Samarra e ponha a maior distância possível entre mim e a Morte.

Solidário ao servo, o mercador ofereceu-lhe seu corcel mais rápido. Num abrir e fechar de olhos, o servo montou e partiu.

No mesmo dia, à tarde, o mercador foi ao bazar e encontrou a Morte falando no meio das pessoas. Chegou até ela e disse:

- Você fez um gesto ameaçador ao meu pobre servo esta manhã. O que queria dizer?

- Não foi um gesto ameaçador, senhor – disse a Morte. - Foi um gesto de surpresa por vê-lo aqui em Bagdá.

- E por que não deveria estar ele em Bagdá? É aqui que ele mora.

- Bem, é que me foi dado a entender que ele se juntaria a mim, esta noite, em Samarra, sabe?



A maioria das pessoas têm tanto medo de morrer que, devido aos esforços que fazem para evitar a morte, nunca vivem de verdade.

 

 

 

Sexta-Feira - 08 de outubro de 2010

 

 

A Macieira Encantada


Era uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de uma grande montanha.

Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma Macieira Mágica, que produzia maçãs de ouro. Para colher as maçãs era preciso chegar até lá, enfrentando todas as situações que aparecessem no caminho. Nunca ninguém havia conseguido essa façanha, conforme dizia a lenda.

O Rei do lugar resolveu oferecer um grande prêmio àquele que se dispusesse a fazer essa viagem e que conseguisse trazer as maçãs, pois assim o reino estaria a salvo da pobreza e das dificuldades que o povo enfrentava. O prêmio seria da escolha do vencedor e incluía a mão da princesa em casamento.

Apareceram três valorosos e corajosos cavaleiros dispostos a essa aventura tão difícil.

Eles deveriam seguir separados e, por coincidência, havia três caminhos:

1º - Rápido e fácil, onde não havia nenhum obstáculo e nenhuma dificuldade;

2º - Rápido e não tão fácil quanto o primeiro, pois havia algumas situações a serem enfrentadas;

3º - Longo e difícil, cheio de situações trabalhosas.

Foi efetuado um sorteio para ver quem escolheria em primeiro lugar um desses caminhos. O primeiro sorteado escolheu, naturalmente, o Primeiro caminho. O segundo sorteado escolheu o Segundo caminho. O terceiro sorteado, sem nenhuma outra opção, aceitou o Terceiro caminho.

Eles partiram juntos, no mesmo horário, levando consigo apenas uma mochila contendo alimentos, agasalhos e algumas ferramentas.

O Primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente até a montanha, subiu, feliz por acreditar que seria o vencedor e quando se deparou com a Macieira Encantada sorriu de felicidade. O que ele não esperava, porém, é que ela fosse tão inatingível. Como chegar até as maçãs? Elas estavam em galhos muito altos. Não havia como subir. O tronco era muito alto também. Ele não possuía nenhum meio de chegar até lá em cima. Ficou esperando o Segundo chegar para resolverem juntos a questão.

O Segundo enfrentou galhardamente a primeira situação com a qual se deparou, porém logo em seguida apareceu outra, e logo depois mais uma e mais outra, sendo algumas delas um tanto difíceis de superar. Ele acabou ficando cansado, esgotado até ficar doente, e cair prostrado. Quando se deu conta de seu péssimo estado físico, foi obrigado a retroceder e voltou para a aldeia, onde foi internado para cuidados médicos.

O Terceiro teve seu primeiro teste quando acabou sua água e ele chegou a um poço. Quando puxou o balde, arrebentou a corda e ele então, rapidamente, com suas ferramentas e alguns galhos, improvisou uma escada para descer até o poço e retirar a água para saciar sua sede. Resolveu levar a escada consigo e também a corda remendada. Percebeu que estava começando a gostar muito dessa aventura.

Depois de descansar, seguiu viagem e precisou atravessar um rio com uma correnteza fortíssima. Construiu, então, uma pequena jangada e com uma vara de bambu como apoio, conseguiu chegar do outro lado do rio, protegendo assim sua mochila, seus agasalhos e todo o material que levava consigo para o momento que precisasse deles, incluindo a jangada.

Em um outro ponto do caminho ele teve de cortar o mato denso e passar por cima de grossos troncos. Com esses troncos ele fez rodas para facilitar o transporte do seu material, usando também a corda para puxar.

E assim, sucessivamente, a cada nova situação que surgia, como ele não tinha pressa, calmamente, fazendo uso de tudo o que estava aprendendo nessa viagem e do material que, prudentemente guardara, resolvia facilmente a questão.

A viagem foi longa, cheia de situações diferentes, de detalhes, e logo chegou o momento esperado, quando ele se defrontou com a Macieira Encantada. O Primeiro havia se cansado de esperar e também retornara ao povoado.

O encanto da Macieira tomou conta do Terceiro. Ela era tão linda, grande, alta, brilhante. Os raios do sol incidindo nos frutos dourados irradiavam uma luz imensa que o deixou extasiado. Quanto mais olhava para a luz dourada, mais ele se sentia invadir por ela, e percebeu que todo o seu corpo parecia estar também dourado. Nesse momento ele sentiu como se uma onda de sabedoria tomasse conta de seu ser. Com essa sensação maravilhosa ele se deixou ficar, inebriado, durante longo tempo.

Depois do impacto ele se pôs a trabalhar e preparou cuidadosamente, seu material, fazendo uso de todos os seus recursos. Transformou a jangada numa grande cesta, para guardar as maçãs dentro, subiu na árvore, pela escada, usou o bambu para empurrar as maçãs mais altas e mais distantes. Tudo isso e mais algumas providências que sua criatividade lhe sugeriu para facilitar seu trabalho, que havia se transformado em prazer.

Depois de encher a cesta com as maçãs, e com a certeza de que poderia voltar ali quando quisesse, por ser a Macieira pródiga, ele agradeceu a Deus por ter chegado, por ter conseguido concluir seu objetivo. Agradeceu principalmente a si mesmo pela coragem e persistência na utilização de todos os seus recursos, como inteligência e criatividade.

Voltou pelo caminho mais fácil, levando consigo os frutos de seu trabalho e de seus esforços, frutos esses colhidos com muita competência e merecimento. Descobriu, entre outras coisas que:

- Tudo que apareceu em seu caminho foi útil e importante para sua vitória;
- Cada uma das situações que ele resolveu, foi de grande aprendizado, não só para aquele momento, mas também para vários outros na sua vida futura;
- Quando você faz do seu trabalho um prazer, suas chances de sucesso são muito maiores;
- Quando seu objetivo vale a pena, não há nada que o faça desistir no meio do caminho;
- A sua vitória poderia beneficiar a vida de muita gente e também servir de exemplo a outras pessoas, a quem ele poderia ensinar tudo o que aprendeu nessa trajetória.

O resto da história vocês podem imaginar. E como toda história que se preze, viveram felizes para sempre...

 

 

 

 

Sexta-Feira - 01 de outubro de 2010

 

 

A Luta dos Cegos



Certa manhã, quando dirigia-se ao mercado, Nasrudin viu alguns cegos e, fazendo tilintar as moedas em sua bolsa, disse em voz alta:

- Amigos, amigos, peguem estas moedas. Tu, toma esta, tu, esta, e vocês repartam o resto - e enquanto fazia isso, fazia tilintar as moedas em sua bolsa.

É evidente e seria até demais esclarecer, que não repartiu um só tostão.

Produzida a cena, afastou-se para observar a seguinte situação:

Os cegos começaram a precipitar-se uns sobre os outros, exclamando e gritando: "deu tudo para ti". Ou então: "Vocês ficaram com tudo ao invés de repartir". Ou: "Eu nada recebi", "mentes", "dá-me a minha parte", etc. etc.

Isso se transformou em empurrões, socos, chutes, insultos, xingamentos, terminando em uma grande batalha indescritível, dada a cegueira total reinante.

Nasrudin, que seguia de perto as peripécias da batalha, murmurou:

- Isto é o que poderia chamar-se de uma "uma luta de cegos por motivo inexistente".


 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 24 de setembro de 2010

 

 

 

A Lição da Borboleta



Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo.

Um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então, pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.
Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.

Então, o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo.

A borboleta então saiu facilmente.

Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu!

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas.

Ela nunca foi capaz de voar!

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluído do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.


Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.

Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados.
Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido.
Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi forças...
e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.

Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me problemas para resolver

Eu pedi prosperidade...
e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.

Eu pedi coragem...
e Deus deu-me obstáculos para superar.

Eu pedi amor...
e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.

Eu pedi favores...
e Deus deu-me oportunidades.

Eu não recebi nada do que pedi...
mas eu recebi tudo de que precisava.

 

 

         

 

 

 

 

Sexta-Feira - 17 de setembro de 2010

 

 

 

A história de Fátima, a fiandeira.



Numa longínqua cidade do Ocidente, vivia uma jovem chamada Fátima, filha de um próspero fiandeiro. Um dia seu pai lhe disse:

- Filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a fazer. Venha junto, pois talvez você encontre algum jovem que te agrade, em boa posição, com quem possas então te casar.

Iniciaram então uma viagem por mar, indo de reino em reino. O pai cuidando dos negócios, Fátima, sonhando com o homem com quem iria se casar.

Mas um dia, quando estavam em alto mar, foram atingidos por uma terrível tempestade. O navio naufragou. Fátima foi arrastada pelas ondas até uma praia desconhecida, única sobrevivente do naufrágio.

Recordava-se pouco de sua vida naquele momento, pois a experiência do naufrágio e o fato de haver ficado exposta à inclemência do mar haviam-na deixado exausta e aturdida.

Enquanto vagava pela praia, uma família de tecelões a encontrou. Embora fossem pobres, levaram-na para sua humilde casa e ensinaram-lhe seu trabalho.

Assim, Fátima iniciou nova vida. Passado algum tempo, e com o carinho recebido daquela gente, voltou a ser feliz, reconciliada com sua sorte.

Porém um dia, quando estava na praia, um bando de mercadores de escravos desembarcou e levou-a, junto com outros cativos. Levaram-na para um reino, na direção do oriente e venderam-na como escrava.

No mercado de escravos, um homem de nobre coração, apiedando-se daquela triste jovem, resolveu comprá-la. Levou Fátima para casa, pretendendo dar-lhe um trabalho leve, pensando que ela poderia fazer companhia para sua esposa.

Pouco tempo estava Fátima naquela casa, quando o patrão, que era dono de uma serraria, teve uma grande perda nos negócios. Não poderia mais pagar seus empregados, e assim a própria esposa e Fátima (que era grata por seu resgate do mercado de escravos), passaram a trabalhar na fabricação de mastros.

Aos poucos, os negócios da serraria foram se recuperando e Fátima passou a ser o braço direito do patrão, sua ajudante de confiança.
Um dia, ele lhe disse que queria que ela levasse um carregamento de mastros a uma ilha distante. Eram clientes novos e o patrão confiava a ela o negócio.

Fátima partiu. Quis o destino que novamente seu navio naufragasse, quando estavam perto da costa da China. Outra vez, Fátima era jogada como náufraga em um país desconhecido.

Novamente, houve quem a ajudasse, e não foi difícil encontrar um intérprete para ela, que com suas viagens, já compreendia bem mais do que sua língua materna.

Por aqueles tempos, reinava na China um jovem imperador. Curioso das coisas do mundo, gostava de ouvir histórias dos viajantes que lhe contavam de terras distantes e países exóticos. E havia ficado encantado com as descrições que lhe fizeram, certa vez, alguns desses viajantes, de países do deserto, onde os reis, chamados sultões, tinham grandes e confortáveis tendas para suas próprias viagens.

Acontece que, naqueles tempos, não havia ninguém na China que soubesse fazer tais tendas, e o imperador dizia a todos quantos pudessem ouvir que recompensaria regiamente quem as fizesse.

Quando Fátima soube do fato, refletiu. E disse que poderia satisfazer o desejo do imperador. Foi levada até ele, que ficou muito impressionado com a moça.

Como as cordas chinesas não se prestavam, Fátima usou sua memória de filha de fiandeiro, e fez cordas apropriadas.

Os tecidos chineses, ou eram da mais pura ceda, ou panos resistentes, mas muito duros. Lembrou da sua experiência de tecelã, e organizou a produção de tecidos adequados.

Também não havia estacas compridas o suficiente. Lembrou então do
que aprendera com o fabricante de mastros.

E assim, Fátima tinha, junto com a lembrança de todas as tendas que havia visto em suas viagens, todo o necessário para construir uma bela tenda.

O jovem imperador, maravilhado, ofereceu à Fátima, como recompensa, a metade do seu grande império, e o seu amor, pois se casou com ela. E juntos, viveram felizes até o fim dos seus dias.

E foi só depois de todas essas aventuras que Fátima pôde compreender algo fundamental: As experiências aparentemente desagradáveis do passado acabaram constituindo partes essenciais da sua felicidade.
 

 

 

 

Sexta-Feira - 10 de setembro de 2010

 

 

 

A GRATIDÃO



O homem, por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrina.

Os olhos da cor do céu brilharam quando viu determinado objeto.

Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesas azuis.

- É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?

O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:

- Quanto dinheiro você tem?

Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse:

- Isto dá, não dá?

Eram apenas algumas moedas, que ela exibia orgulhosa.

- Sabe, eu quero dar este colar azul para a minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor dos seus olhos.

O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.

- Tome, leve com cuidado.

Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.

Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de longos cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis, adentrou a loja.

Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:

- Este colar foi comprado aqui?

- Sim, senhora.

- E quanto custou?

- Ah, falou o dono da loja, o preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o freguês.

A moça continuou:

- Mas minha irmã tinha somente algumas moedas. O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!

O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu à jovem.

- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar - disse ele. - Ela deu tudo o que tinha.

O silêncio encheu a pequena loja, e duas lágrimas rolaram pelas faces jovens, enquanto suas mãos tomavam o embrulho e ela retornava ao lar, emocionada.


A verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura.

E a gratidão é sempre a manifestação dos espíritos que têm riqueza de emoções e altruísmo.

Sê sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém.

Gratidão, como amor, é também dever que não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece.

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 03 de setembro de 2010

 

 

 

A Gente Pode
Chico Xavier

A gente pode
morar numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos
e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode
dormir numa cama mais ou menos,
comer um feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos
e até ser obrigado a acreditar
mais ou menos no futuro.
A gente pode
olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.
Tudo bem.
O que a gente não pode
mesmo, nunca, de jeito nenhum
é amar mais ou menos,
é sonhar mais ou menos,
é ser amigo mais ou menos,
é namorar mais ou menos,
é ter fé mais ou menos
e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar
uma pessoa mais ou menos.
 


 

 

 

Sexta-Feira - 27 de agosto de 2010

 

 

 

A FORMIGA
 



Todos os dias, a FORMIGA chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. Era produtiva e feliz.

O gerente MARIMBONDO estranhou a FORMIGA trabalhar sem supervisão.
Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada.
E colocou uma BARATA, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.

A primeira preocupação da BARATA foi a de padronizar o horário de entrada e saída da FORMIGA.

Logo a BARATA precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma ARANHA para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.

O MARIMBONDO ficou encantado com os relatórios da BARATA, e pediu também gráficos com indicadores e analise das tendências que eram mostradas em reuniões.

A BARATA então contratou uma MOSCA, e comprou um computador com impressora colorida.

Logo a FORMIGA produtiva e feliz começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis e reuniões que eram feitas.

O MARIMBONDO concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a FORMIGA, produtiva e feliz, trabalhava.

O cargo foi dado a uma CIGARRA, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.

A nova gestora CIGARRA logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a FORMIGA, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.

A CIGARRA então convenceu o gerente MARIMBONDO, que era preciso fazer um estudo de clima. Mas o MARIMBONDO, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a FORMIGA trabalhava já não rendia como antes, e assim contratou a CORUJA, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.

A CORUJA permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, que concluía: "Há muita gente nesta empresa".

O MARIMBONDO seguindo o conselho do relatório da CORUJA, mandou demitir a FORMIGA, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.
 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 20 de agosto de 2010

 

 

 

A Flor e a Pedra

 

“Era uma vez uma flor que nasceu no meio das pedras. Quem sabe como conseguiu crescer e ser um sinal de vida no meio de tanta tristeza. Passou uma jovem e ficou admirada com a flor. Logo pensou em Deus. Cortou a flor e a levou para a igreja. Mas, após uma semana, a flor tinha morrido”.

“Era uma vez uma flor que nasceu no meio das pedras. Quem sabe como conseguiu crescer e ser um sinal de vida no meio de tanta tristeza. Passou um homem, viu a flor, pensou em Deus, agradeceu e a deixou ali; não quis cortá-la para não matá-la. Mas, dias depois, veio uma tempestade e a flor morreu”.

“Era uma vez uma flor que nasceu no meio das pedras. Quem sabe como conseguiu crescer e ser um sinal de vida no meio de tanta tristeza. Passou uma criança e achou que aquela flor era parecida com ela: bonita, mas, sozinha. Decidiu voltar todos os dias. Um dia regou, outro dia trouxe terra, outro dia podou, depois fez um canteiro, colocou adubo. Tempos depois, lá onde só havia pedras e uma flor, nasceu um jardim
 

 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 13 de agosto de 2010

 

 

 

A Decisão da Águia




A águia é uma ave que chega a viver até setenta anos. Mas, para alcançar essa idade, ela tem de tomar uma séria decisão por volta dos quarenta anos.

É uma fase em que está com as unhas compridas e flexíveis e já não consegue caçar. Seu bico alongado e pontiagudo está curvo. Suas asas envelhecidas e pesadas, por causa da grossura das penas, apontam para o peito. Voar está se tornando tarefa difícil.

Então, a águia tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar cento e cinquenta dias.

Este processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se a um ninho próximo a um paredão rochoso onde ela não necessite voar. Tendo encontrado esse lugar, a águia começa a bater com o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico com o qual vai depois arrancar as unhas. E quando as unhas novas começarem a nascer, ela se põe a arrancar as velhas penas.

Somente depois de cinco meses, sai para o seu famoso voo da vitória. E poderá, então, viver mais trinta anos.

 



 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 6 de agosto de 2010

 

 

A Cerca

 

 

Era uma vez um menino com temperamento muito forte. Seu pai deu-lhe um saco de pregos, dizendo-lhe que cada vez que ele ficasse furioso pregasse um prego na cerca do fundo da casa.

 

No primeiro dia o garoto pregou 37 pregos, mas gradualmente ele foi se acalmando. Descobriu que era mais fácil "segurar" seu temperamento do que pregar os pregos na cerca.

 

Finalmente chegou o dia em que o garoto não se enfureceu nenhuma vez. Contou ao pai o que havia sucedido e pai sugeriu-lhe que, de agora em diante, por cada dia que conseguisse segurar seu temperamento retirasse um dos 37 pregos.

 

Passou-se o tempo e o garoto finalmente pode dizer ao pai que tinha retirado todos os pregos.

 

O pai tomou o filho pela mão e levou-o até a cerca dizendo-lhe:

 

- Você fez muito bem meu filho, mas a cerca nunca mais será a mesma. Quando você diz coisas quando está furioso, elas deixam uma cicatriz assim como as marcas da cerca. Você pode fincar e retirar uma faca em um homem. Não importa quantas vezes você possa dizer; "desculpe", a ferida mesmo assim permanecerá. Uma ferida verbal é tão ruim quanto uma ferida física.

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 31 de julho de 2010

 

 

A Casa


Um certo homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem que acreditava em Deus, e sabia que Ele o protegeria.

 

Durante a viagem, quando sobrevoavam o mar, um dos motores falhou e o piloto teve que fazer um pouso forçado no oceano. Quase todos morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que o conservasse em cima da água. Ficou boiando a deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha não habitada.


Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por este livramento maravilhoso da morte. Ele conseguiu se alimentar de peixes e ervas. Conseguiu derrubar algumas arvores e com muito esforço conseguiu construir uma casinha para ele. Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, com paus e folhas. Porém significava proteção. Ele ficou todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez pudessem existir na ilha.


Um dia, ele estava pescando e quando terminou, havia apanhado muitos peixes. Assim, com comida abundante, estava satisfeito com o resultado da pesca.

 

Porém, ao voltar-se na direção de sua casa, qual tamanha não foi sua decepção, ao ver sua casa toda incendiada. Ele se sentou em uma pedra chorando e dizendo em prantos:


- "Deus! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa para poder me abrigar, e o Senhor deixou minha casa se queimar todinha. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim?"


 Neste mesmo momento uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo:

 

- "Vamos rapaz?”


 Ele se virou para ver quem estava falando com ele, e qual não foi sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro todo fardado e dizendo:

 

- "Vamos rapaz, nós viemos te buscar."

 

- "Mas como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui?"

 

- "Ora, amigo! Vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante."


Os dois entraram no barco e assim o homem foi para o navio que o levaria em segurança de volta para os seus queridos.


Quantas vezes nossa "casa se queima" e nós gritamos como aquele homem gritou? Na maioria das vezes, devido às nossas imperfeições não compreendemos a linguagem de Deus e como se não bastasse isso, achamos que alguns acontecimentos são ruins em nossa vida esquecendo que Deus escreve certo por linhas tortas e que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus.


Às vezes, é muito difícil aceitar isto, mas é assim mesmo. É preciso acreditar e confiar!

 


O canoeiro preocupado pergunta:

- Vocês sabem nadar?

- Não! - Responderam eles rapidamente.

- Então é uma pena - Conclui o barqueiro - Vocês perderam toda a vida!


Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes!

 

 

 

 

Sexta-Feira - 23 de julho de 2010

 

A CANOA

 


Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro.

Em uma das viagens, ia um advogado e uma professora.

Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:

- Companheiro, você entende de leis?

- Não. - Responde o barqueiro.

E o advogado compadecido:

- É pena, você perdeu metade da vida!

A professora, muito social, entra na conversa:

- Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?

- Também não. - Responde o remador.

- Que pena! - Condói-se a mestra - Você perdeu metade da vida!

Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco.

O canoeiro preocupado pergunta:

- Vocês sabem nadar?

- Não! - Responderam eles rapidamente.

- Então é uma pena - Conclui o barqueiro - Vocês perderam toda a vida!


Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes!
 

 

 

 

Sexta-Feira - 16 de julho de 2010

 

 

 

A Camisa de Um Homem Feliz

                                                

 

Um califa, sofrendo de uma doença mortal, estava deitado sobre almofadas de seda. Os raquins, os médicos de seu país, congregados ao seu redor, concordaram entre si que apenas uma coisa poderia conceder cura e salvação ao califa: colocar sob sua cabeça a camisa de um homem feliz.

 

Mensageiros em grande número saíram buscando em toda cidade, toda vila e toda cabana, por um homem feliz. Mas cada pessoa por eles interrogada nada expressava senão tristeza e preocupações.

 

Finalmente, após ter abandonado toda a esperança, os mensageiros encontram um pastor que ria e cantava enquanto observava seu rebanho.

 

Era ele feliz?

 

“Não posso imaginar alguém mais feliz que eu", disse o pastor rindo-se.

 

"Então, dê-nos tua camisa" gritaram os mensageiros.

 

Mas o pastor respondeu: "Eu não tenho nenhuma camisa!".

 

Essa notícia patética, de que o único homem feliz encontrado pelos mensageiros não possuía uma camisa, deu o que pensar ao califa.

 

Por três dias e três noites ele não permitiu que nenhuma pessoa se aproximasse dele.

 

Finalmente no quarto dia, fez com que suas almofadas de seda e suas pedras preciosas fossem distribuídas entre o povo e, conforme conta a lenda, daquele momento em diante o califa outra vez ficou saudável e feliz.

 

 

           

 

 

 

 

Sexta-Feira - 9 de julho de 2010

 

 

A Caixa de Beijos

 

Há certo tempo atrás, um homem castigou sua filhinha de três anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.

O dinheiro andava escasso naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina envolvendo uma caixinha com aquele papel dourado e colocá-la debaixo da árvore de Natal.

Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menininha levou o presente a seu pai e disse:

- Isto é pra você, paizinho!

Ele sentiu-se envergonhado pela sua furiosa reação, mas voltou a “explodir” quando viu que a caixa estava vazia. Gritou, dizendo:

- Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa?

A pequena menina olhou para cima, com lágrimas nos olhos e disse:

 - Oh, paizinho, não está vazia, não! Eu soprei muitos beijos dentro da caixa. Todos para você, papai.

O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou que o perdoasse.

Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos... Sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ele tomava da caixa uma beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali.

 

De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós tem recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional e beijos de nossos Pais, Filhos, Irmãos e Amigos... Ninguém pode ter propriedade melhor que essa.

 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 2 de julho de 2010

 

 

A Caderneta Vermelha

 

 

O carteiro chama ao portão da casa de José Roberto. Ele sai para receber a correspondência, um telegrama inesperado. Sem mesmo agradecer ao carteiro, ainda no quintal, ele abre o envelope e numa expressão de surpresa lê as breves palavras:

 

Seu pai faleceu de madrugada. Enterro 18 horas.

Mamãe.

 

José Roberto continuou parado olhando para o vazio. Nenhuma lágrima lhe veio aos olhos; nenhum aperto no coração. Nada! Era como se tivesse morrido um estranho... Por que nada sentiu pela morte do velho?

 

Com um turbilhão de pensamentos confundindo-o, avisou a esposa, tomou o ônibus e se foi, vencendo os silenciosos quilômetros de estrada, enquanto a cabeça girava a mil.

 

No íntimo, não queria ir ao funeral e, se estava indo, era apenas por consideração à mãe e para que ela não ficasse mais amargurada.

Ela sabia que pai e filho não se davam. Tudo acontecera depois de brigas e acusações até que certo dia José Roberto fez suas malas e partiu, prometendo nunca mais voltar para casa.

 

Um emprego razoável, casamento, telefonemas à mãe pelo Natal, Ano Novo, Dias das Mães... Ele havia se desligado da família, não pensava mais no pai, e a última coisa na vida que desejava era se parecer com ele.

 

No velório, poucas pessoas.

 

A mãe está lá próxima do caixão, pálida, gelada, chorando. Quando revê o filho, as lágrimas correm silenciosas; foi um abraço de desesperado silêncio. Depois, ele viu o corpo sereno e envolto por um lençol de rosas vermelhas naturais, as mesmas que o pai gostava de cultivar.

 

José Roberto não verteu uma lágrima sequer, porque seu coração não pedia. Era como estar diante de um estranho, um...

 

O funeral aconteceu no final da tarde, sob um clima de silêncio, quando só se ouvia os sabiás cantando, enquanto o sol se punha.

 

Depois ele ficou em casa com a mãe até a noite, beijou-a e prometeu voltar um dia trazendo os dois netos e a nora para conhecê-la. Na despedida, ela colocou-lhe algo pequeno e retangular na sua mão, dizendo: “Há mais tempo você poderia ter recebido isto. Mas, infelizmente, só agora que seu pai se foi, eu o encontrei entre os guardados mais importantes”.

 

José Roberto não deu muita importância àquilo, guardando-o no bolso. Durante a viagem de volta, num gesto mecânico, pôs a mão no bolso e sentiu o presente. Um foco mortiço de luz revelou uma pequena caderneta de capa vermelha.

 

Abriu-a curioso. Páginas amareladas. Na primeira, no alto, reconheceu a caligrafia firme do pai assim escrito:

 

         “Nasceu hoje o meu filho tão esperado; quase quatro quilos! Meu primeiro filho. Um garotão lindo! E vai se chamar José Roberto! Estou orgulhoso de ser pai dessa criatura que será a minha continuação nesta vida!”

        

À medida que folheava, devorando cada anotação, sentia um aperto na boca do estômago, mistura de dor e perplexidade, pois as imagens do passado ressurgiram firmes e atrevidas como se acabassem de acontecer!

 

         “Hoje, meu filho foi para a escola. Está homenzinho! Quando eu o vi de uniforme, fiquei emocionado e desejei-lhe um futuro cheio de sabedoria. A vida dele será diferente da minha, que não pude estudar por ter sido obrigado a ajudar meu pai, mas, para meu filho desejo o melhor. Não permitirei que a vida o castigue”.

 

         Outra página:

 

         “Hoje meu filho me pediu uma bicicleta. Meu salário não dá, mas ele merece porque é estudioso e esforçado. Então, fiz um empréstimo que espero pagar com horas extras”.

 

Nesse momento, José Roberto mordeu os lábios. Lembrava-se da sua intolerância, das brigas que fez para ganhar a sonhada bicicleta. Se todos os amigos mais ricos tinham uma, por que ele também não poderia ter a sua?

 

         “É duro para um pai castigar um filho, e bem sei que ele poderá me odiar por isso; entretanto, devo educá-lo para o seu próprio bem. Foi assim que aprendi a ser um homem honrado, e esse é o único modo que sei ensiná-lo”.

 

José Roberto fechou os olhos e viu toda a cena quando por causa de uma bebedeira, tinha ido para a cadeia. Naquela noite, o pai tentara impedi-lo de ir ao baile com os amigos... Lembrava-se apenas do automóvel retorcido e manchado de sangue que tinha batido contra uma árvore... Parecia ouvir sinos, o choro da cidade inteira, enquanto quatro caixões seguiam lugubremente para o cemitério.

 

As páginas se sucediam com ora curtas, ora longas anotações, cheias de respostas que revelava o quanto em silêncio e amargura, o pai o havia amado. O “velho” escrevia de madrugada. Momento da solidão, num grito de silêncio, porque era desse jeito que ele era; ninguém o havia ensinado a chorar e a dividir suas dores. Esperava-se dele que fosse durão, para que o mundo não o julgasse nem fraco, nem covarde.

 

E, no entanto, agora, José Roberto estava tendo a prova que debaixo daquela fachada de fortaleza havia um coração tão terno e cheio de amor.

 

A última página.

 

         “Deus, o que fiz de errado para meu filho me odiar tanto? Por que sou considerado culpado, se nada fiz, senão tentar transformá-lo num homem de bem? Meu Deus, não permita que essa injustiça me atormente para sempre. Que um dia ele possa me compreender e perdoar por eu não ter sabido ser o pai que ele merecia ter”.

 

As folhas seguintes estavam em branco, sem anotações, dando a idéia de que o pai tinha morrido naquele momento.

 

José Roberto fechou depressa a caderneta, o peito doía, o coração parecia crescer tanto, que lutava para escapar pela boca. Nem viu o ônibus entrar na rodoviária. Levantou da poltrona, e aflito saiu quase correndo porque precisava de ar puro para respirar.

 

A aurora rompia no céu e mais um dia começava.

     

         “Honre seu pai para que os dias de sua velhice sejam tranqüilos!” Certa vez ele tinha ouvido essa frase e jamais havia refletido na profundidade que ela continha.

 

Em sua egocêntrica cegueira de adolescente e jovem, jamais havia parado para pensar em verdades mais profundas.

Para ele, os pais eram descartáveis e sem valor como as embalagens que são jogadas no lixo. Afinal, naqueles dias de pouca reflexão tudo era juventude, saúde, beleza, músicas, cor, alegria, despreocupações, vaidade... Não era ele um semi-deus?

 

Agora, porém, o tempo o havia envelhecido um pouco, fatigado e também tornado pai aquele falso herói. De repente, no jogo da vida, ele era o pai e seus atuais contestadores. Como não havia pensado nisso antes? Certamente por não ter tempo, pois andava muito ocupado com os negócios, a luta pela sobrevivência, a sede de passar fins de semana longe da cidade grande, a vontade de mergulhar no silêncio sem precisar dialogar com os filhos.

 

Ele jamais tivera idéia de comprar uma cadernetinha vermelha para anotar uma frase sobre seus herdeiros; jamais lhe havia passado pela cabeça escrever que tinha orgulho daqueles que continuam o seu nome. Justamente ele, que se considerava o mais completo pai da Terra?

 

Uma onda de vergonha quase o prostrou por terra numa derradeira lição de humildade. Quis gritar, e erguer-se procurando encontrar o velho para sacudi-lo e abraçá-lo. Encontrou apenas o vazio.

 

Havia uma raquítica rosa vermelha num galho no jardim da casa, e o sol acabara de nascer. José Roberto acariciou as pétalas e lembrou-se da mãozona do pai podando, adubando e cuidando das roseiras com amor. Por que nunca tinha percebido tudo aquilo antes? Uma lágrima brotou como o orvalho, e, erguendo os olhos para o céu, de repente, sorriu e desabafou-se numa confissão aliviadora:

 

         – “Se Deus me mandasse escolher, eu juro que não queria ter tido outro pai que não fosse você, velho! Obrigado por tanto amor, e me perdoe por haver sido tão cego”.

 

 

“FALE, CURTA, ABRACE, BEIJE, SINTA E AME O SEU PAI

 E TODAS AS PESSOAS QUE VOCE PODE VER E TOCAR... ENQUANTO É TEMPO”

 

APROVEITE ENQUANTO HÁ VIDA!!!

 

 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 25 de junho de 2010

 

 

 

 

A CADEIRA

 

 Um sacerdote foi chamado para orar por um homem muito enfermo. Quando ele entrou no quarto, encontrou o pobre homem na cama com a cabeça apoiada num par de almofadas, e ao lado da cama havia uma cadeira, fato que levou o sacerdote a pensar que o homem estava aguardando a sua chegada.

- Suponho que estava me esperando?  -  disse o sacerdote.

- Não, quem é você? - respondeu o homem enfermo.

- Sou o sacerdote que a sua filha chamou para orar por você. Quando entrei e vi a cadeira vazia ao lado da sua cama, imaginei que você soubesse que eu viria visitá-lo.

- Ah sim..., a cadeira! Entre e feche a porta - pediu o homem e continuou dizendo: - Nunca contei para ninguém, mas passei toda a minha vida sem ter aprendido a orar. Não sabia direito como se deve orar. E nunca dei muita importância para a oração. Pensava que Deus estava muito distante de mim. Assim sendo, há muito tempo abandonei por completo a idéia de falar com Deus. Até que um amigo me disse:

"José, orar é muito simples. Orar é conversar com Jesus, e isto eu sugiro que você nunca deixe de fazer. Você se senta numa cadeira e coloca outra cadeira vazia na sua frente. Em seguida, com muita fé, você imagina que Jesus está ali sentado, bem diante de você. Afinal Jesus mesmo disse:

"Eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos".

Portanto, você pode falar com Ele e escutá-lo, da mesma maneira como está fazendo comigo agora."

- Pois assim eu procedi e me adaptei à idéia. Desde então, tenho conversado com Jesus durante umas duas horas diárias. Tenho sempre muito cuidado para que a minha filha não me veja... Pois me internaria num manicômio imediatamente.

O sacerdote sentiu uma grande emoção ao ouvir aquilo, e disse a José que era muito bom o que estava fazendo e que não deixasse nunca de fazê-lo. Em seguida orou com ele e foi embora.

 

Dois dias mais tarde, a filha de José comunicou ao sacerdote que seu pai havia falecido.

 

O sacerdote então perguntou:

- Ele faleceu em paz?

- Sim, quando eu estava me preparando para sair, ele me chamou ao seu quarto, e disse que me amava muito e me deu um beijo. Quando eu voltei das compras, uma hora mais tarde, já o encontrei morto. Porém há algo de estranho em relação à sua morte, pois aparentemente, antes de morrer, chegou perto da cadeira que estava ao lado da cama e encostou a cabeça nela. Foi assim que eu o encontrei. Porque será isto? – perguntou a filha.

O sacerdote, profundamente emocionado, enxugou as lágrimas e respondeu:

- Ele partiu nos braços do seu melhor amigo... Jesus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 18 de junho de 2010

 

 

 

 

A Bruxinha e a Pequena Fada

 

 

Num rochedo a beira mar erguia-se um majestoso castelo – paredes pintadas de rosa, torres altas apontando para o céu. Era habitado por fadas. Uma delas, menina ainda, aprendia com as irmãs como bem usar uma varinha de condão.

Ela passava as manhãs na praia próxima, mas, obediente, jamais se afastava das cercanias. Mergulhava os pés na água clara, observava os peixinhos coloridos, construía castelos de areia.

Sentia falta de outra criança com quem brincar, mesmo que não fosse uma menina fada. Distraía-se juntando pequenos objetos encontrados. Raro o dia em que não levava no bolso de seu avental uma “preciosidade”.

No quarto, dentro de um armário, uma grande caixa guardava esses tesouros: lindas conchas nacaradas, um caramujo — colocado ao ouvido, escutava-se o barulho de ondas — uma estrela do mar, seixos transparentes e redondos, a asa de uma borboleta azul, até um anel e um colar de pedras coloridas — com certeza perdidos por alguma sereia descuidada.

Muitas vezes, do alto da janela do castelo, a pequena fada observava uma floresta escura, bem longe. Avistava também uma colina sempre rodeada de nuvens. Quando o dia estava claro, parecia-lhe haver no alto desta colina um sombrio castelo.

Perguntava-se:

-Estaria habitado? Por quem? Fadas? Humanos?

A pequena fada não podia saber, mas naquele castelo morava uma bruxa. Ela não morava sozinha, uma menina bruxa, sua neta, era a única companhia.

Única não, ali viviam também, como é costume em moradias de bruxas, gatos pretos, aranhas, cobras, lagartos e morcegos.

Aquela bruxinha também aprendia com a avó a difícil arte dos feitiços. Também ela foi orientada a não se afastar das cercanias do castelo, de modo que apenas andava pela vegetação seca e rasteira, evitando os espinheiros, sem entrar na floresta escura.

Um dia a avó lhe disse:

- Já lhe ensinei muitas magias, trate de aprender o resto por conta própria, nos livros que vou lhe deixar. Farei uma longa viagem, nem sei se voltarei. Deixo-lhe este castelo e tudo que está dentro dele.

A velha montou na vassoura voadora desaparecendo no horizonte.

A bruxinha, se já era triste, ficou mais triste ainda. Não conhecia ninguém além da avó. Passou então a estender a vista além da floresta. Observou que de um certo lado o sol sempre brilhava, o céu estava sempre sem nuvens. Sentiu desejo de ir até lá. A avó não estava ali para impedi-la. Afinal, sabia perfeitamente voar em sua vassourinha — fora a última lição recebida.

Teve medo ao sobrevoar a floresta, mas logo avistou o castelo sobre um rochedo e animou-se. Viu a praia, o mar. Seus olhos, desacostumados, encheram-se de beleza. Correu sobre a areia, molhou os pés, quase perdeu o chapéu para o vento.

De repente, viu alguém, um ser, como sua avó lhe dissera existirem: uma menina da sua altura, vestindo uma longa túnica cor de rosa, olhos azuis e cabelos da cor das espigas de milho.

A pequena fada também se espantou ao ver aquela menina vestindo uma túnica preta, chapéu pontudo, segurando nas mãos uma vassoura. Deduziu tratar-se de uma bruxa menina. Já lhe haviam falado a respeito.

Passado o espanto mútuo, sorriram e observaram, divertidas, que em ambas faltavam os dois dentinhos da frente. A bruxinha não se conteve:

- Eu fiquei tão triste quando eles caíram!

Ao que a pequena fada completou:

- Ora, outros vão nascer, mais bonitos e fortes.

A bruxinha nada sabia a respeito.

A curiosidade e a falta de preconceito derrubaram qualquer barreira que pudesse existir entre elas. Conversaram e falaram sobre suas vidas. Ficaram amigas e combinaram sempre se encontrar naquele pedaço de praia.

Um dia a fadinha disse á amiga bruxa:

- Amanhã é meu aniversário. Quando é o seu?

- Aniversário? Não sei o que é isso!

- Ora, é quando se conta os anos desde que nascemos.

Como a bruxinha jamais ouvira falar em tal assunto, a fadinha propôs o seguinte:

- Somos do mesmo tamanho, portanto devemos ter a mesma idade. Vamos fazer de conta que amanhã é também o seu aniversário. E para comemorá-los, vamos trocar presentes.

A bruxinha também nada sabia a respeito de presentes. A fadinha disse que lhe daria algo muito precioso, sua caixa cheia de pequenos objetos que vinha juntando há tempos. A bruxinha poderia fazer o mesmo, lhe trazer também uma caixa com pequenas coisas.

No dia seguinte, lá estavam as duas na praia, cada uma segurando a caixa que pretendia oferecer à outra. Combinaram abri-las depois, em casa.

No seu castelo, a bruxinha soltou gritos de alegria ao abrir o presente recebido. Nunca vira nada mais bonito. Pudera, a pequena fada lhe dera tudo que estava em sua caixa de tesouros.

O mesmo não aconteceu com a fadinha. Ela soltou gritos, mas de pavor. Na caixa podia-se ver: lagartixas, cobras e aranhas secas, uma asa de morcego, uma pata seca de um gato preto, uma cauda de escorpião, uma pena de corvo...

Ao ouvirem os gritos da irmãzinha, todas as fadas acudiram. Ela contou-lhes tudo sobre a amiga. Foi consolada:

- Não fique triste, a coitadinha não o fez por mal, simplesmente, esse é o mundo dela, é só isso que possui. Aquela menina precisa da nossa ajuda. Vamos até lá.

A bruxinha não se espantou com a chegada das fadas. A amiga lhe falara sobre as irmãs. Perguntada se gostaria de ver seu castelo pintado de cores alegres, disse que sim.

As fadas, usando o poder das varinhas de condão fizeram desaparecer todas as teias de aranhas, abriram as janelas para que o sol tudo iluminasse.

Os sapos e morcegos fugiram para a floresta. Um castelo colorido surgiu no lugar daquela construção escura e triste.

A partir daquele dia a bruxinha passou a freqüentar o castelo das fadas e estas a visitar o castelo da colina.

No aniversário do ano seguinte as duas amigas também trocaram presentes. A pequena fada ofereceu à bruxinha uma pérola rosada e recebeu em troca uma cesta de flores colhidas no jardim que fora plantado ao redor do castelo.

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 11 de junho de 2010

 

 

 

A BONECA E A ROSA BRANCA

 

 

 

Apressada, entrei em um Shopping Center para comprar alguns presentes de última hora para o Natal.

Olhei para toda aquela gente ao meu redor e me incomodei um pouco.

"Ficarei aqui uma eternidade, com tantas coisas para fazer", pensei. 

O Natal já havia se transformado quase em uma doença. Estava pensando em dormir enquanto durasse o Natal. Mas me apressei o máximo que pude por entre as pessoas que estavam no Shopping. 

Entrei numa loja de brinquedos. Mais uma vez me surpreendi reclamando para mim mesma sobre os preços. Perguntei-me se os meus netos realmente brincariam com aquilo. Parti para a seção de bonecas.

Em uma esquina encontrei um menino de aproximadamente 5 anos segurando uma boneca bem cara.  Estava tocando seus cabelos e a segurava com muito carinho. Não pude me conter; fiquei olhando para ele fixamente e perguntava-me para quem seria a boneca que ele segurava com tanto apreço, quando dele se aproximou uma mulher que ele chamou de tia. 

O menino lhe perguntou:

- Posso levar a boneca?

E a mulher lhe falou com um tom impaciente:

- Você sabe que não tem dinheiro suficiente para comprá-la. 

A mulher disse ao menino que permanecesse onde estava enquanto ela buscava outras coisas que lhe faltavam. O menino continuou segurando a boneca. 

Depois de um tempo, me aproximei e perguntei-lhe para quem era a boneca. Ele respondeu:

- Esta é a boneca que minha irmãzinha tanto queria ganhar no Natal. Ela estava certa de que Papai Noel iria trazê-la.

Então eu disse ao menino que o Papai Noel a traria. 

Mas ele me disse:

- Não, Papai Noel não pode ir aonde minha irmãzinha está. Eu tenho que entregá-la à minha mãe para que ela leve até a minha irmãzinha.

Então eu lhe perguntei onde estava a sua irmã. 

O menino, com uma feição triste, falou:

- Ela se foi com Jesus. Meu pai me disse que a mamãe irá encontrar-se com ela.

Meu coração quase parou de bater. Voltei a olhar para o menino. 

Ele continuou: "Pedi ao papai para falar para a mamãe para que ela não se vá ainda. Para pedir-lhe para esperar até que eu volte do Shopping". O menino me perguntou se eu gostaria de ver a sua foto e respondi-lhe que adoraria. Então, ele tirou do seu bolso algumas fotografias que tinham sido tiradas em frente ao Shopping e me disse:

- Vou pedir para o papai levar estas fotos para que a minha mãe nunca se esqueça de mim. Gosto muito da minha mãe, não queria que ela partisse. Mas o papai disse que ela tem que ir encontrar a minha irmãzinha. 

Me dei conta de que o menino havia baixado a cabeça e ficado muito calado.

Enquanto ele não olhava, coloquei a mão na minha carteira e retirei algumas notas. Pedi ao menino para

que contasse o dinheiro novamente. Ele se entusiasmou muito e comentou: “Eu sei que é suficiente”.  E começou a contar o dinheiro outra vez. O dinheiro agora era suficiente para pagar a boneca. O menino, em uma voz suave, comentou:

- Graças a Jesus por dar-me dinheiro suficiente. Ele falou ainda:

- Eu acabei de pedir a Jesus que me desse dinheiro suficiente para que eu pudesse comprar esta boneca para a mamãe levar até a minha irmãzinha. E Ele ouviu a minha oração. Eu queria pedir-Lhe dinheiro suficiente para comprar uma rosa branca para a minha mãe também, mas não o fiz. Mas Ele acaba de me dar o bastante para a boneca da minha irmãzinha e para a rosa da minha mãe. Ela gosta muito de rosas brancas...

Em alguns minutos a sua tia voltou e eu, desapercebidamente, fui embora. 

Enquanto terminava as minhas compras, com um espírito muito diferente de quando havia começado, não conseguia deixar de pensar naquele menino. Segui pensando em uma história que havia lido dias antes num jornal, a respeito de um acidente, causado por um condutor alcoolizado, no qual uma menininha falecera e sua mãe ficara em estado grave. A família estava discutindo se deveria ou não manter a mulher com vida artificial. Logo me dei conta de que aquele menino pertencia a essa família. 

Dois dias mais tarde li no jornal que a mulher do acidente havia sido removida das máquinas que a mantinham viva e havia morrido. Não conseguia tirar o menino da minha mente.

Mais tarde, comprei um buquê de rosas brancas e as levei ao funeral onde estava o corpo da mulher.

E ali estava; a mulher do jornal, com uma rosa branca em uma de suas mãos, uma linda boneca na outra, e a foto de seu filho no Shopping. Eu chorava e chorava... Minha vida havia mudado para sempre. O amor daquele menino pela sua mãe e irmã era enorme. Em um segundo, um condutor alcoolizado havia destroçado a vida daquela criança.

 

 

"OS AMIGOS SÃO ANJOS QUE AJUDAM A COLOCAR-NOS DE PÉ NOVAMENTE QUANDO NOSSAS ASAS SE ESQUECEM COMO VOAR..."

 

 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 04 de junho de 2010

 

A Árvore dos Desejos

 

 

 

Há uma famosa parábola indiana que diz: Certa vez um homem estava viajando e acidentalmente entrou no paraíso. No conceito indiano, existem árvores dos desejos. Você simplesmente senta debaixo delas, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado. Não há intervalo entre o desejo e sua realização.

 

O homem estava cansado e pegou no sono sob a árvore dos desejos. Quando despertou, estava com muita fome e então disse:

 

“Estou com tanta fome! Desejaria poder conseguir alguma comida de algum lugar”. E imediatamente apareceu, vinda do nada, uma deliciosa comida flutuando no ar.

 

Ele estava tão faminto, que não prestou atenção de onde a comida viera – quando se está com fome, não se é filósofo. Ele começou a comer imediatamente, e a comida estava tão deliciosa...

 

Depois, a fome tendo passado, olhou à sua volta. Agora, estando satisfeito, outro pensamento surgiu em sua mente:

 

“Se ao menos pudesse conseguir algo para beber...” Como não há proibições no paraíso, imediatamente apareceu um excelente vinho.

 

Bebendo o vinho relaxadamente na brisa fresca do paraíso, sob a sombra da árvore, começou a pensar:

 

“O que está havendo? Estou sonhando ou existem espíritos ao redor fazendo truques comigo?”

 

Então espíritos apareceram. E eram ferozes, horríveis, nauseantes. Ele começou a temer e um pensamento surgiu em sua mente:

 

“Agora eles vão me matar, com certeza...”.

E ELES O MATARAM.

 

Esta é uma antiga parábola que tem imenso significado.

Sua mente é a árvore dos desejos: o que você pensa, mais cedo ou tarde se realiza.

 

Às vezes, o intervalo é tão grande que você se esquece completamente que desejou aquilo; então, não faz a ligação com a fonte. Mas, se olhar profundamente, perceberá que todos os seus pensamentos estão criando você e sua vida.

 

Eles criam seu inferno e paraíso, seu tormento e alegria, o negativo e o positivo. Todos aqui são mágicos. E todos estão fiando e tecendo um mundo mágico a seu redor... e aí são apanhados. A aranha é pega em sua própria teia.

 

Ninguém o está torturando, a não ser você mesmo. Uma vez compreendido isso, mudanças começam a acontecer. Então você pode dar a volta, mudar seu inferno em paraíso. É simplesmente uma questão de pintá-lo a partir de um ângulo diferente. Ou seja, quem faz seu destino, é você mesmo.

 

Seu PARAÍSO só depende de você.

 

 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 28 de maio de 2010

 

 

 

A ÁGUIA E O FALCÃO

 

 

Conta uma lenda dos índios sioux que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:

 

- Nós nos amamos e vamos nos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?

 

E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

 

- Há uma coisa a fazer, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada.

Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.

E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono. Lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva!

 

Os jovens abraçaram-se com ternura e logo partiram para cumprir a missão.

No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves.

 

O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.

 

- E agora, o que faremos? Os jovens perguntaram.

 

- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro.

Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.

 

Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros.

 

A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno.

Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do vôo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se machucar.

 

Então o velho disse:

 

- Jamais esqueçam o que estão vendo, esse é o meu conselho.

Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro.

 

Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados. Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas.

 

Essa é uma verdade no casamento e também nas relações familiares, de amizade e profissionais.

 

Respeite o direito das pessoas de voar rumo ao sonho delas.

 

A lição principal é saber que somente as pessoas livres serão capazes de amá-lo como você quer e merece.

 

Respeite também as suas vontades e voe em direção às realizações da sua vida. Tenho certeza de que, ao ser livre, você encontrará pessoas felizes que adorarão voar ao seu lado.

 

 

 

 

 

 

Sexta-Feira - 21 de maio de 2010

 

 

 

A ação mais importante

 

Um dia, um advogado famoso foi entrevistado. Entre tantas questões, lhe perguntaram o que de mais importante fizera em sua vida.
 
No momento, ele falou a respeito do seu trabalho com celebridades.
 
Mais tarde, penetrando as profundezas de suas recordações, relatou:

 

“O mais importante que já fiz em minha vida ocorreu no dia 8 de Outubro de 1990.
 
Estava jogando golfe com um ex-colega e amigo que há muito não via.
 
Conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele contou-me que sua esposa acabara de ter um bebê.
 
Estávamos ainda jogando, quando o pai do meu amigo chegou e lhe disse que o bebê tivera um problema respiratório e fora levado às pressas ao hospital.
 
Apressado, largando tudo, meu amigo entrou no carro de seu pai e se foi.
 
Fiquei ali, sem saber o que deveria fazer. Seguir meu amigo ao hospital? Mas eu não poderia auxiliar em nada a criança, que estaria muito bem cuidada por médicos e enfermeiras.
 
Nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.
 
Ir até o hospital e oferecer meu apoio moral? Talvez. Contudo, tanto meu amigo como a sua esposa tinham famílias numerosas.
 
Sem dúvida, eles estariam rodeados de familiares e de muitos amigos a lhes oferecer apoio e conforto, acontecesse o que fosse.
 
A única coisa que eu iria fazer no hospital era atrapalhar. Decidi que iria para minha casa.
 
Quando dei a partida no carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu veículo aberto. E com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis.
 
Decidi, então, fechar o seu carro e levar as chaves até o hospital.
 
Como imaginara, a sala de espera estava repleta de familiares. Entrei sem fazer ruído e fiquei parado à porta.
 
Não sabia se deveria entregar as chaves ou conversar com meu amigo.
 
Nisso, um médico chegou, se aproximou do casal e comunicou a morte do bebê. Eles se abraçaram, chorando.
 
O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança.
 
Eles ficaram de pé e se encaminharam para a porta. Ao me ver, aquela mãe me abraçou e começou a chorar.
 
Meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: "Muito obrigado por estar aqui!"
 
Durante o resto da manhã, fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurando seu bebê, e se despedindo dele.
 
Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida!”

 
A vida pode mudar em um instante.
 
Podemos fazer planos e imaginar nosso futuro. Mas ao acordarmos pela manhã, esquecemos que esse futuro pode se alterar em um piscar de olhos.
 
Esquecemos que podemos perder o emprego, sofrer uma doença, cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas. Por isso, entre as tantas coisas que nos tomam as horas todos os dias, não esqueçamos de eleger um tempo para umas férias, passar um dia festivo com a família, uma hora para estar com as crianças, ler para elas, participar de uma festa na escola. E, naturalmente, guardar um tempo para cultivar amizades.

 

 

 

 

Metáfora da Semana

 

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