PROBLEMAS DE
DESENVOLVIMENTO NA INFÂNCIA
1 – PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO
Os problemas de comportamento são padrões de comportamento
tão difíceis que ameaçam as relações normais entre a criança
e as pessoas que a rodeiam.
Os problemas de comportamento podem ser causados pelo
ambiente em que a criança vive, por sua saúde, por seu
temperamento inato ou por seu desenvolvimento. Um
relacionamento difícil com os pais, professores e pessoas
que cuidam dela também pode ser a raiz de um distúrbio
comportamental.
Para diagnosticar um problema de comportamento, o médico ou
o psicoterapêuta entrevista os pais e pede que eles
descrevam cronologicamente as atividades do dia em um dia
comum. As discussões são centradas sobre as circunstâncias
que acarretaram o problema de comportamento e sobre os
detalhes do comportamento em si. O profissional também
observa a interação entre a criança e seus pais.
Os problemas de comportamento tendem a piorar no decorrer do
tempo, mas o tratamento precoce pode ajudar a impedir a sua
progressão. Um contato mais positivo e agradável entre a
criança e seus pais pode aumentar a auto-estima da criança e
dos pais. A melhor interação pode ajudar a romper o círculo
vicioso de comportamentos negativos que acarretam respostas
negativas.
1.1 - Dificuldade de relacionamento entre a criança e seus
pais
Os problemas de relacionamento podem começar durante os
primeiros meses de vida. A relação entre a mãe e a criança
pode ser difícil em conseqüência de uma gestação ou de um
parto difícil. A depressão pós-parto ou a falta de apoio
paterno, de parentes ou de amigos, também pode dificultar a
relação entre a mãe e a criança. O horário de alimentação e
de sono da criança também contribuem para essa dificuldade.
A maioria dos recém-nascidos não dorme a noite toda até o 2º
ou 3º mês de vida. Durante esse período, a maioria das
crianças apresenta episódios freqüentes de choro intenso e
prolongado. Ao sentimento de desespero, podem ser
adicionadas a exaustão, a hostilidade e a culpa, afetando a
sua relação com a criança. A má relação pode tornar mais
lento o desenvolvimento das habilidades mentais e sociais da
criança e pode provocar problemas de desenvolvimento físico
e psicológico.
Tratamento
Na psicoterapia, o psicólogo instrui os pais sobre as
dificuldades de desenvolvimento da criança e também fornece
orientações úteis sobre a melhor maneira de enfrentar a
situação. O profissional também avalia e analisa o
comportamento da criança. Essas medidas ajudam os pais a
serem mais realistas e a compreenderem que a culpa e o
conflito são emoções normais na criação de um filho. Ter
consciência disso permite que os pais aceitem os seus
sentimentos e tentem reconstruir uma relação saudável.
1.2 - Ansiedade da separação
O ato de chorar quando a mãe deixa o quarto ou quando um
estranho se aproxima é um estágio normal do desenvolvimento
que começa em torno do 8º mês de vida e que dura até os 18
ou 24 meses de idade. A intensidade desse comportamento
varia de criança para criança. Contudo, alguns pais
(sobretudo os que têm o primeiro filho) acreditam que a
ansiedade da separação é um problema emocional e respondem à
situação com uma atitude excessivamente protetora, evitando
as separações e situações novas. Esse comportamento pode
acarretar problemas na maturação e no desenvolvimento da
criança. Alguns pais interpretam a ansiedade da separação
como um sinal de que a criança está sendo mimada e podem
criticar a mãe ou tentam modificar o comportamento da
criança com reprimendas físicas ou castigos.
Tratamento
O psicólogo assegura aos pais que esse tipo de comportamento
é normal e também pode ensinar-lhes como enfrentar a
situação. Os pais são estimulados a tornarem-se cada vez
menos protetores e restritivos, permitindo à criança que ela
se desenvolva normalmente.
1.3 - Problemas de disciplina
A disciplina é uma técnica de recompensas e castigos que
visa reforçar um comportamento desejado. Quando utilizados
com parcimônia, os esforços para controlar o comportamento
de uma criança por meio de reprimendas ou castigos físicos
(por exemplo, dar algumas palmadas) podem funcionar durante
algum tempo. Contudo, tornam-se ineficazes quando utilizados
demasiadamente. Repreender ou bater também pode reduzir a
sensação de segurança e a auto-estima da criança. O fracasso
em disciplinar adequadamente uma criança pode acarretar
comportamentos socialmente inaceitáveis. As ameaças de
abandono por parte dos pais ou de mandar a criança embora
podem ser prejudiciais psicologicamente.
Tratamento
Os elogios e as recompensas podem reforçar um bom
comportamento.
Para o mau comportamento, um tempo de castigo (exclusão)
pode ser muito útil. Esse procedimento requer um relógio de
cozinha e uma cadeira. A cadeira é colocada em um local sem
diversões (por exemplo, brinquedos ou televisão) e a criança
deverá permanecer sentada na proporção de 1 minuto por ano
de idade (por exemplo, com 5 anos permanece por 5 minutos
sentada). Antes, deve ser explicado a ela quais são os
comportamento considerados inadequados e qual será o castigo
caso eles aconteçam. Na primeira vez que ela se comportar
inadequadamente, será advertida. Na segunda vez, será levada
para a cadeira e será explicado a ela porque está de
castigo, qual foi o comportamento inadequado. A criança não
deve ser colocada no próprio quarto, em um local escuro ou
amedrontador. O castigo (exclusão) é um processo de
aprendizado para a criança, o ideal é que ela seja utilizada
para tipos determinados de comportamento inadequado.
Como a maioria das crianças prefere a atenção que lhes é
dada por um comportamento inadequado que a total ausência de
atenção, os pais devem criar diariamente momentos especiais
de interação agradável com a criança. As interações
agradáveis também são uma boa oportunidade para recompensar
o bom comportamento.
O psicólogo orienta os pais na condução deste procedimento
que é uma aprendizagem tanto para a criança como para eles
próprios. Muitas vezes, torna-se necessário que os pais
também sejam acompanhados, pois eles passam por muitos
sentimentos ambivalentes, como ansiedade, frustração,
impotência, insegurança, etc.
1.4 - Padrão de comportamento de círculo vicioso
Os círculos viciosos geralmente começam quando uma criança é
agressiva e resistente. Os pais ou as pessoas que cuidam da
criança respondem com repreensão, gritos ou batendo na
mesma. Eles podem estar reagindo frente à atitude negativa
típica de uma criança de 2 anos de idade ou a uma resposta
malcriada de uma criança de 4 anos ou pode estar tentando
enfrentar uma criança que apresenta um temperamento difícil
desde o nascimento. Esse tipo de criança, ao invés de
chorar, freqüentemente reage ao estresse e ao desconforto
emocional com teimosia, respostas malcriadas, agressividade
e mau humor.
Os círculos viciosos também podem ocorrer quando os pais
reagem com superproteção e um excesso de permissividade a
uma criança medrosa, muito dependente ou manipuladora. Os
pais geralmente levam a criança ao médico por causa de
problemas “clínicos” (por exemplo, falta de apetite e sono
agitado), os quais acabam revelando-se relacionados ao
comportamento.
Um dia típico inclui conflitos na hora das refeições, de
tomar banho e dificuldades quando os pais devem deixar a
criança (por exemplo, ao sair para o trabalho e na hora de
dormir). Os pais tendem a realizar tarefas que a criança
poderia fazer sozinha (por exemplo, vestir-se e
alimentar-se). Os pais freqüentemente supõem incorretamente
que a criança pode ser prejudicada quando submetida a uma
disciplina mais rígida.
Tratamento
O padrão de círculo vicioso pode ser rompido quando os pais
aprendem a ignorar o mau comportamento que não afeta os
direitos dos outros (por exemplo, acessos de mau humor e
recusas em se alimentar). Quando o comportamento não pode
ser ignorado, pode ser tentada uma distração ou um castigo
(exclusão). Os pais também podem reduzir o atrito e
estimular o bom comportamento da criança com elogios
adequados. Além disso, os pais e a criança devem passar
diariamente pelo menos 20 ou 30 minutos envolvidos em uma
atividade mutuamente agradável.
Quando esses ajustes não rompem o padrão de círculo vicioso
do comportamento em 3 a 4 meses, pode ser necessária a
avaliação da criança por um psicólogo.
Procedimento de Castigo (Método de Exclusão)
• A criança apresenta um comportamento inadequado sobre o
qual já foi explicado que ela seria submetida a um tempo de
exclusão (castigo).
• É brevemente explicado à criança o seu mau comportamento.
A seguir, lhe é solicitado calmamente que ela dirija-se à
cadeira de castigo ou, quando necessário, ela é levada até a
cadeira.
• Após ela sentar-se na cadeira, o relógio de cozinha é
ajustado para que dure 1 minuto para cada ano de idade.
• Quando a criança levanta-se da cadeira antes do alarme
tocar, ela deve ser reconduzida à cadeira e o relógio é
novamente ajustado. Deve-se evitar falar ou manter contato
visual com a criança.
• Quando chega o momento da criança levantar-se, a pessoa
responsável pergunta, sem raiva e sem queixar-se, se ela
sabe a razão do castigo. Quando a criança não se recorda do
motivo correto, este lhe será brevemente recordado.
• Antes de criança levantar-se, deve pedir desculpa pelo
comportamento inadequado.
• Após algum tempo, a pessoa que cuida da criança deve tecer
comentários sobre o comportamento louvável da criança. Este
comportamento pode ser mais facilmente obtido quando a
criança é iniciada numa nova atividade, longe da cena do
comportamento inadequado.
2 – PROBLEMAS DE ALIMENTAÇÃO
Uma diminuição normal de apetite, causada por uma menor taxa
de crescimento, é comum em crianças entre 1 e 8 anos de
idade. Os problemas de alimentação podem ocorrer quando os
pais ou a pessoa que cuida da criança tenta obrigá-la a
comer ou demonstra uma preocupação demasiada em relação ao
apetite ou aos hábitos alimentares da mesma. Enquanto os
pais a obrigam ou a ameaçam, a criança com problemas de
alimentação pode permanecer sentada à mesa com o alimento na
boca. Algumas crianças podem vomitar em resposta às
tentativas dos pais de alimentá-las à força.
Tratamento
O tratamento requer a diminuição da tensão e das emoções
negativas que rodeiam as horas das refeições. As cenas
emocionais podem ser evitadas colocando-se o alimento em
frente da criança e removendo-o após 15 ou 20 minutos sem
qualquer comentário. Deve ser permitido que a criança coma o
que estiver na mesa na hora da refeição, mas deve lhe ser
proibido o consumo de qualquer lanche e guloseimas entre as
refeições. Com essa técnica, o equilíbrio entre o apetite, a
quantidade de alimento consumida e as necessidades
nutricionais é rapidamente restaurado.
A psicoterapia é importante na orientação dos pais na
condução deste procedimento, pois, mais uma vez, é uma
aprendizagem tanto para a criança como para eles próprios.
Muitas vezes, os pais apresentam dificuldades em lidar com
seus sentimentos, já que estão lidando com algo fundamental
para a saúde física e psicológica de sua criança.
3 – PROBLEMAS DE SONO
Os pesadelos são sonhos assustadores que ocorrem durante o
sono REM (rapid eye movement, movimentos rápidos dos olhos).
Uma criança que tem um pesadelo geralmente desperta
totalmente e consegue recordar o sonho com detalhes. Um
pesadelo ocasional é normal e o conforto dos pais ou da
pessoa que cuida da criança é o suficiente. Contudo, a
ocorrência freqüente de pesadelos é anormal e pode indicar
um problema psicológico subjacente. As experiências
assustadoras (por exemplo, histórias de terror ou programas
de televisão violentos) podem causar pesadelos. Essa causa é
particularmente comum em crianças com 3 a 4 anos de idade,
as quais ainda não conseguem distinguir claramente a
fantasia da realidade.
Os terrores noturnos são episódios nos quais a criança
desperta de forma incompleta e com extrema ansiedade logo
após adormecer. A criança não consegue recordar desses
episódios.
O sonambulismo consiste no ato de levantar-se da cama e
caminhar pela casa aparentemente dormindo.
Tanto os terrores noturnos como o sonambulismo geralmente
ocorrem no despertar incompleto do sono profundo (não-REM),
interrompendo as três primeiras horas de sono. Os episódios
duram de alguns segundos a vários minutos. Os terrores
noturnos são dramáticos, devido aos gritos e ao pânico
inconsolável da criança aterrorizada durante o episódio.
Eles são mais comuns entre os 3 e os 8 anos de idade.
Um indivíduo sonâmbulo caminha desajeitadamente mas,
geralmente, evita bater em objetos. Ele parece confuso, mas
não assustado. Uma criança sonâmbula desperta abruptamente,
com um olhar vazio ou confuso. A princípio, ela não está
totalmente acordada e nem responde a outras pessoas. Pela
manhã, a criança não consegue se lembrar do episódio.
Aproximadamente 15% das crianças com 5 a 12 anos de idade
apresentam pelo menos um episódio de sonambulismo, mais
comumente meninos em idade escolar. Um evento estressante
pode desencadear um episódio.
A resistência para ir dormir é um problema comum,
particularmente em crianças com 1 a 2 anos de idade. As
crianças mais novas choram quando deixadas sozinhas no berço
ou saem do berço e vão em busca dos pais. Este comportamento
está relacionado à ansiedade da separação e às tentativas da
criança de controlar mais aspectos de seu ambiente familiar.
O despertar durante a noite é um outro problema do sono em
crianças pequenas. Aproximadamente metade das crianças com 6
a 12 meses de idade despertam durante a noite. As crianças
com ansiedade da separação freqüentemente apresentam
episódios de despertar durante a noite. Nas crianças
maiores, o despertar noturno geralmente ocorre após uma
viagem, uma doença ou um outro evento estressante. Os
problemas do sono podem ser exacerbados por dormir muito no
final da tarde ou pelas brincadeiras excessivamente
estimulantes antes da hora de dormir.
Tratamento
Tanto os terrores noturnos como o sonambulismo quase sempre
desaparecem espontaneamente, embora episódios ocasionais
possam ocorrer durante anos. As crianças que apresentam
persistência desses distúrbios até a adolescência e a vida
adulta podem desenvolver outros problemas psicológicos e
necessitam de tratamento psicoterapêutico.
É totalmente inútil deixar que a criança que apresenta
resistência para se deitar se levante ou que ela permaneça
no quarto dos pais o tempo que deseje para que se sinta
melhor. Permitir que a criança durma com os pais somente
prolonga o problema do despertar noturno. Também são medidas
contraproducentes brincar com a criança ou alimentá-la
durante a noite, assim como bater ou repreendê-la.
Geralmente, levar a criança de volta ao quarto e
tranqüilizá-la é mais eficaz. Acalmar a criança contando uma
história curta, oferecer-lhe sua boneca ou seu cobertor
preferido e manter uma luz acesa são medidas freqüentemente
úteis. Para controlar totalmente o problema, um dos pais
pode ter que permanecer silenciosamente no corredor, em
frente ao quarto e bem à vista da criança, para
certificar-se de que ela permanecerá na cama. Desta forma, a
criança aprenderá que não lhe é permitido sair da cama.
A criança também aprende que os pais não podem ser induzidos
a ficar no quarto para contar mais histórias ou brincar.
Finalmente, a criança acalma-se e acaba dormindo.
Para uma criança que se levanta da cama e caminha pela casa,
a instalação de uma trava de segurança instalada no lado de
fora da porta do seu quarto pode solucionar o problema. No
entanto, esta medida somente deve ser adotada após o
problema ser cuidadosamente analisado, para que a criança
não se sinta isolada.
4 – PROBLEMAS DE APRENDIZADO DOS HÁBITOS DE HIGIENE
A maioria das crianças possuem controle intestinal entre os
2 e 3 anos de idade e o controle vesical (da bexiga) entre
os 3 e 4 anos. Em torno dos 5 anos, uma criança normal
consegue ir ao banheiro sozinha e domina todos os aspectos
dos atos de vestir-se, despir-se e limpar-se. Contudo,
aproximadamente 30% das crianças normais com 4 anos de idade
e 10% de crianças com 6 anos ainda não apresentam um
controle noturno constante.
Prevenção e tratamento
O melhor modo de se evitar os problemas relacionados com a
interrupção do uso de fraldas é reconhecer quando a criança
está pronta para ela. Isto é indicado quando a criança
permanece seca durante várias horas e deseja ser trocada
quando está molhada. A criança também demonstra interesse em
sentar em uma cadeirinha com penico ou no vaso sanitário e é
capaz de responder a comandos verbais simples. Geralmente,
as crianças estão preparadas entre os 24 e 36 meses de
idade.
O método mais comum de treinamento de uso do vaso sanitário
é o das horas fixas. Quando uma criança parece preparada,
ela é apresentada à cadeirinha sanitária e, gradualmente,
lhe é solicitado que sente-se na mesma totalmente vestida. A
seguir, ela é estimulada a praticar o ato de abaixar as
calças, sentar-se na cadeirinha (durante não mais que 5 a 10
minutos) e voltar a vestir-se. Explicações simples são
repetidas várias vezes e estas são reforçadas pela colocação
de fraldas molhadas ou sujas dentro do penico da cadeirinha.
Quando a criança age do modo esperado, ela é elogiada ou
recompensada. As demonstrações de raiva ou o castigo por um
fracasso ou um acidente podem ser contraproducentes. O
método das horas fixas funciona bem para as crianças que
urinam ou evacuam em horários previsíveis. É difícil prover
o incentivo e as recompensas necessários para as crianças
com horários imprevisíveis. É melhor adiar o treinamento
dessas crianças até que elas possam prever sozinhas a
necessidade de ir ao banheiro.
Um segundo método de treinamento exige a utilização de uma
boneca. Para uma criança que parece estar preparada, lhe são
ensinadas as etapas do uso do sanitário simulando-se o uso
do vaso sanitário com a boneca. Esta é elogiada por estar
com as calças secas e por cumprir satisfatoriamente cada
etapa do processo. Em seguida, a criança imita este processo
repetidamente com a boneca, também elogiando-a. Finalmente,
a criança imita a boneca e realiza as etapas, enquanto sua
mãe ou seu pai a elogia e a recompensa.
Quando uma criança recusa-se a sentar no vaso sanitário,
pode-se permitir que ela levante e tente novamente após
alimentar-se. Quando ela continua a resistir durante dias, a
melhor estratégia é postergar o treinamento por várias
semanas. Elogiar ou recompensar a criança que se senta no
vaso sanitário e consegue cumprir satisfatoriamente todas as
etapas são medidas eficazes tanto para as crianças normais
como para as com retardo mental. Assim que o padrão é
estabelecido, ela é recompensada para cada um dos êxitos e,
em seguida, a recompensa é gradualmente reduzida. As lutas
de poder são improdutivas e podem causar uma tensão na
relação pais-filho, criando um círculo vicioso de pressão e
resistência.
4.1 – Enurese noturna
A enurese noturna (urinar na cama à noite) é a micção
acidental e repetida durante o sono por uma criança com
idade suficiente para controlar seus esfíncteres.
Aproximadamente 30% das crianças apresentam enurese aos 4
anos de idade, 10% aos 6 anos, 3% aos 12 anos e 1% aos 18
anos. A enurese é mais comum em meninos que em meninas e
parece ocorrer em famílias com histórico de enurese. É
geralmente causada pela lenta maturação, embora, algumas
vezes, ela acompanhe os distúrbios do sono (por exemplo,
sonambulismo e terrores noturnos). Em 1 a 2% dos casos, a
causa pode ser um distúrbio físico (geralmente uma infecção
das vias urinárias). Em raros casos, outros distúrbios (por
exemplo, diabetes) podem fazer com que a criança molhe a
cama. Frequentemente, a enurese é causada por problemas
psicológicos, tanto na criança como no ambiente familiar. A
criança pode começar a molhar a cama quando esta triste ou
zangada (por exemplo, nascimento de um irmão, mãe que começa
a trabalhar fora). Depois que a criança foi adequadamente
treinada para ir ao banheiro, a enurese pode estar associado
a abuso sexual.
As crianças não molharam suas camas de propósito. A cama
molhada com urina é desconfortável e faz com que a criança
se sinta envergonhada. Crianças com mais de 3 anos se sentem
muito mal quando urinam na cama, podem ter medo de ir a
Festas do Pijama ou a acampamentos, e de dormir na casa de
amigos.
Algumas vezes, a enurese cessa e, a seguir, recomeça. Esta
recaída normalmente ocorre após um evento ou um distúrbio
psicologicamente estressante.
Tratamento
Para as crianças com menos de 6 anos de idade, geralmente
espera-se que o problema desapareça com o tempo. Anualmente,
em 15% das crianças com mais de 6 anos de idade, a enurese
desaparece espontaneamente. Quando isto não ocorre, dois
tipos diferentes de tratamento podem ser tentados: a
psicoterapia e o tratamento medicamentoso.
A psicoterapia é provavelmente o tratamento mais comumente
utilizado. Tanto a criança quanto os pais recebem
tratamento. São investigadas e trabalhadas as causas
psicológicas geradoras da enurese. É necessário restabelecer
um ambiente familiar tranqüilo e acolhedor. Eles aprendem
que a enurese é muito comum, que ela pode ser corrigida e
que ninguém deve sentir-se culpado por isso.
Atualmente, o tratamento medicamentoso é utilizado muito
menos freqüentemente que no passado. Além disso, os
medicamentos podem produzir efeitos colaterais. No entanto,
quando os outros tratamentos fracassam e a família deseja o
tratamento medicamentoso, o médico pode prescrever a
imipramina. A imipramina é uma droga antidepressiva que
relaxa a bexiga e contrai o esfíncter que bloqueia o fluxo
urinário. Quando o tratamento funciona, o resultado é
observado na primeira semana de tratamento. A resposta
rápida é a única vantagem real do medicamento,
particularmente quando a família e a criança sentem a
necessidade de resolver o problema rapidamente. Após a
criança passar um mês sem urinar na cama, a dose do
medicamento é reduzida ao longo de 2 a 4 semanas e, a
seguir, ele é suspenso. Contudo, aproximadamente 75% das
crianças tratadas com imipramina voltam a apresentar enurese
noturna. Quando isto ocorre, pode ser tentado um esquema
terapêutico de três meses com esta droga. Enquanto a criança
estiver tomando a imipramina, a cada 2 a 4 semanas são
coletadas amostras de sangue para se assegurar que não houve
uma redução acentuada da quantidade de leucócitos (glóbulos
brancos), um efeito colateral raro mas grave.
Uma alternativa é o spray nasal de desmopressina. Esta droga
reduz o débito urinário. Ela produz poucos efeitos
colaterais, mas é cara.
Terapia Comportamental para a Enurese
Responsabilidades da criança
• Manter um calendário para anotar as noites molhadas e
secas
• Abster-se de ingerir qualquer tipo de líquido 2 a 3 horas
antes de ir para a cama
• Urinar antes de ir para a cama
• Trocar as roupas pessoais e de cama quando urinar
Responsabilidades dos pais
• Não punir a criança por ter urinado na cama, nem ficar
bravo quando isto ocorrer
• Elogiar e recompensar (uma estrela no calendário ou outros
tipos de recompensa, dependendo da idade da criança) por
cada noite seca
• Colocar o despertador para acordar a criança 2 a 3 horas
após ela ter dormido, para que ela se levante e vá ao
banheiro
• Durante o dia, realizar um treinamento que consiste em
fazer com que a criança, após manifestar a vontade de
urinar, se abstenha voluntariamente da micção pelo maior
período de tempo possível. Indo ao banheiro, soltar um jato
de urina e logo após prender a urina, contar até 5 e soltar
outro jato de urina e logo após prender novamente, contar
até 5 e repetir a operação até acabar de urinar. A cada dia,
aumentar a contagem, o tempo de retenção da urina.
4.2 - Encoprese
A encoprese é a evacuação involuntária que não é causada por
uma doença ou uma anomalia física.
Aproximadamente 17% das crianças com 3 anos de idade e 1%
das crianças com 4 anos apresentam evacuações involuntárias.
A maioria dessas evacuações involuntárias são decorrentes da
resistência ao treinamento do uso do vaso sanitário. No
entanto, a encoprese é algumas vezes causada pela
constipação crônica, a qual distende a parede intestinal,
reduz a percepção da criança de que seu intestino está cheio
e compromete o controle muscular.
Tratamento
Inicialmente, o médico procura determinar se a causa é
física ou psicológica. Quando a causa é a constipação, um
laxante é prescrito e outras medidas são instituídas para
assegurar a evacuação normal. Quando isto falha, exames
diagnósticos devem ser realizados. O tratamento psicológico
pode ser necessário para as crianças cuja encoprese é
resultante da resistência ao treinamento para o uso do vaso
sanitário ou apresenta problemas psicológicos pessoais ou
familiares.
Causas de Constipação Crônica Que Acarretam a Encoprese
• Reter as fezes por medo de usar o vaso sanitário
• Resistência ao treinamento do uso do vaso sanitário
• Laceração dolorosa do revestimento do ânus (fissura anal)
• Defeitos congênitos (p.ex., anomalia da medula espinhal ou
anomalias anais)
• Doença de Hirschsprung
• Concentração baixa do hormônio tireoidiano
• Desnutrição
• Paralisia cerebral
• Distúrbios psicológicos na criança ou na família
5 – FOBIAS
Uma fobia é um medo irracional ou exagerado de objetos,
situações ou funções corpóreas que não são inerentemente
perigosos.
As fobias são diferentes dos medos normais de um determinado
estágio do desenvolvimento da criança ou dos temores
causados por conflitos familiares. A fobia à escola é um
exemplo de temor exagerado. Ela pode fazer que uma criança
com 6 ou 7 anos se recuse terminantemente a ir à escola. A
criança pode recusar-se diretamente a ir à escola ou pode
queixar-se de dor de estômago, de cabeça, náusea ou outros
sintomas que justifiquem a sua permanência em casa. Esta
criança pode estar apresentando uma reação exagerada de medo
ao rigor ou às reprimendas de um professor, medo de não
aprender, medo dos colegas não gostarem dela, medo de se
separar dos pais, medo de fazer alguma coisa errada, e etc.
fatores que podem atemorizar uma criança sensível.
Todos
esses medos indicam que a criança sente-se insegura,
desprotegida, com auto-estima baixa, pode ter dificuldades
de se expressar, de se relacionar, ser tímida e outros
desajustes psicológicos. Nas crianças maiores, com 10 a 14
anos de idade, a fobia à escola pode ser um indício de um
problema psicológico mais grave.
Tratamento
A criança menor com fobia à escola deve retornar à escola
imediatamente para não se atrasar em suas tarefas escolares.
Quando a fobia é muito intensa e interfere na atividade da
criança e esta não responde ao apoio dos pais ou dos
professores, pode ser necessário o seu encaminhamento a um
psicólogo. Algumas crianças parecem recuperar-se da fobia à
escola, voltando a apresentá-la após uma doença real ou no
retorno das férias.
Medos Normais na Infância
O medo da escuridão, de monstros, de insetos e de aranhas
são comuns nas crianças com 3 a 4 anos de idade. O medo da
morte e o de se machucar são mais comuns em crianças
maiores. As histórias, filmes ou programas de televisão
assustadores são freqüentemente desagradáveis para as
crianças e podem aumentar os seus medos. Afirmações que os
pais podem fazer em momentos de raiva ou de brincadeira
podem ser interpretadas literalmente pelas crianças em idade
pré-escolar e podem causar perturbações. As crianças tímidas
podem reagir a situações novas com medo ou isolamento.
Uma criança pode ser confortada por atitudes
tranqüilizadoras dos pais (por exemplo, explicações de que
monstros não existem, de que as aranhas são inofensivas e de
que o que foi visto na televisão não é real). Quando os pais
fazem afirmações que perturbam a criança, tanto em momentos
de raiva como de brincadeira, elas devem ser explicadas para
diminuir a inquietação da criança. Os pais podem ajudar uma
criança tímida a adaptar-se a uma situação que lhe causa
medo, expondo-a repetidamente à mesma situação, sem pressão,
e oferecendo-lhe segurança.
6 – HIPERATIVIDADE
A hiperatividade é um nível de atividade e excitação tão
elevado em uma criança que preocupa os pais e as pessoas que
cuidam da mesma.
Geralmente, as crianças com 2 anos de idade são ativas e
raramente permanecem quietas. Também é normal que uma
criança com 4 anos seja muito ativa e faça muito barulho. Em
ambas as faixas etárias, este comportamento é normal para o
estágio de desenvolvimento. Contudo, o comportamento ativo
freqüentemente causa conflitos entre pais e filhos e pode
preocupar os pais. Se o nível de atividade é percebido como
hiperatividade freqüentemente depende de grau de tolerância
da pessoa importunada. Contudo, algumas crianças são
claramente mais ativas e possuem períodos de atenção mais
curtos que o considerado normal.
A hiperatividade pode ter várias causas (por exemplo,
distúrbios emocionais ou anomalias da função cerebral). Por
outro lado, a hiperatividade pode ser simplesmente um
exagero do temperamento normal da criança.
Tratamento
Os adultos geralmente enfrentam a hiperatividade da criança
com reprimendas e castigos. No entanto, essas respostas
geralmente acabam surtindo o efeito contrário, aumentando o
nível de atividade da criança. O melhor tratamento é a
associação da psicoterapia e a utilização de medicamentos
prescritos por neurologista ou psiquiatra.
Na psicoterapia a meta é ajudar a criança hiperativa a fazer
o melhor possível, em casa, na escola e com os amigos. A
entender o problema contra o qual está lutando, a
estabelecer metas e padrões, reconhecer e avaliar seu
comportamento, lidar com a frustração e diminuir a
ansiedade.
Os pais da criança hiperativa precisam de acompanhamento
psicológico e merecem muita atenção e consideração. É
preciso muita paciência - e vigor - para amar e apoiar a
criança hiperativa em todos os desafios e frustrações
inerentes à doença. Os pais da criança hiperativa estão
sempre preocupados e atentos, sempre "em alerta".
Conseqüentemente, é fácil sentirem-se cansados, abatidos e
frustrados, às vezes. É de importância vital para os pais da
criança hiperativa serem bons consigo mesmos, descansar
quando apropriado, além de buscar e aceitar ajuda para eles
e para a criança.
Para um melhor desenvolvimento da aprendizagem, pode ser
útil evitar as situações nas quais a criança deve permanecer
sentada e imóvel durante um período prolongado e encontrar
uma escola preparada para a educação de crianças hiperativas.
7 – DISTÚRBIO DO DÉFICIT DA ATENÇÃO
O distúrbio do déficit da atenção é caracterizado pela
incapacidade da criança de prestar atenção adequadamente ou
por um período de tempo adequado e por uma impulsividade
inadequada para a idade, com ou sem hiperatividade.
Estima-se que o distúrbio do déficit de atenção afeta 5 a
10% de crianças em idade escolar, sendo diagnosticada 10
vezes mais freqüentemente em meninos que em meninas.
Freqüentemente, muitos sintomas do distúrbio do déficit de
atenção são observados antes dos 4 anos e invariavelmente
antes dos 7 anos, mas eles podem não interferir de modo
importante até o meado dos anos escolares.
Este distúrbio geralmente é hereditário. As pesquisas
recentes indicam que ele é causado por anomalias dos
neurotransmissores (substâncias que transmitem os impulsos
nervosos no interior do cérebro). O distúrbio do déficit de
atenção é freqüentemente acentuado pelo ambiente familiar ou
escolar.
Sintomas
O distúrbio do déficit de atenção é basicamente um problema
de manutenção da atenção e da concentração e de persistência
nas tarefas. Uma criança com o distúrbio do déficit de
atenção também pode ser impulsiva e hiperativa. Muitas
crianças em idade pré-escolar que o apresentam são ansiosas,
apresentam problemas de comunicação e de interação e
comportam-se inadequadamente. No final da infância, essas
crianças podem movimentar continuamente os membros
inferiores, mover e esfregar as mãos, falar impulsivamente,
esquecer com facilidade e ser desorganizadas, embora elas
geralmente não sejam agressivas. Aproximadamente 20% das
crianças com distúrbio do déficit de atenção apresentam
problemas de aprendizado e aproximadamente 90% apresentam
problemas de comportamento. Cerca de 40% apresentam
depressão, ansiedade e rebeldia ao chegarem à adolescência.
Aproximadamente 60% das crianças menores apresentam
problemas de relacionamento (por exemplo, episódios de mau
humor) e a maioria das crianças maiores apresentam uma baixa
tolerância à frustração. Embora a impulsividade e a
hiperatividade tendam a diminuir com a idade, a desatenção e
os sintomas relacionados podem perdurar até a vida adulta.
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado na quantidade, na freqüência e na
gravidade dos sintomas. Freqüentemente, o diagnóstico é
difícil, pois ele depende da avaliação do observador. Além
disso, muitos sintomas não são exclusivos de crianças com o
distúrbio. Uma criança sem distúrbio do déficit de atenção
pode apresentar um ou mais desses sintomas.
Tratamento e Prognóstico
As drogas psicoestimulantes representam o tratamento mais
eficaz. A psicoterapia realizada por um psicólogo infantil é
geralmente combinada ao tratamento medicamentoso.
Freqüentemente, são necessárias estruturas, rotinas e
técnicas adaptadas para cada circunstância. O tratamento
medicamentoso pode ser suficiente para resolver o distúrbio
em crianças que não são demasiadamente agressivas e são
provenientes de um ambiente familiar estável. Caso
contrário, a psicoterapia deve mobilizar toda a família a
fim de se trabalhar os relacionamentos e a dinâmica
familiar.
O metilfenidato é a droga prescrita mais freqüentemente. Ela
demonstrou ser mais eficaz que os antidepressivos, a cafeína
e outros psicoestimulantes e que produz menos efeitos
colaterais que a dextroanfetamina.
É importante fazer um tratamento psicoterapêutico adequado
do distúrbio para se tentar minimizar conseqüências futuras
do problema como, fracasso nos estudos, baixa auto-estima,
ansiedade, depressão e dificuldade para adquirir um
comportamento social adequado. Os indivíduos com distúrbio
do déficit de atenção parecem ajustar-se melhor às situações
laborativas que às escolares.
Quando o distúrbio não é
tratado, o risco de uso abusivo de álcool ou de drogas ou o
risco de suicídio são mais elevados entre as pessoas com
este distúrbio que na população geral.
Sintomas do Distúrbio do Déficit da Atenção
O diagnóstico do distúrbio do déficit de atenção usualmente
exige que a criança apresente freqüentemente pelo menos 8
dos 14 sintomas seguintes:
• Ela esfrega freqüentemente as mãos ou os pés ou fica se
contorcendo na cadeira (agitação)
• Apresenta dificuldade para permanecer sentada quando lhe é
exigido
• Distrai-se facilmente com estímulos externos
• Apresenta dificuldade para esperar a sua vez em jogos ou
situações de grupo
• Freqüentemente, deixa escapar impulsivamente as respostas
antes que as perguntas sejam concluídas
• Apresenta dificuldade para seguir instruções de outros,
mesmo quando ela as compreende e não tenta contrariá-las
• Apresenta dificuldade para manter a atenção em tarefas ou
em atividades lúdicas
• Freqüentemente passa de uma tarefa incompleta a outra
• Apresenta dificuldade para brincar tranqüilamente
• Freqüentemente ela fala excessivamente
• Freqüentemente ela interrompe ou incomoda os outros
• Freqüentemente ela parece não escutar o que está sendo
dito
• Freqüentemente ela perde as coisas necessárias para
tarefas ou atividades na escola ou em casa
• Freqüentemente ela envolve-se em atividades físicas
perigosas sem levar em consideração as possíveis
conseqüências
8 – DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
As dificuldades de aprendizagem são incapacidades em
adquirir, reter e utilizar amplamente as habilidades
específicas ou as informações decorrentes de déficits da
atenção, da memória ou do raciocínio, afetando o desempenho
escolar.
Existem muitos tipos de dificuldades de aprendizagem e não
existe uma única causa responsável por elas. Contudo,
acredita-se que a base de todas as elas seja uma função
cerebral anormal. A incidência de incapacidades de
aprendizagem é 5 vezes maior entre os meninos que entre as
meninas.
Sintomas
Uma criança pequena que apresenta uma dificuldade de
aprendizagem geralmente apresenta problemas para coordenar a
visão com os movimentos e pode ser desajeitada ao realizar
atividades físicas (por exemplo, cortar, colorir, abotoar a
roupa, dar laço em cadarços de sapatos e correr). A criança
pode ter problemas de percepção visual ou de processamento
dos sons (por exemplo, identificação de seqüências ou
padrões e distinção de sons) ou problemas de memória, de
fala, de raciocínio e de audição. Algumas crianças
apresentam problemas de leitura, outras de escrita e outras
de cálculo. No entanto, a maioria das dificuldades de
aprendizagem são complexas e acompanhadas de incapacidades
em outras áreas.
A criança menor pode ser lenta para aprender os nomes das
cores ou das letras, para designar palavras aos objetos
familiares, para contar e para progredir em outras
habilidades iniciais do aprendizado. A aprendizagem da
leitura e da escrita pode ser retardada. Outros sintomas
são: o baixo nível de atenção e a distração, a fala
titubeante e a pouca memória. A criança pode apresentar
dificuldade para desenhar e copiar, atividades que exigem
uma coordenação motora fina.
Uma criança com uma incapacidade de aprendizagem pode
apresentar dificuldade para comunicar-se e para controlar
seus impulsos e pode ter problemas disciplinares. Pode
distrair-se facilmente, ser hiperativa, introvertida, tímida
ou agressiva.
Diagnóstico e Tratamento
O médico examina a criança para detectar qualquer distúrbio
físico. A seguir, a criança é submetida a uma série de
testes de inteligência, verbais e não-verbais, incluindo
teses de leitura, de escrita e de habilidade matemática. O
teste psicológico é a etapa final da avaliação.
Apesar de sua eficácia não ter sido demonstrada,
freqüentemente são adotadas medidas como a eliminação de
aditivos alimentares, a administração de doses elevadas de
vitaminas e a determinação da concentração sérica de
elementos vestigiais (oligominerais).
Não existe um tratamento medicamentoso que tenha um efeito
importante sobre o rendimento escolar, a inteligência e a
capacidade geral de aprendizado. No entanto, certas drogas
(por exemplo, metilfenidato) podem melhorar a atenção e a
concentração. Esta melhoria aumenta a capacidade de
aprendizado da criança.
O tratamento mais útil para uma dificuldade de aprendizagem
é a educação cuidadosamente adaptada de forma individual e a
psicoterapia para a criança e orientação psicológica para
seus pais.
8.1 – Dislexia
A dislexia é fundamentalmente uma incapacidade específica de
aprendizagem baseada na linguagem. Este distúrbio interfere
no aprendizado das palavras e da leitura, apesar da criança
possuir uma inteligência normal ou acima da normal, uma
motivação adequada e oportunidades educativas adequadas e
uma visão e uma audição normais.
A dislexia tende a ocorrer em crianças com histórico
familiar e sua incidência é maior entre os meninos que entre
as meninas. A dislexia é causada sobretudo por deficiências
no processamento de sons e da linguagem falada. As
deficiências estão presentes desde o nascimento, afetam a
decodificação das palavras e podem causar problemas de
ortografia e de escrita.
Substituições Comuns de Palavras e Letras na Dislexia
________________________________________
Estas letras e palavras são substituídas por Estas
letras e palavras
f
t
d
b
m
n
w
m
v
f
sol
los
som
mos
Sintomas e Diagnóstico
As crianças disléxicas em idade pré-escolar podem demorar
muito para falar, podem apresentar problemas de articulação
das palavras e dificuldades para lembrar os nomes das
letras, dos números e das cores. As crianças disléxicas
freqüentemente apresentam dificuldade para combinar os sons,
rimar palavras, identificar a posição dos sons nas palavras,
segmentar palavras em sons e identificar o número de sons
nas palavras. Os retardos ou hesitações na escolha das
palavras, na substituição de palavras e na nomeação de
letras e números são indicadores precoces de dislexia. São
freqüentes os problemas de memória recente para os sons e
para colocá-los na ordem correta.
Muitas crianças com dislexia confundem letras e palavras com
outras semelhantes. É comum ocorrer inversão de letras
durante a escrita (por exemplo, me no lugar de em) ou a
confusão entre letras (por exemplo, d no lugar de b).
As crianças que não progridem no aprendizado da linguagem
até a metade ou o final do primeiro ano de escolarização
devem ser submetidas a exames para saber se padecem de
dislexia. As crianças que, em qualquer nível escolar, não
lêem com a desenvoltura esperada de acordo com suas
capacidades verbais ou intelectuais também devem ser
examinadas. Qualquer criança que apresente lentidão no
aprendizado da leitura ou para adquirir fluência na fala
também deve ser examinada para se descartar a dislexia.
Tratamento
O melhor tratamento é a instrução direta, a qual incorpora
aspectos multissensoriais, feito com fonoaudiólogos e
acompanhados por psicopedagogos. Este tipo de tratamento
consiste no treinamento para melhorar a pronúncia das
palavras ou a compreensão da leitura. As crianças são
ensinadas como processar sons através da combinação de sons
para formar palavras, da separação das palavras em segmentos
e através da identificação das posições dos sons nas
palavras.
8.2 - Dislalia
A dislalia é um distúrbio da fala, caracterizado pela
dificuldade em articular as palavras. Basicamente consiste
na má pronúncia das palavras, seja omitindo, acrescentando
fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda
distorcendo-os.
De modo geral, a palavra do dislálico é fluida, embora possa
ser até ininteligível, podendo o desenvolvimento da
linguagem ser normal ou levemente retardado. Não se observam
transtornos no movimento dos músculos que intervêm na
articulação e emissão da palavra.
As dislalias constituem um grupo numeroso de perturbações
orgânicas ou funcionais da palavra. No primeiro caso,
resultam da malformações ou de alterações de inervação da
língua, da abóbada palatina e de qualquer outro órgão da
fonação. Encontram-se em casos de malformações congênitas,
tais como o lábio leporino ou como conseqüência de
traumatismos dos órgãos fonadores. Por outro lado, certas
dislalias são devidas a enfermidades do sistema nervoso
central.
Quando não se encontra nenhuma alteração fisica a que possa
ser atribuído a dislalia, esta é chamada de dislalia
funcional. Nesses casos, pensa-se em hereditariedade,
imitação ou alterações emocionais e, entre essas, nas
crianças é comum a dislalia típica dos hiperativos. Também
nos deficientes mentais se observa uma dislalia, às vezes
grave ao ponto da linguagem ser acessível apenas ao grupo
familiar.
Até os quatro anos, os erros na linguagem são normais, mas
depois dessa fase a criança pode ter problemas se continuar
falando errado. A dislalia, troca de fonemas (sons das
letras), pode afetar também a escrita. Um caso clássico
característico de portador de dislalia são os personagens
Cebolinha da Turma da Mônica e o Hortelino Troca-Letras do
Looney Tunes, que sempre trocam o "R" por "L".
Tratamento
As causas da dislalia podem envolver fatores orgânicos,
sejam eles genéticos, neurológicos ou anatômicos e fatores
emocionais. Entretanto, na criança essa diferenciação não é
fundamental, já que o efeito de qualquer fator orgânico ou
psicológico tem repercussões sobre o conjunto de processos
de ordem psicológica que constituem a aquisição e o
desenvolvimento da linguagem.
Desta forma faz-se necessário o tratamento tanto
fonoaudiológico como psicológico.
Fonte:
GONÇALVES, Camila Salles. Psicodrama com Crianças: uma
Psicoterapia Possível. São Paulo: Ed. Àgora, 1988
GRUNSPUN, H. Crianças e Adolescentes com Transtornos
Psicológicos e do Desenvolvimento São Paulo: Editora Atheneu,
1999
MANNING, Sidney Alpern. O Desenvolvimento da Criança e do
Adolescente. São Paulo: Ed. Cultrix, 1977
MORENO, Zerka T. Psicodrama de Crianças. Petrópolis: Ed.
Vozes, 1975
ROSA, Merval. Psicologia Evolutiva. 6ª edição, Petrópolis:
Ed. Vozes, 1991
VIEIRA, Regina. Psicologia da Criança e Problemas de
Desenvolvimento. Petrópolis: Ed. Vozes, 1983
Contato
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