SÍNDROME DO PÂNICO

O que é Síndrome do Pânico?


Reconhecido nosologicamente na CID 10, o Transtorno do Pânico (ou ansiedade paroxística episódica – F 41.0) figura no grupo dos transtornos da ansiedade e é definido como “ataques recorrentes de ansiedade grave (pânico), os quais não estão restritos a qualquer situação ou conjunto de circunstâncias em particular e que são, portanto imprevisíveis”.


Também conhecida como Síndrome do Pânico é caracterizada pela ocorrência de freqüentes e inesperados ataques de pânico. Estes ataques, ou crises, consistem em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de alguns sintomas físicos específicos.


A Síndrome do Pânico habitualmente se inicia depois dos 20 anos, é igualmente prevalente entre homens e mulheres, portanto, em sua maioria, são jovens ou adultos jovens na faixa etária dos 20 aos 40 anos e que se encontram na plenitude da vida profissional.

Quais as pessoas predispostas à Síndrome do Pânico?


Normalmente são pessoas extremamente produtivas, costumam assumir grandes responsabilidades e afazeres, são perfeccionistas e meticulosas, muito exigentes consigo mesma e não costumam aceitar bem os erros ou imprevistos, são muito “certinhas” e impressionáveis.

Procuram evitar a confrontação com suas emoções, e se por um lado se colocam em posição de abandono, de isolamento, por outro buscam a proteção de pessoas mais velhas ou mais seguras, estabelecendo uma relação de dependência marcada por forte ansiedade de separação.


As características de personalidade mais comuns das pessoas predispostas ao transtorno de ansiedade são:


• seriedade
• perfeccionismo
• bom caráter
• sensação de pressão sobre si mesmo
• sentimento de desproteção
• preocupação com o amanhã
• pensamento negativo acerca de vários fatos e acontecimentos
• medos na infância
• presença de um dos pais autoritário ou perfeccionista


Quais são as causas da Síndrome do Pânico?


Os ataques de pânico se iniciam geralmente com um susto em relação a algumas sensações do corpo. Estas sensações disparadoras podem ser desde uma alteração nos batimentos cardíacos, uma sensação de perda de equilíbrio, tontura, falta de ar, alguma palpitação diferente ou um tremor, por exemplo.


A partir deste susto inicial, começa um processo de medo e ansiedade que vai crescendo até atingir uma intensidade em que a pessoa se sente em estado de desespero e pânico. No estado de pânico a pessoa pode se sentir "fora da realidade", com falta de ar, taquicardia, desesperada e achando que vai morrer.


As crises de pânico são estados passageiros de muito sofrimento emocional, com o pavor de que o organismo entre em colapso, com medo de desmaiar, enlouquecer e até morrer.

Quais são os sintomas da Síndrome do Pânico?


Os sintomas mais comuns nas crises de pânico são:
Taquicardia, perda do foco visual, falta de ar, dificuldade de respirar, formigamentos, vertigem, tontura, dor ou desconforto no peito, medo de perder o controle, sensação de irrealidade, despersonalização, medo de enlouquecer, sudorese, tremores, náuseas, desconforto abdominal, calafrios, ondas de calor, medo de desmaiar, sensação de iminência da morte, boca seca.


Nem todos estes sintomas podem estar presentes nas crises, mas alguns sempre estarão. Há crises mais completas e outras menores, com poucos sintomas. A freqüência dos ataques de pânico varia de pessoa para pessoa.


Uma das características da Síndrome do Pânico é a pessoa viver com muita ansiedade, na expectativa constante de ter uma nova crise. Este processo, denominado ansiedade antecipatória, leva muitas pessoas a evitarem certas situações e a restringirem suas vidas a um mínimo de atividades.


Podem ocorrer reações fóbicas secundárias, que geralmente estão relacionadas às situações nas quais a pessoa teve as primeiras crises (no elevador, dirigindo, passando por um determinado lugar, etc.). A partir daí, a pessoa passa a associar essas situações às crises. Com o tempo, os sintomas do Pânico tendem a ocorrer em outras situações também, mas é muito comum a pessoa continuar a temer situações específicas, que acentuariam o estado de ansiedade, desencadeando novas crises.


Frequentemente a pessoa precisa de alguém para acompanhá-la e se sentir mais segura e muitas vezes elege alguém como companhia preferencial. Este fator é muito importante para se compreender a dinâmica psicológica da Síndrome do Pânico.


Como tratar a Síndrome do Pânico?


A Psicoterapia é um tratamento eficaz da Síndrome do Pânico, onde é muito importante não desconsiderar o sofrimento da pessoa, ensinando técnicas que ajudem a controlar as crises de pânico e, ao mesmo tempo, poder caminhar na compreensão das causas, para que a pessoa tenha uma recuperação real.


Conjuntamente como a Psicoterapia é importante associar a utilização de medicamentos. O tratamento será sempre com antidepressivos, com ou sem o auxílio de ansiolíticos. Primeiro porque alguns antidepressivos já têm um excelente efeito ansiolítico, em segundo porque nem sempre a freqüência das crises de pânico exige o uso de ansiolíticos.


O paciente com Síndrome do Pânico freqüentemente enxerga o outro (o Psicoterapeuta inclusive) como alguém que quase magicamente vai lhe dar a segurança que ele próprio não encontra em si mesmo. Teme a crise quando está só e, estando acompanhado, sente-se como que protegido por um talismã de um perigo que parece mais vir de fora do que de si próprio.


Na psicoterapia, demonstra grande dificuldade de aprofundar qualquer emoção, mantendo uma superficialidade que por vezes faz duvidar da sua própria capacidade intelectual. Tenta desenvolver qualquer tipo de vínculo que não o terapêutico e, na primeira melhora, já pensa em interromper o tratamento.


Como a Psicoterapia Psicodramática trata a Síndrome do Pânico?


Através da Psicoterapia Psicodramática a pessoa aprende a identificar os sinais de iminência de uma crise e a adquirir um manejo do próprio corpo para diminuir a sua intensidade.


Durante este processo a pessoa passa por uma grande transformação no modo como lida com as sensações de seu corpo e a sua relação com os vínculos significativos em sua vida. Enquanto não superar estas questões, a pessoa permanece fragilizada, com possibilidade de muitas recaídas.


O Psicodrama trabalha alguns pontos básicos no tratamento da Síndrome do Pânico:


 Aprender a gerenciar as crises, diminuindo a intensidade e a incidência dos sintomas nas crises de pânico.
 Modificar a relação da pessoa com as sensações do próprio corpo, o que desorganiza os padrões somático-emocionais que mantém a ansiedade e levam ao pânico.
 Restabelecer e desenvolver a capacidade de criar e manter vínculos com pessoas significativas, o que protege do desamparo e da ansiedade.
 Elaborar os processos psicológicos que estavam atuando quando as crises começaram e que mantém a pessoa em estado de pré-pânico.
Uma das técnicas psicodramáticas mais eficaz para trabalhar estes pontos é o Psicodrama Interno, pois ele desenvolve três recursos essências ao tratamento:
 O controle da respiração, pois através da respiração é possível cortar a ansiedade e evitar um ataque de pânico;
 O relaxamento do corpo e da mente, que também alivia a ansiedade e restabelece o autocontrole;
 A auto proteção, quando a pessoa imagina um lugar agradável e seguro, onde possa restabelecer seu equilíbrio e autoconfiança.


Há uma relação significativa entre o Pânico e as crises de ansiedade disparadas pelas situações de separação na infância. Uma boa parte das pessoas que desenvolvem Síndrome do Pânico não conseguiram construir uma referência interna do outro (inicialmente a mãe) que lhe propiciasse segurança e estabilidade emocional. Esta falta de confiança pode trazer, em momentos críticos, vivências profundas de solidão, desespero, desconexão e desamparo.


A experiência do Pânico é muito próxima do desespero de uma criança pequena que se sente perdida dos pais, uma experiência limite de sofrimento intenso, de sentir-se deixada à própria sorte, frágil, sem proteção, sob o risco do aniquilamento e da morte.
Encontramos este estado de desamparo profundamente enraizado nas pessoas com Síndrome de Pânico e junto com ele, uma perda de confiança no funcionamento do próprio corpo.


As pessoas com Síndrome do Pânico sofrem com uma falta de conexão básica: falta de conexão e confiança nos vínculos e falta de conexão e confiança no corpo, o que leva a uma vivência desesperadora, como alguém isolado, absolutamente sozinho e desamparado.


A cura da Síndrome do Pânico é possível quando a pessoa pode se reconectar com os fatores que a precipitaram no Pânico e pode lidar com eles de um modo mais espontâneo, desenvolvendo outros modos de sentir, de perceber e de agir. A cura advém quando a pessoa torna-se capaz de sentir-se identificada com seu corpo, capaz de influenciar seus estados internos e sente-se profundamente conectada com as pessoas afetivamente importantes para ela.


Para MORENO, o criador do Psicodrama, saúde envolve a capacidade do homem de ser espontâneo e criativo a cada instante de sua vida. O limite entre saúde e doença está na falta de espontaneidade e criatividade.


Como a espontaneidade é vital ao ser humano, na Psicoterapia Psicodramática é de suma importância detectar os obstáculos psicológicos à sua liberação.


Assim, para qualquer indivíduo, a liberação da espontaneidade depende do desenvolvimento da capacidade de conter as incertezas e as inseguranças inerentes ao processo de criação e da incorporação, pelo Eu, da espontaneidade como instrumento seguro para conduzir a nossa capacidade de interagir e de transformar, de forma que o próprio Eu adquira flexibilidade, tornando-se também cada vez mais original, processo este se revela somente através da relação e do desempeno de papeis.


Ao abordarmos psicodramaticamente o paciente acometido pela Síndrome do Pânico devemos ter em mente, portanto, que estamos diante de alguém que, embora limitado em seu campo de (cri)ação, está envolvido com a batalha de ampliar estes seus próprios limites, ainda por descobrir quais são suas novas ferramentas e qual é sua nova identidade.


Fonte:

BAUER, Sofia. Síndrome do Pânico – um sinal que desperta. Caminhos Editorial, Belo Horizonte, 2001.

CEREZZATO, Mário Costa. Uma Leitura Psicodramática da Síndrome do Pânico. Revista Brasileira de Psicodrama, Vol. 07, número 2, 1999.

GHELLER, J.H. Síndrome do Pânico: Visão Psicodinâmica-Relacional-Psicodramática. Psicodrama - Revista da Sociedade de Psicodrama de São Paulo, Vol. 4, p. 44-55, 1992.

MORENO, J.L. Psicodrama. 2ª ed. São Paulo, Ed. Cultrix, 1978.


SCARPATO, Artur. Síndrome do Pânico: uma Abordagem Psicofísica. Revista Hermes, São Paulo, número 3, 1998.


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