(31) 3337-7050
(31) 99955-7171
Metáforas
Metáfora do Dia
O GERENTE E O CHAVEIRO
16.09.18

O GERENTE E O CHAVEIRO

Nove horas da manhã. O gerente de um banco foi avisado por um dos funcionários de que o cofre estava apresentando um problema. Estava travado e não abria, de jeito nenhum.

O gerente foi até lá e acompanhou as tentativas desesperadas dos seus auxiliares para destravar o cofre e nada.

Todos os documentos importantes do banco e também o dinheiro para o funcionamento das operações do dia estavam lá dentro.

O cofre tinha de ser aberto!

Sem outra alternativa, o gerente mandou chamar um chaveiro, Seu Sebastião, um idoso, um tanto rabugento, porém muito competente.

Seu Sebastião chegou ao local, com sua maleta de ferramentas, ouviu as explicações dos funcionários, avaliou cuidadosamente a situação, encostou o ouvido no cofre. Mexeu um pouquinho no acionamento redondo do segredo, combinou com um movimento no trinque e pronto, o cofre estava aberto.

Aliás, não apenas o cofre se abriu. Abriram-se também sorrisos nos rostos até então angustiados de todos os presentes, que puderam, enfim, respirar aliviados.

- Quanto lhe devemos, Seu Sebastião? Perguntou satisfeito o gerente.

- Duzentos reais, respondeu o Seu Sebastião, sem mudar o semblante, tranquilamente.

- O que? O senhor deve estar brincando, reagiu o gerente.

- Não senhor! Eu não brinco em serviço. São duzentos reais mesmo, confirmou o chaveiro.

- O senhor está roubando! Vociferou o gerente, alterado. Está tentando tirar proveito da situação. É um desonesto! Não vou pagar isso tudo.

Seu Sebastião nem esperou o gerente terminar a frase. Bateu a porta do cofre, pegou sua maleta e saiu porta a fora, resmungando qualquer coisa, ininteligível.

Todos se olharam perplexos e, ato contínuo, correram para o cofre na esperança de que ainda estivesse destravado. Não estava! Tentaram repetir a operação feita pelo experiente o chaveiro, mas não funcionou. Nada funcionava.

A porta do cofre estava, definitivamente travada.

Todos olharam então para o gerente, com aquela cara de "olha só o que você fez!". E o relógio caminhando para a hora de abrir o banco, a fila de gente aumentando lá fora. E não havia nada que se pudesse fazer. Aliás, havia: chamar o Seu Sebastião de volta e pagar o que ele estava pedindo. Convenceram o gerente de que essa era a melhor saída (e a única naquelas circunstâncias). E foram chamar o Seu Sebastião, que estava lá na sua oficina, trabalhando tranquilamente, como sempre esteve.

- De jeito nenhum que eu volto lá. O sujeito me chamou de ladrão e desonesto, respondeu o chaveiro.

- Mas Seu Sebastião, o homem estava nervoso. Ele já mudou de idéia, insistiram.

Tentaram todos os argumentos até que Seu Sebastião concordou em voltar, mas impôs uma condição:

- Ele tem que me pedir desculpas, bradou!

Foi outra dificuldade, mas os funcionários conseguiram convencer o gerente e ele pediu desculpas ao Seu Sebastião que, enfim, voltou ao trabalho, deu uma mexidinha no acionamento do segredo, combinada com um movimento esperto no trinque... e pronto! O cofre estava aberto!

O gerente, ainda contrariado, ordenou a um dos funcionários:

- Pague os duzentos reais ao homem.

Seu Sebastião interrompeu:

- Não senhor! Não são duzentos reais. São quatrocentos. Eu abri o cofre duas vezes!

O gerente quis reagir, mas foi fulminado por meia dúzia de olhares dos seus colegas. E Seu Sebastião, lógico, saiu da agência com os seus quatrocentos reais.

Comente essa publicação