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O PESO DA FÉ
30.12.18

O PESO DA FÉ

Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, aproximou-se do proprietário conhecido pelo seu jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos. Ela explicou que o seu marido estava muito doente, não podia trabalhar e que tinham sete filhos para alimentar.

O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.

Pensando na necessidade da sua família ela implorou:

- Por favor, senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu o tiver...

Ao que o comerciante lhe respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua loja.

Em pé no balcão ao lado, um freguês que assistia a conversa entre os dois se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.

Então o comerciante falou meio relutante para a mulher:

- Você tem uma lista de mantimentos?

- Sim, respondeu ela...

- Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos.

A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente na balança.

Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu embaixo.

Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:

- Eu não posso acreditar!

O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança. Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada.

O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido... Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado, pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia:

- Meu Deus, o senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em suas mãos...

O homem deu as mercadorias para a mulher no mais completo silêncio. Ela agradeceu e deixou o armazém.

O freguês pagou a conta, dizendo:

- Valeu cada centavo!

Só mais tarde o comerciante pode reparar que a balança havia quebrado.

Só Deus sabe o quanto pesa uma prece...

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