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Ansiedade

Ansiedade

O que é Ansiedade?

Ansiedade é um termo geral para descrever a preocupação ou antecipação de eventos futuros envolvendo perigo real ou imaginário. A ansiedade é acompanhada por sensações desagradáveis ou sintomas físicos de tensão, como vazio (ou frio) no estômago (ou na espinha), opressão no peito, palpitações, transpiração, dor de cabeça,  falta de ar, dentre várias outras.

A ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes e capacita o indivíduo a tomar medidas para enfrentar as ameaças. O medo é a resposta a uma ameaça conhecida, definida; ansiedade é uma resposta a uma ameaça desconhecida, vaga.

A ansiedade prepara o indivíduo para lidar com situações potencialmente danosas, como punições ou privações, ou qualquer ameaça a integridade pessoal, tanto física como emocional. Desta forma, a ansiedade prepara o organismo para tomar as medidas necessárias para impedir a concretização desses possíveis prejuízos, ou pelo menos diminuir suas conseqüências.

Portanto, a ansiedade é uma reação natural e necessária para a auto preservação. Não é um estado normal, mas é uma reação normal, assim como a febre não é um estado normal, mas uma reação normal a uma infecção. As reações de ansiedade normais não precisam ser tratadas por serem naturais e auto limitadas.

A ansiedade patológica, por outro lado caracteriza-se pela excessiva intensidade e prolongada duração proporcionalmente à situação precipitante. Ao invés de contribuir com o enfrentamento do objeto de origem da ansiedade, atrapalha, dificulta ou impossibilita a adaptação e requerem tratamento específico.

Os Transtornos da Ansiedade são um grupo de doenças psicológicas que compartilham os sintomas da ansiedade como sendo uma característica fundamental.

Segundo o CID 10 (Classificação Internacional de Doenças), os Transtornos da Ansiedade incluem:

  1. Agorafobia – F 40.0
  2. Fobia Social – F 40.1
  3. Fobia Simples ou Específica – F 40.2
  4. Transtorno de Ansiedade Generalizada – F 41
  5. Transtorno do Pânico, Síndrome do Pânico ou Ansiedade Paroxística Episódica – F 41.0
  6. Transtorno Obsessivo-Compulsivo – F 42
  7. Transtorno do Estresse Agudo – F 43.0
  8. Transtorno do Estresse Pós-Traumático – F 43.1

Quais são os tipos básicos de Fobias?

Os três tipos básicos de fobias são:

  1. Agorafobia (F 40.0) - Medo generalizado de estar em lugares públicos concorridos, lugares ou situações aonde possa ser difícil ou embaraçoso escapar ou então aonde o auxílio pode não estar disponível. Isso inclui estar fora de casa desacompanhado, no meio de multidões ou preso numa fila, ou ainda viajar desacompanhado.
  1. Fobia Social (F 40.1)  - Medo perante situações em que a pessoa possa estar exposta a observação dos outros, ser vítima de comentários ou "passar vergonha" na frente de outros,  muitas vezes por temor de que as outras pessoas percebam seus sinais de ansiedade. Ela pode ser específica para uma situação (por exemplo, assinar cheques ou escrever na frente dos outros) ou generalizada (por exemplo, participar de pequenos grupos, iniciar ou manter conversação, ter encontros românticos, falar com figuras de autoridade, etc.).  Pessoas que foram tímidas ou solitárias na infância, ou que têm uma história de experiências sociais infelizes ou negativas na infância, parecem ter propensão de desenvolver esta desordem.
  2. Fobia Simples ou Específica (F 40.2) - Medo acentuado e persistente diante objetos ou situações concretas. É a forma mais comum de fobia.

O DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais IV) divide as fobias simples em 5 tipos:

  • Animais (aranhas, cobras, baratas, cachorro, etc.)
  • Aspectos do ambiente natural (trovoadas, terremotos, chuva, escuridão, etc.)
  • Sangue, injeções ou feridas
  • Situações (alturas, andar de avião, andar de elevador, dirigir ou permanecer em locais fechados como túneis ou congestionamentos etc.)
  • Outros tipos (medo de vomitar, contrair uma doença, etc.)

Quais são os sintomas da Fobia?

Os sintomas da fobia incluem:

  • Sentimentos excessivos, irracionais e persistentes de medo ou ansiedade que são ativados por um objeto, uma atividade ou uma situação em particular - Os sentimentos ou são irracionais ou fora de proporção para qualquer ameaça atual. Por exemplo, qualquer um pode ter medo de ser atacado por um cachorro bravo e solto, mas não é razoável correr de um animal calmo, quieto em uma coleira.
  • Sintomas físicos relacionados à ansiedade - Quem sofre de fobia, ao se deparar (ou às vezes simplesmente imaginar...) com as situações que desencadeiam suas crises, sentem um enorme medo, em geral acompanhados de pelo menos quatro dos seguintes sintomas:
  • falta de ar,
  • palpitações ou taquicardia,
  • dor ou desconforto no peito,
  • sensação de sufocamento ou afogamento,        
  • tontura ou vertigem,
  • sensação de falta de realidade,
  • formigamento,
  • ondas de calor ou de frio,
  • sudorese,
  • náusea ou mal estar abdominal
  • sensação de desmaio, tremores ou sacudidelas,
  • medo de morrer ou de enlouquecer ou de perder o controle.

Estes sintomas refletem uma resposta ao perigo do tipo luta ou fuga.

  • Evitação do objeto, atividade ou situação que ativam a fobia - Como as pessoas que têm fobia reconhecem que seus medos são irracionais, elas freqüentemente se sentem envergonhadas ou embaraçadas sobre seus sintomas. Para prevenir os sintomas de ansiedade ou de embaraço, elas evitam os fatores desencadeantes da fobia.

Quais são as causas da Fobia?

Os seres humanos nascem preparados biologicamente para adquirir medo de certos animais e situações, como cobra, rato, altura, tempestade, etc. A provável explicação é que esses temores foram importantes para a sobrevivência da espécie humana há milênios, e ao que parece trazemos essa informação muitas vezes adormecida, mas que pode ser despertada a qualquer momento.

Outra razão para o desenvolvimento das fobias pode ser o fato de que associamos perigo a coisas ou situações que não podemos prever ou controlar, como um raio numa tempestade ou o ataque de um animal. Nesse sentido, pacientes com Síndrome do Pânico acabam desenvolvendo fobia as suas próprias crises, e em conseqüência evitando lugares ou situações que possam se sentir embaraçados ou que não possam contar com ajuda imediata.

E por fim, há clara influência social. Por exemplo, um tipo de fobia chamada taijin kyofusho é comum apenas no Japão. Ao contrário da fobia social (em que o paciente sente medo de ser ele mesmo humilhado ou desconsiderado em situação social) tão comum no ocidente, o taijin kyofusho é o medo de ofender as outras pessoas por excesso de modéstia e consideração. O paciente tem medo que seu comportamento social ou um defeito físico imaginário possa ofender ou constranger as outras pessoas.

No início da infância é comum o aparecimento de algumas fobias. É muito raro encontrar uma criança que não passou por uma fobia ou por um período de fobia na infância, como por exemplo, fobia de escuro, de raio, trovão, tempestade. À medida que a criança cresce, deixam de ser significativas, se resolvem espontaneamente.

A maioria das fobias começa depois de adulto, especialmente em pessoas acima dos vinte anos de idade. As fobias no adulto tendem a durar muitos anos, e são menos prováveis de curarem sozinhas. Sem tratamento específico, a fobia pode aumentar o risco de outros tipos de doença psicológica na vida adulta, especialmente outras desordens de ansiedade, depressão e uso de drogas.

Seis em cada dez pessoas com fobias conseguem se lembrar quando a crise de medo aconteceu pela primeira vez, quando as sensações de pânico ficaram ligadas ao local ou situação em que a crise ocorreu. Para essas pessoas, há uma ligação muito clara entre o objeto e a sensação de medo.

Por exemplo, uma pessoa tem uma crise de pânico ao dirigir, e a partir desse dia passa a evitar dirigir desacompanhada, com temor de passar mal e não ter ninguém por perto para auxiliá-la. Esse temor pode se expandir para um local aonde a saída seja difícil em caso de "passar mal", como cinemas e teatros. Assim, surgiu uma agorafobia, um medo generalizado de "passar mal" e não ter como escapar ou receber auxílio.

Uma outra pessoa, por exemplo, pode ter tido uma experiência traumática de um acidente de carro, e a partir desse dia não querer mais andar de carro, desenvolvendo uma fobia específica a carros.

Observe que o medo de andar de carro é igual, na origem, mas as fobias desenvolvidas são fundamentalmente diferentes. No primeiro caso, o que se evita é ficar numa situação em que o socorro possa ser complicado, e no segundo caso, o que se evita é o carro em si mesmo.

Pessoas com fobias podem precisar alterar suas vidas drasticamente. Em casos extremos, a fobia pode ditar a profissão da pessoa, seu local de trabalho, seu roteiro ao dirigir, suas atividades recreativas e sociais, ou o ambiente de sua casa.

Como uma Fobia de desenvolve?

As fobias são um "pânico com objeto", ou seja, são crises de pânico que somente acontecem em situações ou lugares específicos.

Para entender como uma crise de pânico é formada, podemos comparar nossa cabeça com um carro que possui um alarme contra ladrões, desses que basta encostar na carroceria para ele disparar. Esse sistema de alarme é o cérebro antigo, em especial o sistema límbico, com suas reações de luta ou fuga. Esse alarme tem que tocar em situações de perigo real.

No entanto, para certas pessoas, esse sinal de perigo é desencadeado sem nenhuma razão aparente, como às vezes acontece em estacionamentos, quando um alarme de carro dispara sem que nada tenha acontecido. Essa situação é conhecida como Crise de Pânico. Para outras pessoas, esse alarme é disparado em situações indevidas, como por exemplo, em elevadores, lugares fechados, ou no trânsito. Essa situação é conhecida como Fobia.

A Síndrome do Pânico é uma mistura dessas duas situações. Numa primeira fase, quem tem a Síndrome do Pânico, tem ataques sem motivo algum. E numa segunda fase, passa a ter os mesmos sintomas nas situações ou lugares em que já teve os ataques. Assim, se a pessoa tem um ataque dentro de um carro, passa a evitar dirigir sozinha, ou não dirige mais. Se foi num lugar fechado, passa a não entrar em bancos, shopping, cinemas, teatros. Ou se entra, procura ficar bem próximo da saída... E para muitos, o simples fato de pensar, lembrar ou ver uma imagem da situação já é o bastante para desencadear a crise.

O que diferencia em grande parte alguém que tenha fobia de uma pessoa que tenha simples medo, é que pessoas com fobia passam a evitar a qualquer custo às situações que desencadeiam as crises, alterando sua rotina de vida.

Pacientes fóbicos têm suas vidas complicadas por dois fatores:

O primeiro é que em geral não confiam na sua capacidade de enfrentar os sintomas, temendo qualquer lugar aonde não possa contar com ajuda. Como conseqüência desenvolvem um isolamento progressivo, um empobrecimento de vida que impede a maioria das ações do dia-a-dia. 

E o segundo é que costumam super valorizar os sintomas, achando literalmente que vão morrer, que vão ter um ataque do coração, um derrame, ou que possuem alguma doença grave e misteriosa. Tendo como conseqüência a eterna busca por cuidados médicos ao mesmo tempo em que pequenos sinais do corpo já são interpretados como indícios de que a crise está vindo, de que a morte pode chegar a qualquer momento.

Quem sofre de fobia tem suas crises de pânico desencadeadas por alguma situação específica (as fobias) no cérebro antigo. Quando começa a sentir as sensações de luta ou fuga (o alarme de emergência), imediatamente é inundado por imagens de catástrofe. Essa interpretação dos sintomas como sendo uma catástrofe é recebida pelo cérebro antigo novamente, aumentando os sintomas a níveis estratosféricos. Ao mesmo tempo, sua respiração fica bastante alterada, o que muda a química do sangue de maneira significativa. Essa mudança na química do sangue, por si só, aumenta ou desencadeia novas crises. Aí então, os sintomas são muito assustadores. Como os sintomas são muito desagradáveis, isso acaba por confirmar na cabeça da pessoa que realmente os sintomas iniciais indicavam um grande problema.

Em outras palavras, os sintomas asseguram na imaginação da pessoa que ela realmente corria perigo. Essa situação é percebida pelo cérebro antigo, que tenta ajudar da única maneira que consegue: desencadeando novas reações de luta ou fuga, novas crises de pânico. E assim o ciclo vicioso se fechou...

Como tratar a Fobia?

Caso os seus medos ou ansiedades estejam perturbando sua paz interior, interferindo com suas relações pessoais, ou lhe impedindo de viver normalmente em casa, na escola ou no trabalho, você deve procurar um psicólogo e um psiquiatra o mais cedo possível.

O tratamento normalmente inclui a combinação de psicoterapia e medicamentos:

  • Fobia Específica – A Psicoterapia cognitiva comportamental pode ajudar, especialmente a chamada Psicoterapia de dessensibilização ou Psicoterapia de exposição. Esta técnica envolve aumentar a exposição gradual da pessoa às coisas que provocam medo, sob circunstâncias controladas. Como a pessoa é exposta ao objeto, ela é ensinada a dominar seu medo por relaxamento, controle da respiração ou outras estratégias para reduzir a ansiedade. Para o tratamento a curto prazo das fobias, o psiquiatra pode prescrever um ansiolítico. Se a fobia só é confrontada ocasionalmente, como o medo de voar, o tratamento pode ser limitado ao uso de medicamentos.
  • Fobia Social - Se a fobia social concentra-se em um desempenho em particular (por exemplo, falar em público ou tocar em um concerto), o médico pode prescrever um medicamento para ser tomado antes do evento estressante. Ele ameniza os efeitos físicos da ansiedade (batimento do coração ou tremor dos dedos), mas normalmente não afeta a eficácia mental necessária para falar ou a destreza física necessária para tocar um instrumento. Para formas de fobia social mais generalizadas ou a longo prazo, torna-se necessário a Psicoterapia.
  • Agorafobia - O tratamento para esta desordem é semelhante ao tratamento para a Síndrome do Pânico. É necessária a Psicoterapia associada ao tratamento medicamentoso. É importante ressaltar, que o tratamento medicamentoso isolado não adianta, porque se deve ajudar a pessoa a desenvolver a capacidade de desassociar seus medos do objeto ou situação desencadeadora da fobia.

Como a Psicoterapia Psicodramática trata a Fobia?

O tratamento das fobias está baseado na quebra da associação entre as sensações de desprazer e as situações ou objetos que desencadeiam as crises.

Assim, se um elevador gera um reflexo de medo, é possível quebrar esse aprendizado desfazendo o ciclo vicioso. Isso é obtido através da dessensibilização sistemática. O paciente é primeiramente treinado em técnicas de relaxamento profundo. Em seguida, o psicoterapêuta o estimula a aproximar-se, de maneira gradual e sistemática, do objeto ou situação que lhe provoca medo, culminando numa dessensibilização.

Ou seja, associa-se uma sensação de prazer e relaxamento a situações imaginárias ou reais de medo e evitação. Como o relaxamento é incompatível com o medo, a fobia tende a desaparecer em pouco tempo.

Na Psicoterapia Psicodramática, primeiramente são realizadas várias sessões de relaxamento profundo.

Após o treinamento em relaxamento, utiliza-se o Psicodrama Interno para a dessensibilização.

Como exemplo, vou usar uma fobia de elevador. Assim que o paciente é colocado em relaxamento profundo, é convidado a imaginar que está na rua, em frente a um prédio com elevador. A qualquer momento o paciente pode indicar com a mão se está muito ansioso, o que pode interromper o processo, ou levar o psicoterapêuta a aprofundar o relaxamento. Se o paciente tolerar bem a idéia, segue-se em frente, convidando o paciente a imaginar que está entrando no prédio e agora parando em frente ao elevador. Tolerado esse passo, sugere-se que o paciente imagine estar entrando no elevador, mas a porta não se fecha. E assim por diante, até que o paciente tolere imaginar que está num elevador cheio de gente, num andar alto, e que o mesmo pare momentaneamente.