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Codependência

Codependência

O que é Codependência?

Codependência é um transtorno emocional e vincular definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80. Nesta época, acreditava-se que codependentes eram as pessoas cuja vida se tornara incontrolável como resultado de viverem num relacionamento comprometido com um alcoólico.

Entretanto, foi nos anos 40, depois da criação dos Alcoólicos Anônimos (AA), que um grupo de pessoas, geralmente esposas de alcoólicos, formaram grupos de ajuda mútua e apoio para lidar com as formas com que elas eram afetadas pelo alcoolismo dos maridos. Foi o surgimento do Al-Anon. Apesar de ainda não ter sido cunhado o termo codependência, esse foi o primeiro movimento no sentido de tratar esse padrão de comportamento.

Atualmente o termo foi estendido e podemos encontrar codependentes também nas seguintes situações:

  • Famílias onde algum membro possa apresentar distúrbios alimentares, comer demais ou de menos (Compulsão Alimentar, Anorexia, Bulimia);
  • Famílias onde algum membro apresente comportamentos compulsivos como jogadores compulsivos e comportamentos sexuais inadequados entre outros;
  • Pessoas em relacionamento com indivíduos com doenças crônicas;
  • Pais de crianças com problemas de comportamento;
  • Pessoas em relacionamento com indivíduos irresponsáveis e
  • Enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais em ajuda a outras pessoas.

Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas (os) que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão diante do dependente e de seus problemas. São pessoas que têm baixa autoestima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente.

Melody Beattie define como sendo uma pessoa que deixa o comportamento de outra pessoa afetá-la, e é obcecada em controlar o comportamento dessa pessoa.

O GRUPO CODA ressalta que codependência é a inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo. Nos relacionamentos codependentes não existe a discussão direta dos problemas, expressão aberta dos sentimentos e pensamentos, comunicação honesta e franca, expectativas realistas, individualidade, confiança nos outros e em si mesmo.

O que parece ficar claro é que os codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, autoanulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos desequilibrados desse outro.

A codependência se manifesta de duas maneiras: como um intrometimento em todas as coisas da pessoa problema, incluindo horário de tomar banho, alimentação, vestuário, enfim, tudo o que diz respeito à vida do outro. Em segundo, tomando para si as responsabilidades da outra pessoa. Evidentemente, ambas as atitudes propiciam um comportamento mais irresponsável ainda por parte da pessoa problemática.

Percebe-se na codependência um conjunto de padrões de conduta e pensamentos (patológicos) que, além de compulsivos, produzem sofrimento. O codependente almeja ser, realmente, o salvador, protetor ou consertador da outra pessoa, mesmo que para isso ele esteja comprovadamente prejudicando e agravando o problema do outro.

Como se nota, o problema do codependente é muito mais dele próprio do que da pessoa problemática e, normalmente, a nobre função do codependente depende da capacidade de ajudar ou salvar a outra pessoa, que sempre é transformada em vítima e não responsável pelos próprios problemas.

Estes são os principais papéis que os codependentes costumam desempenhar:

  • Permissivo: permite que a pessoa continue a ter o seu comportamento ou vício autodestrutivo ou nega que a pessoa tenha algum problema.
  • Salvador: cria desculpas para o comportamento da pessoa, ou "salva-a" de situações desagradáveis (por exemplo: colocar um alcoólatra na cama após ele ter desmaiado).
  • Babá: cuida de todos os aspectos familiares e financeiros que mantêm a família unida.
  • Participador: racionaliza o comportamento destrutivo da pessoa como sendo algo normal, permitindo que ele aconteça ou mesmo participando dele.
  • Herói: torna-se uma "super pessoa" para preservar a imagem da família.
  • Queixoso: culpa a pessoa e torna-a bode expiatório de todos os problemas.
  • Alienado: desliga-se da família e age como se não ligasse para o problema ou para a pessoa.

Quais são os sintomas da Codependência?

Invariavelmente, os codependentes possuem baixa autoestima, e sentem-se úteis e valorizados somente quando cuidam, resolvem e toleram os problemas do outro. Tudo isso porque temem perder o amor do outro, e porque necessitam da aprovação alheia, desejando serem vistos como mártires. Acredita-se com isso, que há um ganho secundário, embora exista um sofrimento muito grande ao tolerar certos tipos de abuso.

Os codependentes se mostram muito solícitos, sempre prontos a socorrer o outro, não importando as circunstâncias. Apresentam dificuldade em nutrir relações saudáveis e que valorizem a autonomia e o espaço de cada um. A necessidade obsessiva em controlar e cuidar do comportamento do outro faz com que utilizem de conselhos, preocupações e gentilezas exageradas. Isso tudo acontece de forma compulsiva, às vezes sem perceber porque estão agindo dessa forma.

Ainda existe um sentimento de incapacidade, pois acreditam que sua ajuda nunca é suficiente para solucionar a dificuldade do outro, e de vergonha extrema, como se o comportamento problemático do dependente fosse seu.

É importante diferenciar os comportamentos saudáveis de amor e cuidado existentes nas relações afetivas.

A codependência é uma espécie de falso amor, uma vez que pode agravar o problema em questão, seja a dependência química, alcoolismo, transtornos de personalidade, etc. Todo amor que não produz paz interior nem crescimento pessoal, mas sim angústia, amargura ou culpa, está contaminado de codependência, é um amor patológico, obsessivo e bastante destrutivo e obviamente, não leva à felicidade.

Na verdade, a codependência é um padrão de relacionamento egoísta, onde existe o medo de perder o controle sobre o outro e da perda da relação em si, e que resulta em prejuízos para saúde física e emocional.

Depender tanto assim de outra pessoa se converte em uma condição patológica que caracteriza o codependente, comprometendo suas relações com as demais pessoas. Em pouco tempo o codependente começa a achar que ninguém apóia a pessoa problema (como ele), que ambos são incompreendidos, ele e a pessoa problemática, ambos não recebem o apoio merecido, etc.

Em resumo, a codependência se caracteriza por uma série de sintomas e atitudes mais ou menos teatrais, e cheias de Mecanismos de Defesa, tais como:

1) Dificuldade para estabelecer e manter relações íntimas sadias e normais, sem que grude muito ou dependa muito do outro;

2) Congelamento emocional. Mesmo diante dos absurdos cometidos pela pessoa problemática o codependente mantém-se com a serenidade própria dos mártires;

3) Perfeccionismo. Da boca para fora, ou seja, ele professa um perfeccionismo que, na realidade ele queria que a pessoa problemática tivesse;

4) Necessidade obsessiva de controlar a conduta de outros. Palpites, recomendações, preocupações, gentilezas quase exageradas fazem com que o codependente esteja sempre super solícito com quase todos, e assim ele justificaria que sua solicitude não é apenas com a pessoa problemática;

5) Condutas pseudo compulsivas. Se o codependente paga as dívidas da pessoa problemática ele nunca sabe bem porque fez isso, diz que não consegue se controlar;

6) Sentir-se responsável pelas condutas de outros. Na realidade ele se sente mesmo responsável pela conduta da pessoa problemática, mas para que isso não motive críticas, ele aparenta ser responsável também pela conduta dos outros;

7) Profundos sentimentos de incapacidade. Nunca tudo aquilo que fez ou está fazendo pela pessoa problemática parece ser satisfatório;

8) Constante sentimento de vergonha, como se a conduta extremamente inadequada da pessoa problemática fosse, de fato, sua;

9) Baixa autoestima;

10) Dependência da aprovação externa, até por uma questão da própria autoestima;

11) Dores de cabeça e das costas crônicas que aparecem como somatização da ansiedade;

12) Gastrite e diarréia crônicas, como envolvimento psicossomático da angústia e conflito;

13) Depressão.

Disfunção Familiar

Na família da pessoa problemática as relações familiares e a comunicação interpessoal vão se tornando cada vez mais complicadas. A comunicação se faz mais confusa e indireta, de modo que é mais fácil encobrir e justificar a conduta do dependente do que discuti-la. Esta dificuldade (disfunção) vai se convertendo em estilo de vida familiar e produzindo, em muitos casos, o isolamento da família dos contatos sociais cotidianos. As regras familiares se tornam confusas, rígidas e injustas para seus membros, de forma que os deveres passam a ser distorcidos, com algum prejuízo das pessoas que não têm problemas e privilégios da pessoa problemática.

Como se vê, a conduta codependente é uma resposta doentia ao comportamento da pessoa problemática, e se converte em um fator chave na evolução da dependência, isto é, a codependência promove o agravamento da situação da pessoa problemática, processo chamado de facilitação. Mas, os codependentes não se dão conta de que estão facilitando o agravamento do problema, em parte pela negação e em parte porque estão convencidos de que sua conduta esta justificada, uma vez que estão ajudando o dependente a não se deteriorar ainda mais e que a família não se desintegre.

Como identificar um Codependente?

As perguntas a seguir servem para identificar possíveis padrões de codependência.

  1. Você se sente responsável por outra pessoa? Seus sentimentos, pensamentos, necessidades, ações, escolhas, vontades, bem-estar e destino?
  2. Você sente ansiedade, pena e/ou culpa quando outras pessoas têm problemas?
  3. Você se flagra constantemente dizendo sim quando quer dizer não?
  4. Você vive constantemente tentando agradar aos outros ao invés de agradar a si mesmo?
  5. Você vive constantemente tentando provar aos outros que é bom o suficiente? Você tem medo de errar?
  6. Você vive buscando desesperadamente amor e aprovação? Você sente-se inadequado?
  7. Você tolera abusos para não perder o amor de outras pessoas?
  8. Você sente vergonha da sua própria vida?
  9. Você tem tendência de repetir relacionamentos destrutivos?
  10. Você se sente aprisionado em um relacionamento? Você tem medo de ficar só?
  11. Você tem medo de expressar suas emoções de maneira aberta, honesta e apropriada?
  12. Você acredita que se assim o fizer ninguém vai amá-lo?
  13. O que você sente sobre mudar o seu comportamento? O que lhe impede de mudar?
  14. Você ignora os seus problemas ou finge que as circunstâncias não são tão ruins?
  15. Você vive ajudando as pessoas a viverem? Acredita que elas não sabem viver sem você?
  16. Você tenta controlar eventos, situações e pessoas através da culpa, coação, ameaça, manipulação e conselhos assegurando assim que as coisas aconteçam da maneira que você acha correta?
  17. Você procura manter-se ocupado para não entrar em contato com a sua realidade?
  18. Você sente que precisa fazer alguma coisa para sentir-se aceito e amado pelos outros?
  19. Você tem dificuldade de identificar o que sente?
  20. Você tem medo de entrar em contato com seus sentimentos como raiva, solidão e vergonha?

Observação: Caso tenha respondido SIM para a maioria das questões, você pode não ser um verdadeiro codependente, mas deve procurar ter consciência de como o seu comportamento pode estar colaborando com o vício ou dependência de outra pessoa.

Como tratar a Codependência?

O tratamento da codependência tem como objetivo principal fazer com que o indivíduo resgate sua autoestima e adote um padrão de relacionamento e comportamento mais saudável, principalmente no tocante à assertividade, à percepção das necessidades individuais de cada pessoa e à necessidade obsessiva de controlar o outro.

A psicoterapia individual é primordial, além de também ser muito importante a participação em grupos de autoajuda, como o Codependentes Anônimos. O lema desse grupo é só por hoje serei a pessoa mais importante da minha vida.

Os grupos de autoajuda para familiares de dependentes visam, principalmente, reverter este quadro, orientando os familiares a adotarem comportamentos mais saudáveis. O primeiro passo em direção a esta mudança é tomar consciência e aceitar o problema.

Como em muitos casos o codependente apresenta transtornos como depressão e/ou ansiedade, é necessário uma consulta com o psiquiatra para que este avalie a necessidade do uso de medicação antidepressiva e/ou ansiolítica.

No entanto, embora exista todo o empenho e conhecimento cientifico dos profissionais de saúde mental sobre a codependência, o tratamento só terá eficácia após o paciente conscientizar-se e aceitar que possui um problema.

Como a maioria dos codependentes não percebe sua codependência, as sugestões de autocuidado, a seguir, podem se tornar difíceis de seguir sem a ajuda de uma psicoterapia, pois implicam em mudanças de atitude e de comportamento:

1) Concentre-se nestes 3 "C":

  • Você não Causou o problema da outra pessoa.
  • Você não pode Controlar essa pessoa.
  • Você não pode Curar o problema.

2) Não minta, não dê desculpas e não acoberte o uso abusivo de álcool, drogas, ou outros problemas. Admita para si mesmo que esta não é uma maneira normal de viver e que a pessoa envolvida tem realmente problema e precisa de ajuda profissional.

3) Recuse-se a ajudar a pessoa. Toda vez que você "salva" uma pessoa dependente de um problema, você está reafirmando a incapacidade dessa pessoa e sua falta de esperança.

4) Se você ou suas crianças estiverem sofrendo de abuso verbal ou sexual, não permita que essa situação continue. Saiba que existem vários grupos de orientação e apoio para codependentes.

5) Continue mantendo suas rotinas familiares normais. Inclua o alcoólatra, por exemplo, quando este estiver sóbrio.

6) Concentre-se nos seus próprios sentimentos, desejos e necessidades. Pensamentos negativos costumam sempre estar por perto. É importante eliminá-los de maneira saudável. Comece a fazer o que é bom para você e para o seu bem-estar.

7) Permita que as crianças expressem seus sentimentos abertamente. Mostre a elas como fazê-lo expressando os seus próprios sentimentos.

8) Estabeleça limites para o que irá ou não fazer. Seja firme e respeite esses limites. É natural querer ajudar as pessoas que você ama, mas neste caso não trará nenhum benefício.

9) Procure se envolver em novas experiências e interesses. Encontre maneiras de desviar sua atenção dos problemas do outro.

10) Responsabilize-se por você e pelas outras pessoas da família no sentido de viverem uma vida melhor, independente da recuperação da pessoa com problema.

Codependentes Anônimos

Nos mesmos moldes dos Alcoólicos Anônimos, Codependentes Anônimos são grupos de ajuda com metodologia de relato em grupo e do estímulo para observância de algumas recomendações disciplinares e de alguns passos importantes.

Os Doze Passos dos Codependentes Anônimos foram adaptados dos Doze Passos dos Alcoólicos Anônimos:

1- Admitimos que éramos impotentes perante os outros - que nossas vidas haviam se tornado incontroláveis.

2- Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós, poderia nos devolver a sanidade.

3- Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus como nós O concebíamos.

4- Fizemos um destemido e minucioso inventário moral de nós mesmos.

5- Admitimos perante a Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.

6- Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7- Humildemente rogamos a Deus para que nos livrasse de nossas imperfeições.

8- Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9- Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.

10- Continuamos fazendo o inventário pessoal, e quando nós estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

11- Procuramos através da prece e da meditação melhorar nosso contato consciente com Deus como nós O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e força para realizar essa vontade.

12- Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos levar esta mensagem para outros codependentes e praticar estes princípios em todos as nossas atividades.