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Dependência

Dependência

O que é Dependência?

A dependência é um estado de imaturidade que faz parte do processo natural de desenvolvimento humano, ou seja, nascemos totalmente dependentes, tanto fisicamente como afetivamente. Com nossas vivências e experiências vamos amadurecendo de forma gradativa adquirindo independência e autonomia.

Também faz parte da natureza do ser humano o desejo de ser reconhecido, de ser aceito e de ter o afeto das pessoas com quem convive.

Uma pessoa é dependente quando sua autonomia está prejudicada, ela precisa de algo ou alguém para sentir-se segura e tranquila, nas mais diferentes decisões em sua vida, desde as mais simples como decidir que roupa vai usar, por exemplo, ou até as mais difíceis, como que profissão escolher; se muda de emprego ou não; se continua namorando ou não; se casa ou não; enfim, inúmeras situações onde está implícita uma escolha.

Pedir a opinião de alguém sobre algo não nos torna dependentes. A diferença está quando a pessoa depende realmente dessa opinião e não consegue seguir o seu desejo se ele não for aprovado, se não houver o aval de alguém.

A pessoa que constantemente necessita da opinião dos outros, por causa de sua insegurança, imaturidade e baixa autoestima, quer agir de acordo com as expectativas dos outros para garantir a aceitação e o afeto. Só que esta garantia não existe. E na maioria das vezes, ela vai ficar duplamente frustrada, pois além de não agir da forma como pensa ou deseja, também não consegue o reconhecimento ou a aceitação que deseja.

Jacob Levy Moreno partia do princípio que o ser humano é um ser social, influencia e é influenciado todo o tempo. A saúde e doença emocional nascem nas relações, ou seja, são desenvolvidas através dos relacionamentos que construímos primeiramente em nossa família de origem e secundariamente através das demais relações que vivenciamos durante a vida. Nos primeiros anos de vida necessitamos da confirmação de nossas atitudes, da certeza de que nosso comportamento está sendo aceito pelas pessoas que amamos. Com o nosso desenvolvimento emocional, passamos a desejar e não mais necessitar dessa aprovação. Aprendemos a nos relacionar com o mundo pelas regras que recebemos em nossa família. A criança é espontânea e criativa por natureza. A dependência muitas vezes nasce e é sustentada por problemas no relacionamento familiar, pelos conflitos interpessoais, pela sensação de rejeição e de não ser estimulado e apoiado.

Quais são os tipos de Dependência?

Durante a vida, o ser humano cria relações de dependência com objetos, pessoas e situações. Algumas dessas relações são importantes para o bem-estar, outras causam prejuízo, perda de autonomia, insatisfação, etc.

O objeto de dependência entra na vida da pessoa como uma muleta, ocupa um espaço vazio. A dependência pode ser de uma pessoa específica, uma droga, uma atitude de carinho, uma palavra amiga, ou mesmo de alguém que lhe possa ouvir ou dizer o que deve fazer.

Na verdade essas pessoas ou objetos têm uma única função para o dependente, dar a sensação de segurança que precisa para suportar problemas, tensões e dificuldades pessoais e/ou sociais. A questão é que a segurança não está nas relações ou nos objetos, não é algo que vem de fora é algo que existe ou não dentro de nós. Nossa segurança e autoestima são os reguladores de nossa maturidade emocional.

Dependência Química

A dependência química é um estado resultante do uso habitual de uma droga, no qual existem sintomas físicos negativos de abstinência quando há interrupção abrupta. A dependência se caracteriza pelo indivíduo sentir que a droga é tão necessária em sua vida quanto alimento, água, repouso, segurança.

Caracteriza-se por um estado crônico e de possíveis recorrências na ingestão de algumas substâncias que não são necessárias à manutenção da vida e que modificam a função biológica do indivíduo resultando em alterações fisiológicas e/ou de comportamento. 

A dependência química tem níveis de gravidade que começam pela compulsão ou perda do controle no desejo de consumir uma substância e conforme vai sendo ingerida, há uma necessidade cada vez maior de ingestão para que se obtenha o mesmo efeito. 

Quando, na ausência de ingestão, aparecem sintomas de desconforto psíquico e físico, caracterizando a síndrome de abstinência, e assim o dependente dá continuidade ao consumo para não sofrer a ação destes sintomas. Passa então a valorizar mais a substância da qual é dependente do que outros importantes aspectos da vida. 

Entre as drogas que causam dependência estão:

Estimulantes:

* Anfetaminas e meta-anfetaminas (presente nos medicamentos inibidores de apetite)
* Cocaína
* Nicotina
* Maconha

Sedativos e hipnóticos:

* Álcool
* Barbitúricos
* Benzodiazepinas
* Metaqualona

Opiatos e analgésicos opióides (medicamentos que contém ópio, ou é obtido a partir dele):

* Morfina e codeína
* Opiatos semi-sintéticos como heroína
* Opiatos sintéticos como fentanil

Além das citadas, existem várias substâncias que podem causar dependência que atualmente considera-se que possuam valor médico e só podem ser usadas com orientação médica.

Dependência Emocional ou Afetiva

A dependência emocional é a percepção que o indivíduo tem de não conseguir lidar consigo e com a vida de forma adequada sem a presença ou o auxílio de outra pessoa. O dependente emocional acredita que a presença e atenção constantes de outra pessoa são necessárias para o seu bem estar, segurança pessoal e para que possa viver adequadamente.

Como se sente à mercê dos cuidados de alguém, que geralmente é uma pessoa próxima, um familiar, o cônjuge, a namorada, etc, se submete a decisões, atitudes ou até abusos e humilhações,  pelo medo de romper o vínculo com quem consegue fazê-lo "funcionar" adequadamente como indivíduo.

São pessoas que não tomam decisões facilmente, mesmo as decisões mais simples, sem se assegurarem de conselhos e aprovação.  Não agem com independência e podem não se tornar competentes ou não ter sucesso em suas atividades, pelo medo que têm da pessoa da qual dependem perceber que podem atuar sozinhos no mundo, rompendo assim o vínculo que existe.  

Quando o vínculo se rompe, o dependente busca desesperadamente qualquer outro relacionamento que lhe forneça o cuidado de que necessita, ficando em segundo plano o afeto que normalmente une as pessoas, podendo estabelecer assim, relacionamentos desequilibrados ou distorcidos.

Na verdade ninguém é dependente sozinho, dependência emocional é uma via de mão dupla. Se uma criança é dependente afetivamente, a mãe com certeza também o é, pois neste caso, a mãe é quem a estimula e acredita em seu potencial, ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação, nasce a autoestima e a sensação de segurança pessoal. Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado e se não recebe este estímulo torna-se dependente. Na prática acabam por não confiarem em si mesmas e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos.

Codependência

Se há um dependente há também um codependente, sejam os familiares do dependente químico ou a pessoa responsável pela manutenção da "nutrição" do dependente emocional.

O codependente geralmente se comporta de forma permissiva por não fazer restrições firmes para que o dependente pare de ingerir certas substâncias ou por negar sua dependência. Da mesma forma o codependente emocional que não estimula ou ajuda o dependente a andar pelas próprias pernas. 

O codependente pode se caracterizar também por criar desculpas para justificar recaídas ou para continuar praticando este comportamento, que reconhece como "cuidar dos outros". Sente que isso o faz responsável pela união da família já que pode se tornar uma pessoa supervalorizada por "aguentar" toda esta situação. Torna-se vítima de um estilo de vida, chamando a atenção sobre si. 

Podemos observar a dedicação e a insistência que alguns familiares, especialmente pais ou cônjuges, investem nas pessoas com problemas de dependência ou algum outro transtorno de personalidade ou de conduta. Há casos em que a pessoa suporta qualquer tipo de comportamento – e suas consequências, sem perceber que está abrindo mão de sua própria vida e de seus objetivos, e que seu comportamento acaba por perseverar a problemática do outro. Aliás, algumas das pessoas só se sentem úteis ao viver em função do dependente. Assim é interessante para elas que o outro permaneça doente, mesmo que essa motivação seja, na maioria das vezes, inconsciente.

A característica principal consiste na atadura emocional, ou seja, a pessoa se atrelada à patologia do outro, tendo uma extrema dificuldade em colocar limites para o comportamento problemático do dependente. Por exemplo, a esposa que tolera, incansavelmente, todas as consequências decorrentes do alcoolismo do marido, como perda do emprego, agressividade, irresponsabilidades, etc. Ou a pessoa que suporta qualquer tipo de abuso do cônjuge por medo das chantagens emocionais feitas por ele, como por exemplo, a separação.

Sejam quais forem as características, essas pessoas se colocam mais a disposição do outro e seus problemas, negando suas próprias necessidades ou as colocando em segundo plano, porque pensam estar ajudando. Raramente percebem que são codependentes.

Quais são as consequências da codependência para a vida da pessoa?

À medida que a pessoa codependente abandona suas necessidades e objetivos ao longo da vida, ela entra num processo de abandono de si mesma e de autodestruição. Como esse padrão ocorre a longo prazo, normalmente durante vários anos, resulta em muitas perdas – perda do tempo que deveria ter sido investido em si mesmo, em seu lazer, em projetos pessoais, perda de relações que poderiam ter sido saudáveis, perda da esperança em resolver o problema do outro.

Isso tudo pode desencadear alguns danos para a saúde da pessoa, seja no aspecto físico através de doenças psicossomáticas ou no campo psicológico – normalmente os codependentes apresentam quadros depressivos ou ansiosos acentuados.