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Inteligencia Emocional e Autoestima

Inteligencia Emocional e Autoestima

O que é Autoestima?

Autoestima é a avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau.

A autoestima tem dois componentes: o sentimento de competência pessoal e o sentimento de valor pessoal. Em outras palavras, a autoestima é a soma da autoconfiança com autorrespeito. Ela reflete o julgamento implícito da nossa capacidade de lidar com os desafios da vida (entender e dominar os problemas) e o direito de ser feliz (respeitar e defender os próprios interesses e necessidades). Assim, a autoestima é a chave para o sucesso ou para o fracasso. É também a chave para entendermos a nós mesmos e os outros.

Ter uma autoestima elevada é sentir-se confiantemente adequado à vida, isto é, competente e merecedor, no sentido que acabamos de citar. Ter uma autoestima baixa é sentir-se inadequado à vida, errado, não sobre este ou aquele assunto, mas errado como pessoa. Ter uma autoestima média é flutuar entre sentir-se adequado ou inadequado, certo ou errado como pessoa e manifestar essa inconsistência no comportamento - às vezes agindo com sabedoria, às vezes como tolo - reforçando, portanto, a incerteza.

Autoestima é a capacidade de sentirmos a vida, estando de bem com ela. É a confiança em nosso modo de pensar e enfrentar os problemas e o direito de ser feliz. Precisamos ter a sensação de que somos merecedores de nossas necessidades, desejos e desfrutar os resultados de nossos esforços.

Se um indivíduo se sente inseguro para enfrentar os problemas da vida, se não tem autoconfiança e confiança em suas próprias idéias, veremos nele uma autoestima baixa. Ou, então, se falta ao indivíduo respeito por si mesmo, se ele se desvaloriza e não se sente merecedor de amor e respeito por parte dos outros, se acha que não tem direito à felicidade, se tem medo de expor suas idéias, vontades e necessidades, novamente veremos uma autoestima baixa, não importa que outros atributos positivos ele venha a exibir.

Muitas vezes a autoestima é confundida com egoísmo. Egoísta é aquela pessoa que quer o melhor, e quase sempre no sentido material, somente para si, não importando os outros. Quem possui uma autoestima elevada, tem como consequência amor e estima aos outros. Ela quer o melhor para si, e para os outros também.

Quando a Autoestima começa a se formar?

A autoestima, seja qual for o nível, é uma experiência íntima, reside na essência do nosso ser. É o que EU penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim.

Quando crianças, a nossa autoconfiança e o nosso autorrespeito podem ser alimentados ou destruídos pelos adultos, conforme tenhamos sido respeitados, amados, valorizados e encorajados a confiar em nós mesmos. Mas, em nossos primeiros anos de vida, as nossas escolhas e decisões são muito importantes para o desenvolvimento futuro de nossa autoestima. Estamos longe de ser meros receptáculos da visão que as outras pessoas têm sobre nós.

E de qualquer forma, seja qual tenha sido a nossa educação, quando adultos o assunto está em nossas próprias mãos. Ninguém pode respirar por nós, ninguém pode pensar por nós, ninguém pode nos dar autoconfiança e amor-próprio.

Posso ser amado pela minha família, por meu companheiro ou companheira e por meus amigos e, mesmo assim, não amar a mim mesmo. Posso ser admirado pelos meus colegas de trabalho e mesmo assim ver-me como um inútil. Posso projetar uma imagem de segurança e uma postura que iludem virtualmente a todos e ainda assim tremer secretamente ao sentir a minha inadequação. Posso preencher todas as expectativas dos outros e, no entanto, falhar em relação às minhas. Posso conquistar todas as honras e apesar disso sentir que não cheguei a nada. Posso ser adorado por milhões e despertar todas as manhãs com uma horrível sensação de fraude e vazio.

Porque é bom ter Autoestima elevada?

Quanto maior a nossa autoestima, mais bem equipados estaremos para lidar com as adversidades da vida, mais flexíveis seremos e  mais resistiremos à pressão de sucumbir ao desespero ou à derrota;

Quanto maior a nossa autoestima, maior a probabilidade de sermos criativos em nosso trabalho, ou seja, maior a probabilidade de obtermos sucesso;

Quanto maior a nossa autoestima, mais ambiciosos tenderemos a ser, não necessariamente na carreira ou em assuntos financeiros, mas em termos das experiências que esperamos vivenciar de maneira emocional, criativa ou espiritual;

Quanto maior a nossa autoestima, maiores serão as nossas possibilidades de manter relações saudáveis, em vez de destrutivas, pois, assim como o amor atrai o amor, a saúde atrai a saúde, a vitalidade e o diálogo atraem mais do que o vazio e o oportunismo;

Quanto maior a nossa autoestima, mais inclinados estaremos a tratar os outros com respeito, benevolência e boa vontade, pois não os vemos como ameaça, não nos sentimos como "estranhos e amedrontados num mundo que nós jamais criamos", uma vez que o autorrespeito é o fundamento do respeito pelos outros;

Quanto maior a nossa autoestima, mais alegria teremos pelo simples fato de ser, de despertar pela manhã, de viver dentro dos nossos próprios corpos. São essas as recompensas que a nossa autoconfiança e o nosso autorrespeito nos oferecem.

Quais são as características da baixa Autoestima?

  • Insegurança
  • Inadequação
  • Perfeccionismo
  • Dúvidas constantes
  • Incerteza do que se é, do que se é capaz
  • Sentimento vago de não ser capaz de realizar nada = depressão
  • Não se permite errar
  • Necessidade de agradar, de aprovação e de reconhecimento constantes

O que diminui a Autoestima?

  • Culpa
  • Críticas e autocríticas
  • Abandono
  • Rejeição
  • Carência
  • Frustração
  • Vergonha
  • Inveja
  • Timidez
  • Insegurança
  • Medo
  • Humilhação
  • Raiva
  • e, principalmente: perdas e dependência (financeira e emocional)

O que é preciso para elevar a Autoestima?

  • Autoconhecimento
  • Manter-se em forma física (gostar da imagem refletida no espelho)
  • Identificar as qualidades e não só os defeitos
  • Aprender com a experiência passada
  • Tratar-se com amor e carinho
  • Ouvir a intuição, o que aumenta a autoconfiança
  • Manter o diálogo interno
  • Acreditar que merece ser amado(a) e é especial
  • Fazer todo dia algo que o deixe feliz. Pode ser coisas simples como dançar, ler, descansar, ouvir música, caminhar.

Desenvolver a autoestima é desenvolver a convicção de que somos capazes de viver e somos merecedores da felicidade e, portanto, capazes de enfrentar a vida com mais confiança, boa vontade e otimismo, que nos ajudam a atingir nossas metas e a sentirmos-nos realizados.

Desenvolver a autoestima é expandir a nossa capacidade de ser feliz. A verdadeira autoestima não se expressa pela autoglorificação à custa dos outros, ou pelo ideal de se tornar superior aos outros, ou de diminuir os outros para se elevar. A arrogância, a ostentação e a superestima das nossas capacidades são atitudes que refletem uma autoestima inadequada, e não, como imaginam alguns, excesso de autoestima. Uma das características mais significativas da autoestima saudável é que ela é o estado da pessoa que não está em guerra consigo mesma ou com os outros.

E para desenvolver a autoestima o primeiro passo é o autoconhecimento, que junto com o autorrespeito vão alimentar a autoconfiança e desenvolver a autoestima.

O que é Inteligência Emocional?

Inteligência Emocional é um conjunto específico de aptidões utilizadas no conhecimento e processamento das informações relacionadas à emoção. Na história da psicologia moderna o termo Inteligência Emocional foi criado pelo americano Daniel Goleman na década de 90 e significa a capacidade de sentir, entender, controlar e modificar o estado emocional próprio ou de outra pessoa de forma organizada.

O tão discutido QI (Quociente de Inteligência) não é mais a única ferramenta para determinar a inteligência de uma pessoa. O cérebro humano é um sistema integrado que inclui elementos cognitivos e emocionais. O conceito de Inteligência Emocional ou QE (Quociente Emocional) valoriza a parte emocional como aquela que vai direcionar a cognitiva, deixando de lado a antiga crença de que as emoções atrapalham a razão. As emoções podem ser trabalhadas a favor ou contra o desempenho humano, tudo dependerá da autoconsciência, do autocontrole e de como colocamos em prática essas emoções.

A Inteligência Emocional está relacionada a habilidades tais como motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; saber esperar e adiar a satisfação; regular o próprio estado de espírito e impedir que a aflição invada a capacidade de pensar; criar empatia; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento a objetivos de interesses comuns.

Importância das emoções.

Emoções são impulsos direcionados para a ação. Cada emoção leva consigo uma disposição distinta para a ação rumo à direção que deu certo no lidar com os recorrentes desafios da vida humana, ficando gravadas em nosso sistema nervoso como tendências inatas e automáticas do corpo humano.

As emoções mais fortes do homem são a tristeza, a alegria e a raiva. É fundamental saber lidar com elas. As pessoas que sabem controlar suas emoções são aquelas que obtêm mais sucesso na vida, em qualquer tipo de situação.

As emoções desencadeiam uma série de reações em nosso organismo, ficando absolutamente claro que é o estado emocional o fato gerador, a causa de tais reações, e não ao contrário como sugerem alguns cientistas.

Em nosso repertório emocional, cada emoção desempenha uma função única, preparando o corpo para um tipo de resposta muito diferente:

Emoção

Características

Reações fisiológicas

IRA

Fúria, revolta, ressentimento, raiva, exasperação, indignação, vexame, animosidade, aborrecimento, irritabilidade, hostilidade e, talvez no extremo, ódio e violência patológicos.

O sangue flui para as mãos, fica mais fácil pegar uma arma ou golpear um inimigo. Os batimentos cardíacos aceleram-se, e uma onda de hormônios como a adrenalina gera uma pulsação, energia suficientemente forte para uma ação vigorosa de fuga ou luta.

TRISTEZA

Sofrimento, mágoa, desânimo, desalento, melancolia, autopiedade, solidão, desamparo, perda de prazer, desespero e, quando patológica, depressão.

Queda de energia e entusiasmo pelas atividades da vida, em particular diversões e prazeres. Redução da velocidade metabólica do corpo. Confusão e falta de concentração mental, lapsos de memória, dificuldades alimentares e com o sono, apatia.

MEDO

Ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação, consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror e, como psicopatologia, fobia e pânico.

O sangue vai para os músculos do esqueleto, como os das pernas, tornando mais fácil fugir e faz o rosto ficar lívido, uma vez que o sangue é desviado dele. O corpo imobiliza-se em alerta geral preparando para fugir ou lutar.

FELICIDADE

Prazer, alegria, alívio, contentamento, deleite, diversão, orgulho, prazer sensual, emoção, arrebatamento, gratificação, satisfação, bom humor, disposição, entusiasmo, euforia, êxtase e, no extremo, mania.

Maior atividade no centro cerebral que inibe sentimentos negativos e favorece o aumento de energia existente e silencia aqueles que geram pensamentos de preocupação. A tranquilidade permite o corpo recuperar-se de emoções perturbadoras. Repouso geral, disposição e entusiasmo para executar qualquer tarefa ou atingir objetivos.

SURPRESA

Choque, espanto, pasmo e maravilha.

O erguer das sobrancelhas permite a adoção de uma varredura visual mais ampla, e também maior quantidade de luz a atingir a retina. Isso torna mais fácil perceber exatamente o que está acontecendo e conceber o melhor plano de ação.

REPUGNÂNCIA

Nojo, desprezo, desdém, antipatia, aversão, repulsa.

A expressão facial de nojo, o lábio superior se retorce para o lado e o nariz se enruga ligeiramente, sugere uma tentativa de tapar as narinas contra um odor nocivo ou cuspir fora uma comida estragada.

AMOR

Aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão.

O oposto fisiológico da mobilização para lutar ou fugir partilhada pelo medo e a ira. Estimulação parassimpática, chamada de resposta de relaxamento, que gera um estado geral de calma e satisfação, facilitando a cooperação.

Para que servem as emoções?

< >Sobrevivência: Nossas emoções foram desenvolvidas naturalmente através de milhões de anos de evolução. Como resultado, nossas emoções possuem o potencial de nos servir como um sofisticado e delicado sistema interno de orientação. Nossas emoções nos alertam quando as necessidades humanas naturais não são encontradas. Por exemplo, quando nos sentimos sós, nossa necessidade é encontrar outras pessoas. Quando nos sentimos receosos, nossa necessidade é por segurança. Quando nos sentimos rejeitados, nossa necessidade é por aceitação.  

< >Tomadas de Decisão: Nossas emoções são uma fonte valiosa de informação. Nossas emoções nos ajudam a tomar decisões. Os estudos mostram que quando as conexões emocionais de uma pessoa estão danificadas no cérebro, ela não pode tomar nem mesmo as decisões simples. Por quê? Porque não sentirá nada sobre suas escolhas. Ajuste de limites: Quando nos sentimos incomodados com o comportamento de uma pessoa, nossas emoções nos alertam. Se nós aprendermos a confiar em nossas emoções e sensações isto nos ajudará a ajustar nossos limites que são necessários para proteger nossa saúde física, mental e emocional.Comunicação: Nossas emoções ajudam-nos a comunicar com os outros. Nossas expressões faciais, por exemplo, podem demonstrar uma grande quantidade de emoções. Com o olhar, podemos sinalizar que precisamos de ajuda. Se formos também verbalmente hábeis, juntamente com nossas expressões teremos uma possibilidade maior de melhor expressar nossas emoções. Também é necessário que nós sejamos eficazes para escutar e entender os problemas dos outros. União: Nossas emoções são talvez a maior fonte potencial capaz de unir todos os membros da espécie humana. Claramente, as diferenças religiosas, cultural e política não permitem isto, apesar das emoções serem "universais". 1. Autoconhecimento Emocional - Autoconsciência: conhecimento que o ser humano tem de si próprio, de seus sentimentos ou intuição. Esta competência é fundamental para que o homem tenha confiança em si (autoconfiança) e conheça seus pontos fortes e fracos. A incapacidade de reconhecer um sentimento quando ele ocorre gera insegurança e deixa a pessoa à mercê deste sentimento.

2. Controle Emocional - Capacidade de gerenciar os sentimentos: habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os para a situação. A pessoa que sabe controlar seus próprios sentimentos se dá bem em qualquer lugar que esteja ou em qualquer ato que realize. Adiar a satisfação e reprimir a impulsividade, saber confortar-se, controlar a ansiedade, a frustração, a tristeza e a irritabilidade estão por trás de todo tipo de realização.

3. Automotivação - Ter vontade de realizar, otimismo: direcionar as emoções a serviço de um objetivo. A pessoa otimista consegue realizar tudo que planeja, pois tem consciência que todos os problemas são contornáveis e resolvíveis. Pôr as emoções a serviço de uma meta é essencial para prestar atenção, para a criatividade, para ter alta produtividade e eficácia em qualquer atividade desempenhada.

4. Reconhecer emoções nos outros - Empatia: saber se colocar no lugar do outro. Perceber o outro. Captar o sentimento do outro. A calma é fundamental para que isso aconteça. Os problemas devem ser resolvidos através de conversas claras. As explosões devem ser evitadas para que não prejudique o relacionamento com os outros. As pessoas empáticas estão sintonizadas com os sutis sinais sociais que indicam de que os outros precisam ou o que querem.

5. Habilidade em relacionamentos interpessoais - Aptidão social: a capacidade que a pessoa deve ter para lidar com emoções do grupo. A arte dos relacionamentos deve-se, em grande parte a saber lidar com as emoções do outro. Saber trabalhar em equipe é fundamental no mundo atual.

As três primeiras habilidades acima referem-se a Inteligência Intrapessoal. As duas últimas, a Inteligência Interpessoal.

Inteligência Interpessoal: é a habilidade de compreender os outros, a maneira de como aceitar e conviver com o outro.  

1. Organização de Grupos: é a habilidade essencial da liderança, que envolve iniciativa e coordenação de esforços de um grupo, habilidade de obter do grupo o reconhecimento da liderança, a cooperação espontânea.

2. Negociação de Soluções: o papel do mediador, prevenindo e resolvendo conflitos.

3. Empatia - Sintonia Pessoal: é a capacidade de, identificando e entendendo os desejos e sentimentos das pessoas, responder e agir adequadamente de forma a canalizá-los ao interesse comum.

4. Sensibilidade Social: é a capacidade de detectar e identificar sentimentos, motivos e preocupações das pessoas, o que leva a uma fácil intimidade ou senso de relação.

Inteligência Intrapessoal: é a capacidade de relacionamento consigo mesmo, autoconhecimento. Capacidade de formar um modelo verdadeiro e preciso de si mesmo e usá-lo de forma efetiva e construtiva. Habilidade de administrar seus sentimentos e emoções a favor de seus projetos. É a inteligência da autoestima.

Como desenvolver a Inteligência Emocional?

Muitos estudiosos desta nova teoria afirmam que crianças emocionalmente inteligentes são menos agressivas, mais flexíveis, mais estudiosas, mais sociáveis e conseguem encontrar mais soluções para os problemas naturais que a vida impõe a todos, como traumas, perdas e dificuldades.

Os pais se preocupam muito com a educação que vão dar aos filhos, e procuram com isso dar a eles o suporte necessário para que possam ter uma boa formação. Todos querem, na verdade, que seus filhos sejam capazes de enfrentar os problemas e que se saiam bem na vida como um todo.

Para se educar um filho de modo que este se torne emocionalmente inteligente, é preciso reconhecer suas emoções, sem repreendê-las, desrespeitá-las ou ignorá-las. Precisam ajudar seus filhos a identificar suas próprias emoções e impor limites adequados, ao mesmo tempo em que os ensinam a descobrir soluções para a vida. Para os filhos, que aprendem com seus pais como funciona a emoção, Inteligência Emocional envolve a capacidade de controlar os impulsos, adiar a gratificação, motivar-se, interpretar os sinais subjetivos dos relacionamentos e lidar com os altos e baixos da vida.

Talvez isso seja difícil de ser conciliado no dia a dia, na correria da vida cotidiana, mas é necessário para uma educação saudável e plena no futuro adulto. Se uma criança ou adolescente não quer estudar, por exemplo, os pais precisam mostrar que entendem esse sentimento, mas vão mostrar também o que se ganha e o que se perde com tal atitude, qual seu preço a longo prazo e, assim, vão mostrar que na vida existem regras comuns a todos. Vão mostrar que existem sempre outras possibilidades, mas que a responsabilidade das escolhas é de cada um com seu próprio futuro. É uma negociação, um acordo que se entra com a criança ou adolescente, sempre procurando explicar os dois lados de acordo com a idade e compreensão do filho. Se os pais agem assim, mostram uma flexibilidade de conduta e, ao mesmo tempo, dão a este filho a possibilidade de tomar suas atitudes e decisões com responsabilidade, assumindo assim as conseqüências que virão a seguir.

Manter a calma diante de alguma situação, encontrar estratégias para resolver um problema, ter flexibilidade para se adaptar a situações, se concentrar nas horas necessárias e saber se relacionar socialmente com as diferenças da vida humana são algumas das habilidades de quem desenvolve a Inteligência Emocional.

Como resultado do desenvolvimento da Inteligência Emocional temos:

HABILIDADE

RESULTADOS

Autoconhecimento Emocional

* Melhora no reconhecimento e designação das próprias emoções;

* Maior capacidade de entender as causas dos sentimentos;

* Reconhecer a diferença entre sentimentos e atos.

Controle Emocional

* Melhor tolerância à frustração e controle da ira;

* Maior capacidade de expressar adequadamente a ira, sem brigar;

* Menos comportamento agressivo ou autodestrutivo;

* Melhor no lidar com a tensão;

* Menos solidão e ansiedade social;

* Mais sentimentos positivos sobre si mesmo e sobre a vida.

Automotivação

* Mais comunicativo;

* Maior capacidade de concentrar-se na tarefa imediata e prestar atenção;

* Menos impulsividade;

* Mais autocontrole;

* Melhor desempenho em atividades realizadas.

Empatia

* Maior capacidade de adotar a perspectiva do outro;

* Melhor empatia e sensibilidade com os sentimentos dos outros;

* Melhor no ouvir os outros.

Aptidão social

* Maior capacidade de analisar e compreender relacionamentos;

* Melhor na solução de conflitos e negociação de desacordos;

* Melhor na solução de problemas em relacionamentos;

* Mais assertivo e hábil no comunicar-se;

* Mais popular, aberto, amistoso e envolvido com os outros;

* Mais preocupado e atencioso;

* Mais procurado pelos outros;

* Mais pró-social e harmônioso em grupos;

* Mais partilha, cooperação e prestatividade;

* Mais democrático no lidar com os outros.

Metáfora sobre Inteligência Emocional

Em seu livro Inteligência Emocional, Daniel Goleman conta uma história que ilustra perfeitamente a capacidade de sentir, entender, controlar e modificar o estado emocional próprio e de outra pessoa de forma inteligente e intencional.

Essa refinada habilidade na bela arte da influência emocional talvez seja mais bem exemplificada por uma história contada por um velho amigo, o falecido Terry Dobson, que na década de 50 foi um dos primeiros americanos a estudar a arte marcial Aikidô no Japão.

Uma tarde, ele voltava para casa, num trem suburbano de Tóquio, quando entrou um operário enorme, belicoso e muito bêbado. O homem, cambaleando, se pôs a aterrorizar os passageiros: gritando palavrões, avançou para uma mulher com um bebê no colo e jogou-a em cima de um casal de velhos, que se levantaram e iniciaram uma debandada para o outro extremo do vagão. O bêbado, fazendo outros ataques (e, em sua raiva, errando), agarrou a coluna de metal no meio do vagão com um rugido e tentou arrancá-la.

Nessa altura Terry, que estava no auge da forma física com as oito horas de exercício no Aikidô, sentiu-se chamado a intervir, para que ninguém se machucasse seriamente. Mas lembrou-se das palavras de seu mestre:

- O Aikidô é a arte da reconciliação. Quem quer brigar já rompeu a ligação com o universo. Quem tenta dominar as pessoas já está derrotado. Nós estudamos como resolver o conflito, não iniciá-lo.

Na verdade, Terry concordara, ao iniciar as aulas com o professor, em jamais puxar uma briga e usar sua arte marcial só para defesa. Agora, finalmente, via uma oportunidade de testar suas habilidade no Aikidô na vida real, no que era visivelmente uma ocasião legítima. Assim, com os outros passageiros sentados paralisados em seus bancos, ele se levantou, devagar e com determinação.

Ao vê-lo, o bêbado rugiu:

- A-ha! Um estrangeiro! Você precisa uma lição de boa educação japonesa!

E começou a preparar-se para enfrentar Terrry.

Mas no momento mesmo em que o bêbado ia fazer seu lance, alguém deu um grito ensurdecedor e curiosamente alegre:

-Ei!

O grito tinha o tom animado de alguém que encontra de repente um amigo querido. O bêbado, surpreso, girou e viu um japonesinho minúsculo, provavelmente na casa dos setenta, ali sentado vestindo um quimono. O velho sorria radiante para o bêbado e chamou-o com um aceno e um cantado Vem cá.

O bêbado aproximou-se com um beligerante Por que diabos eu vou falar com você? Enquanto isso, Terry estava preparado para derrubá-lo num momento se ele fizesse o menor movimento violento.

- Que foi que você andou bebendo? - perguntou o velho, os olhos radiantes para o operário bêbado.

- Eu bebi saquê, e não é da sua conta - berrou o bêbado.

- Ah, isso é maravilhoso, absolutamente maravilhoso - respondeu o  velho, num tom simpático. - Sabe, eu também adoro saquê. Toda noite, eu e minha mulher (ela tem sessenta e cinco anos, você sabe), a gente aquece uma garrafinha de saquê e vai tomar no jardim, sentados num velho banco de madeira...

E continuou falando de um pé de caqui em seu quintal, do destino do jardim, de saborear saquê à noite.

O rosto do bêbado começou a suavizar-se enquanto ouvia o velho, afrouxou os punhos.

- Ééé... Eu também adoro caqui... - disse, a voz morrendo.

- Sim - respondeu o velho com uma voz animada - e tenho certeza de que tem uma esposa maravilhosa.

- Não - disse o operário. - Minha esposa morreu.

          Soluçando, lançou-se numa triste história de que perdera a esposa, a casa, o emprego, a vergonha que sentia de si mesmo.

Nesse momento, o trem chegou na estação de Terry, e quando ele ia saindo, voltou-se e ouviu o velho convidar o bêbado a sentar-se junto dele e contar-lhe tudo, e viu o bêbado arriar no banco, a cabeça no colo do velho.

Isso é brilhantismo emocional!

 

 Daniel Goleman, Ph.D., é o presidente do Emotional Intelligente Service (Empresa de Consultoria), em Sudbury, Massachusetts. Ao longo de 12 anos escreveu sobre psicologia e ciências do cérebro para o The New York Times. Editor da revista Psychology Today por nove anos, lecionou em Harvard, onde recebeu o título de doutorado.